ArcelorMittal mantém liderança com 42% da produção de aço no Brasil apesar de prejuízo e pressão de importações e tarifas dos EUA

A ArcelorMittal Brasil divulgou na quinta-feira (30/04/2026), em Belo Horizonte, seus resultados financeiros e operacionais referentes a 2025, evidenciando um cenário adverso marcado por importações predatórias, sobretudo da China, e tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos ao aço brasileiro. Apesar das pressões externas e de um ambiente econômico desafiador, a companhia manteve a liderança no mercado nacional, respondendo por 42% da produção de aço bruto no país, ao mesmo tempo em que registrou prejuízo líquido e retração em indicadores operacionais.

Desempenho operacional e financeiro em queda

A produção total de aço da empresa atingiu 15,14 milhões de toneladas em 2025, representando queda de 1,3% em relação ao ano anterior. No segmento de mineração, a produção de minério de ferro somou 2,34 milhões de toneladas, recuo de 18,3%, impactado pela transição operacional da mina de Serra Azul, em Minas Gerais.

O volume de vendas de aço também apresentou retração, totalizando 14,9 milhões de toneladas, queda de 1,9%. Desse total, 57% foram destinados ao mercado interno e 43% ao mercado externo, evidenciando a relevância das exportações na estratégia da companhia.

No campo financeiro, a receita líquida consolidada atingiu R$ 61,76 bilhões, com redução de 7,2% frente a 2024. O EBITDA foi de R$ 8,08 bilhões, queda de 12%. O resultado final, no entanto, foi negativo em R$ 2,2 bilhões, influenciado também pelo impacto contábil da aquisição da Votorantim Siderurgia, no valor de R$ 2,9 bilhões.

Pressão de importações e distorções comerciais

Segundo dados do Instituto Aço Brasil, as importações de aço laminado alcançaram 5,7 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 20,5% em relação a 2024 e de 160% frente à média histórica entre 2000 e 2019. A taxa de penetração chegou a 21%, nível considerado insustentável para a indústria nacional.

O principal fator de distorção apontado pela empresa é a entrada de aço subsidiado, especialmente da China, com preços considerados predatórios. Esse movimento compromete a competitividade das siderúrgicas brasileiras e pressiona margens operacionais.

Paralelamente, as tarifas de 50% impostas pelo governo dos Estados Unidos exigiram que a empresa absorvesse parte dos custos para manter presença naquele mercado, afetando diretamente a rentabilidade, sobretudo no segmento de aços planos.

Contexto global e desafios estruturais

O cenário internacional contribuiu para o agravamento das dificuldades. A conjuntura geopolítica, marcada por conflitos e tensões comerciais, ampliou a incerteza nos mercados. Além disso, o setor enfrenta um problema estrutural de sobreoferta global de aço, que pode ultrapassar 700 milhões de toneladas até 2027, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

No ambiente doméstico, o Brasil registrou crescimento econômico moderado e taxas de juros elevadas, fatores que limitaram a expansão da demanda por aço e exigiram maior eficiência operacional das empresas do setor.

Investimentos e estratégia de expansão

Apesar das adversidades, a ArcelorMittal manteve seu plano de investimentos no Brasil, totalizando R$ 25 bilhões entre 2022 e 2026. Os aportes visam fortalecer a atuação em segmentos estratégicos como construção civil, infraestrutura, indústria automotiva e energia.

Entre os principais projetos, destacam-se:

  • Unidade Sabará (MG): investimento de R$ 144 milhões em novas linhas de trefilação automotiva
  • Mina de Serra Azul (MG): R$ 2,5 bilhões para implantação de unidade de pellet feed
  • Unidade Barra Mansa (RJ): novo laminador com aporte de R$ 1,6 bilhão

No campo energético, a empresa concluiu investimentos de R$ 5,8 bilhões em energia renovável, com destaque para o Complexo Babilônia Centro, na Bahia, e o parque solar de Paracatu (MG), somando 1 GW de capacidade instalada.

Aquisições e diversificação de portfólio

A estratégia de crescimento também incluiu aquisições relevantes, como:

  • Tuper, no segmento de transformação de aço
  • Dânica, especializada em painéis termoisolantes
  • Tekno e Perfilor, focadas em revestimentos metálicos

Essas operações ampliam a capacidade da empresa de oferecer soluções de maior valor agregado e diversificar sua atuação industrial.

Defesa comercial e relação com o governo

Diante do avanço das importações, a empresa intensificou sua atuação em defesa comercial, em conjunto com o Instituto Aço Brasil. Entre as propostas apresentadas ao governo federal estão:

  • Renovação do sistema de cota-tarifa
  • Ampliação de NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul)
  • Aplicação de medidas antidumping em 2026

A companhia sustenta que o fortalecimento da indústria nacional depende de condições equitativas de competição, sob risco de perda de empregos e redução da base produtiva do país.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner do Governo da Bahia: Campanha Ações Bahia Projetos Institucionais 0526.
Banner da CMFS: Campanha de abril de 2026 2.
Banner do INSV 20260303.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading