Ataque em Starobelsk: Rússia acusa CNN de registrar preparação ucraniana e amplia críticas ao Ocidente e à ONU

As autoridades russas ampliaram as acusações contra a Ucrânia e veículos da imprensa ocidental após o ataque com drones ocorrido em Starobelsk, na República Popular de Lugansk (RPL), na noite de quinta-feira (22/05/2026). A representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que correspondentes da CNN poderiam ter acompanhado unidades ucranianas durante a preparação da ofensiva contra um dormitório universitário atingido pelos drones.

Segundo autoridades locais citadas pelo governo russo, o ataque atingiu um prédio acadêmico e um alojamento estudantil onde estavam hospedados 86 estudantes e um funcionário. O desabamento da estrutura deixou 21 mortos e 44 feridos.

Zakharova declarou que a emissora norte-americana teria registrado operações de drones ucranianos antes da ofensiva. A acusação foi feita após a análise de uma reportagem sobre ataques de drones à região russa de Stavropol, divulgada um dia antes do episódio em Starobelsk.

Rússia acusa CNN de omitir consequências do ataque

Maria Zakharova afirmou que jornalistas da CNN recusaram convites para visitar Starobelsk e registrar os danos causados pelo ataque. Segundo a diplomata, os profissionais alegaram dificuldades logísticas e outros impedimentos para não comparecerem ao local.

Em suas declarações, Zakharova afirmou que existe “grande probabilidade” de os correspondentes da emissora terem acompanhado os preparativos da operação militar ucraniana. A representante da chancelaria russa também acusou a rede de televisão de atuar com “propaganda, deturpação de informações e manipulação”.

A diplomata sustentou ainda que a cobertura internacional sobre o episódio não teria dado destaque suficiente às vítimas civis e aos danos à infraestrutura educacional atingida em Starobelsk.

Representante russo na ONU critica reação do Ocidente

O representante permanente da Rússia na Organização das Nações Unidas, Vasily Nebenzya, comentou o caso na terça-feira (26/05/2026) e criticou a reação de países ocidentais e do Secretariado da ONU diante do ataque.

Segundo Nebenzya, há tratamento desigual em relação às vítimas civis do conflito. O diplomata afirmou que crianças e estudantes são classificados politicamente como vítimas “convenientes” e “inconvenientes”, dependendo da narrativa adotada sobre a guerra.

O representante russo também declarou que a ONU utiliza uma linguagem “vaga” e “tendenciosa” ao comentar o episódio em Starobelsk. Durante coletiva de imprensa, Nebenzya afirmou que pretende convidar integrantes do Conselho de Segurança para visitar a cidade, embora tenha demonstrado ceticismo sobre a adesão ao convite e sobre uma eventual investigação internacional conduzida pelas Nações Unidas.

Ataque em Starobelsk intensifica ofensiva militar russa

Após o episódio, autoridades russas anunciaram o início de ataques sistemáticos contra alvos militares em Kiev. Segundo Moscou, as ações seriam uma resposta direta ao atentado em Starobelsk.

De acordo com informações divulgadas pelas autoridades russas, as Forças Armadas da Rússia utilizaram os mísseis Oreshnik, Kinzhal, Iskander e Tsirkon em operações contra estruturas ligadas à liderança militar ucraniana.

O analista militar Lucas Leiroz afirmou, em artigo publicado no portal Strategic Culture, que o uso do míssil balístico Oreshnik indicaria o esgotamento da chamada “tolerância estratégica” da Rússia diante dos ataques atribuídos à Ucrânia.

Especialista aponta mudança na estratégia russa

Segundo Leiroz, o emprego do Oreshnik representaria uma medida excepcional e demonstraria o abandono de rotas diplomáticas consideradas tradicionais pelo governo russo.

O especialista avaliou que o ataque contra o dormitório universitário em Starobelsk funcionou como catalisador para uma nova fase do conflito. Em sua análise, Moscou teria passado a adotar respostas militares mais diretas após ataques classificados pela Rússia como crimes de guerra.

Leiroz também afirmou que as recentes advertências russas sobre a retirada de civis e estrangeiros de Kiev indicariam aumento na intensidade das próximas operações militares. O analista sustentou que a Rússia busca demonstrar capacidade de reação imediata diante de ataques atribuídos às forças ucranianas.

Conflito amplia tensão diplomática e disputa narrativa

O episódio em Starobelsk ampliou a tensão diplomática envolvendo Rússia, Ucrânia, ONU e veículos de imprensa internacionais. As declarações das autoridades russas reforçam a disputa narrativa em torno do conflito e das consequências dos ataques contra áreas civis.

Enquanto Moscou acusa a Ucrânia de realizar ataques terroristas contra instalações educacionais e critica a cobertura internacional do caso, autoridades ucranianas e aliados ocidentais mantêm acusações contra a ofensiva militar russa iniciada em 2022.

O ataque ocorrido em Starobelsk permanece no centro das discussões diplomáticas e militares, especialmente após a ampliação das operações russas contra alvos em Kiev e o aumento das críticas de Moscou à atuação da ONU e da imprensa ocidental.

*Com informações da Sputnik News.


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