O município de Mucugê, na Chapada Diamantina, sediou na sexta-feira (15/05/2026) o lançamento do Projeto Avança Chapada, iniciativa da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e do Núcleo Regional na Bahia do Instituto Euvaldo Lodi (IEL-BA) voltada ao desenvolvimento produtivo sustentável, à inovação e à estruturação de uma agenda estratégica para o Território de Identidade da Chapada Diamantina. Resultado de convênio entre as duas instituições, o projeto conta com investimento de R$ 3,3 milhões, dos quais R$ 2,9 milhões são oriundos da ABDI, e pretende qualificar prioridades, reduzir assimetrias de coordenação e preparar iniciativas de alto impacto para implementação até 2035.
Projeto busca estruturar Agenda Produtiva para 24 municípios da Chapada Diamantina
O Avança Chapada foi concebido para organizar uma Agenda Produtiva Territorial em uma região formada por 24 municípios, com o objetivo de transformar potencialidades locais em projetos estruturantes. A proposta é reunir instituições públicas, setor produtivo, entidades empresariais, universidades, lideranças locais e organizações técnicas em torno de uma estratégia comum de desenvolvimento.
A iniciativa pretende enfrentar um dos principais entraves de territórios com múltiplas vocações econômicas: a fragmentação das ações. Ao qualificar prioridades e reduzir assimetrias de coordenação, o projeto busca melhorar a capacidade regional de planejar, selecionar e executar iniciativas de maior impacto econômico, social e ambiental.
O programa foi formalizado durante cerimônia em Mucugê, com assinatura de protocolo de compromisso por instituições públicas e privadas. O documento simboliza a adesão dos parceiros a uma agenda integrada voltada à competitividade, à sustentabilidade, à inovação produtiva e à ampliação de investimentos na Chapada Diamantina.
ABDI e IEL-BA firmam convênio para desenvolvimento produtivo sustentável
O projeto é resultado de convênio firmado entre a ABDI e o IEL-BA, com investimento total de R$ 3,3 milhões. A participação da ABDI amplia o alcance nacional da iniciativa, ao inserir a Chapada Diamantina em uma estratégia de desenvolvimento industrial e produtivo orientada por inovação, sustentabilidade e novas oportunidades econômicas.
A atuação do IEL-BA, entidade integrante do Sistema FIEB, reforça a conexão do programa com a indústria, a qualificação profissional, a inovação empresarial e a competitividade regional. A instituição atua há 55 anos na articulação entre indústria e inovação, em cooperação com o SESI e o SENAI, contribuindo para o desenvolvimento do setor industrial baiano.
O Avança Chapada também conta com a participação de instituições como CAR/SDR, BahiaInveste, Consórcio Chapada Forte, FAEB, Fecomércio-BA, FETRABASE, FIEB, Sebrae Bahia, SESI Bahia, SENAI Bahia e SENAI Cimatec, compondo uma rede de apoio técnico, institucional e produtivo.
Design Estratégico orienta construção participativa do programa
A metodologia adotada pelo projeto será baseada no Design Estratégico, abordagem que privilegia colaboração, inovação e sustentabilidade como processos permanentes de construção institucional, e não apenas como metas finais. A proposta é mobilizar atores locais para formular diagnósticos, validar prioridades e desenhar soluções compatíveis com a realidade do território.
A iniciativa envolverá segmentos como indústria, agroindústria, mineração, energia, serviços e turismo, setores considerados estratégicos para a diversificação econômica da Chapada Diamantina. A integração dessas áreas busca permitir que o território avance de forma coordenada, combinando vocações tradicionais com novas oportunidades produtivas.
A metodologia participativa prevê a realização de workshops, consultas e momentos de escuta qualificada com atores locais. A intenção é garantir que as propostas não sejam impostas de cima para baixo, mas construídas a partir das demandas, capacidades e limitações observadas nos municípios.
Programa terá diagnóstico sobre biogás, biometano e bioenergia
Uma das frentes centrais do Avança Chapada será a elaboração de um diagnóstico técnico, socioeconômico e regulatório da cadeia regional de biogás e biometano. O estudo terá foco em modelos híbridos de geração descentralizada de energia e mobilidade sustentável.
O objetivo é avaliar de que forma resíduos, biomassa e outras fontes disponíveis no território podem ser convertidos em oportunidades econômicas, ambientais e energéticas. A proposta inclui a identificação de modelos técnico-econômicos para iniciativas em biomassa, biogás, biometano e novos produtos.
Essa frente também buscará conectar a oferta local de insumos energéticos à demanda regional, reduzindo incertezas técnicas e regulatórias. A partir desse diagnóstico, o projeto pretende preparar condições para futuros negócios associados à bioenergia, com potencial de gerar renda, diversificar a economia e fortalecer cadeias produtivas locais.
Iniciativa pretende superar gargalos logísticos e tecnológicos
Além da bioenergia, o Avança Chapada prevê a identificação de oportunidades para superar gargalos logísticos e tecnológicos que limitam a competitividade regional. A Chapada Diamantina possui reconhecido potencial turístico, ambiental e produtivo, mas ainda enfrenta obstáculos ligados à infraestrutura, conectividade, acesso a mercados, qualificação técnica e integração entre municípios.
O projeto também prevê a elaboração de um estudo sobre a evolução da indústria regional, observando as potencialidades do território e sua contribuição para o desenvolvimento econômico e social. Essa análise deverá considerar cadeias produtivas existentes, oportunidades emergentes e possibilidades de agregação de valor.
Ao tratar logística, tecnologia, energia e desenvolvimento produtivo de forma integrada, o programa busca evitar soluções isoladas. A aposta institucional está na formulação de projetos capazes de combinar planejamento territorial, sustentabilidade e capacidade de execução.
Agricultura familiar e agroindústria são tratadas como eixos estratégicos
A agricultura familiar foi destacada durante o lançamento como um dos eixos estratégicos para o desenvolvimento territorial. O diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Jeandro Ribeiro, afirmou que a integração entre instituições é fundamental para inserir a produção rural no centro da agenda de avanço da Chapada.
“É importante estarmos juntos nesta iniciativa, levando a pauta da agricultura familiar para o avanço da Chapada. Trata-se de um território com grande diversidade e produções fantásticas, onde o desenvolvimento rural tem papel fundamental no cotidiano da região”, afirmou Jeandro Ribeiro.
A presença da CAR, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia (SDR), reforça a importância do setor rural na estratégia do programa. A agroindústria também aparece como caminho para ampliar a renda, agregar valor à produção local e criar novas oportunidades para pequenos produtores, cooperativas e empreendimentos regionais.
Governador destaca potencial econômico, turístico e ambiental da Chapada
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, afirmou que o Avança Chapada chega para fortalecer o planejamento regional e integrar os municípios em torno de uma estratégia de desenvolvimento. Segundo ele, a Chapada Diamantina possui forte potencial econômico, turístico e ambiental, que precisa ser convertido em geração de emprego, renda e sustentabilidade.
“A Chapada tem uma potência econômica, turística e ambiental muito forte. O Avança Chapada chega para planejar e integrar ainda mais os municípios, ouvir as demandas da população e transformar todo esse potencial em desenvolvimento, com geração de emprego, renda e sustentabilidade”, declarou o governador.
A presença do Governo da Bahia no lançamento reforça a dimensão institucional do projeto e indica que a pauta de desenvolvimento regional será tratada de forma articulada com políticas públicas estaduais, entidades de fomento e instituições ligadas ao setor produtivo.
ABDI vê projeto como referência para desenvolvimento territorial
Durante a cerimônia, o presidente da ABDI, Olavo Noleto, destacou, em vídeo exibido aos participantes, a importância do desenvolvimento do potencial local para o avanço econômico da região. Ele afirmou que o projeto pode servir como referência para outras regiões do país.
“Esse é um grande exemplo para todo o Brasil”, afirmou Noleto. Segundo ele, a combinação entre inovação, tecnologia, geração de oportunidades, parceria com a comunidade local, empresas, universidades, governo, IEL e setor industrial cria um ecossistema capaz de resultar em emprego, aumento da renda e desenvolvimento para a Bahia e o Brasil.
A declaração reforça a leitura de que o Avança Chapada não se limita a uma ação regional pontual. A iniciativa se insere em uma agenda mais ampla de fortalecimento da competitividade produtiva brasileira, especialmente em territórios com potencial econômico ainda subaproveitado.
Duas frentes estruturam o Avança Chapada até 2035
O projeto será organizado em duas frentes principais: Agenda Produtiva e Governança Territorial e Diagnóstico Estruturante em Bioenergia. Essas frentes foram desenhadas para combinar planejamento participativo, estudos técnicos e preparação de iniciativas com potencial de implementação até 2035.
Agenda Produtiva e Governança Territorial
A primeira frente trata da construção participativa de um plano de desenvolvimento territorial. O objetivo é envolver atores locais em oficinas e workshops voltados à validação de prioridades, ao alinhamento institucional e à redução de assimetrias de informação entre os agentes da região.
Essa etapa será decisiva para definir quais projetos devem receber maior atenção, considerando impacto econômico, viabilidade técnica, sustentabilidade ambiental, capacidade de mobilização e aderência às vocações locais.
Diagnóstico Estruturante em Bioenergia
A segunda frente envolve estudos técnicos e econômicos voltados ao uso de biomassa, biogás e biometano. A finalidade é identificar oportunidades de novos negócios, avaliar modelos de geração descentralizada de energia e reduzir incertezas regulatórias que possam dificultar a implantação futura de empreendimentos.
A bioenergia aparece como uma área estratégica porque pode conectar sustentabilidade ambiental, inovação produtiva e diversificação econômica. Em territórios com base rural e agroindustrial, o aproveitamento de resíduos e fontes renováveis pode gerar novos ciclos de investimento.
IEL-BA reforça papel da cooperação institucional
A representante do Sistema FIEB e superintendente do IEL, Edneide Lima, destacou que a mobilização coletiva em torno do programa demonstra a força das parcerias construídas para impulsionar novas oportunidades na região. A avaliação é de que o desenvolvimento produtivo exige integração entre instituições, lideranças locais e agentes econômicos.
O IEL-BA terá papel relevante na articulação técnica do projeto, especialmente por sua experiência em inovação, desenvolvimento industrial, formação profissional e aproximação entre empresas, universidades e instituições de apoio. A atuação conjunta com SESI e SENAI também amplia a capacidade de oferecer suporte às demandas de qualificação e modernização produtiva.
A cerimônia em Mucugê reuniu centenas de convidados, incluindo prefeitas, gestores públicos, representantes de instituições empresariais, lideranças regionais e integrantes de entidades parceiras. Entre as autoridades presentes estiveram a prefeita de Mucugê, Ana Medrado, a prefeita de Lençóis e presidente do Consórcio Chapada Forte, Vanessa Sena, e a gerente da Unidade de Cooperação e Inteligência Competitiva da ABDI, Cynthia Araújo.









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