O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, recebeu nesta segunda-feira (25/05/2026) o embaixador da Índia no Brasil, Dinesh Bhatia, para uma reunião destinada a fortalecer as relações institucionais, comerciais e culturais entre o estado e o país asiático. O encontro deu continuidade às tratativas iniciadas durante a missão internacional realizada pelo chefe do Executivo baiano à Índia, em fevereiro de 2026, quando foram apresentadas possibilidades de cooperação em áreas estratégicas, com destaque para saúde, indústria farmacêutica, mineração, tecnologia, turismo e atração de investimentos.
Encontro reforça agenda iniciada na missão oficial à Índia
A reunião em Salvador teve como eixo central a consolidação de uma agenda bilateral entre a Bahia e a Índia, em um momento de expansão das relações entre o Brasil e o país asiático. A aproximação ocorre em meio ao esforço do governo baiano para ampliar a presença internacional do estado, diversificar parcerias econômicas e atrair empresas estrangeiras para setores considerados estratégicos.
Durante o encontro, Jerônimo Rodrigues destacou a expectativa de ampliar o diálogo com o governo indiano e criar condições institucionais para que empresas da Índia encontrem ambiente favorável para investir na Bahia. Segundo o governador, o estado está disposto a acolher e acompanhar investidores interessados em desenvolver projetos no território baiano.
A agenda dá sequência à missão internacional realizada em fevereiro de 2026, quando Jerônimo integrou compromissos oficiais na Índia voltados à cooperação econômica e tecnológica. Na ocasião, o Governo da Bahia apresentou oportunidades de investimento e tratou de parcerias relacionadas à Bahiafarma, especialmente na área de medicamentos de alta complexidade.
Comércio Brasil–Índia alcançou US$ 15 bilhões em 2025
O embaixador Dinesh Bhatia afirmou que as relações entre Índia e Brasil vêm se fortalecendo de forma acelerada. Segundo ele, o comércio bilateral chegou a US$ 15 bilhões em 2025, patamar que reforça a relevância do mercado indiano para a política externa e comercial brasileira.
A avaliação do diplomata também incluiu o papel da Índia como parceiro do Brasil no setor de combustíveis naturais. De acordo com Bhatia, o país asiático figura entre os principais parceiros brasileiros nessa área, com projeção de crescimento entre 20% e 25%.
O avanço comercial ocorre em paralelo a iniciativas recentes de aproximação institucional. Em fevereiro de 2026, o Brasil inaugurou o escritório da ApexBrasil em Nova Délhi, durante agenda oficial na Índia. A unidade foi apresentada como instrumento para ampliar exportações, atrair investimentos e intensificar a presença empresarial brasileira no mercado indiano.
Bahiafarma aparece como eixo estratégico da cooperação
Entre os temas tratados na aproximação entre Bahia e Índia, a Bahiafarma ocupa posição relevante. O laboratório público estadual, sediado em Simões Filho, tem sido apresentado pelo Governo da Bahia como peça estratégica para ampliar a produção de medicamentos, reduzir dependências externas e fortalecer a política pública de saúde.
Durante a missão de fevereiro de 2026, o Governo da Bahia tratou de parcerias envolvendo empresas indianas e brasileiras para viabilizar transferência de tecnologia e produção de medicamentos de alta complexidade. A cobertura do Jornal Grande Bahia registrou que a agenda incluiu tratativas com empresas como Biocon e Dr. Reddy’s, além da Bionovis, com foco em medicamentos oncológicos e estratégicos para o SUS.
A relevância da Bahiafarma também se conecta ao debate nacional sobre soberania sanitária. A produção local de medicamentos e insumos estratégicos tem sido tratada como prioridade em políticas públicas voltadas à redução da dependência de importações, especialmente em áreas sensíveis da saúde.
Mineração, tecnologia e turismo entram na pauta bilateral
Além da saúde, a reunião entre Jerônimo Rodrigues e Dinesh Bhatia abordou oportunidades em mineração, tecnologia e turismo. Esses setores ampliam o escopo da cooperação e indicam que a relação entre Bahia e Índia tende a ir além da pauta farmacêutica.
Na mineração, a Bahia possui reservas e projetos que podem dialogar com a demanda internacional por minerais estratégicos, especialmente em cadeias produtivas ligadas à transição energética, à indústria e à tecnologia. A Índia, por sua escala econômica e populacional, busca acesso estável a insumos industriais e energéticos.
Na área de tecnologia, o país asiático é reconhecido por sua capacidade em serviços digitais, inovação, ciência de dados, inteligência artificial e indústria farmacêutica. A aproximação com a Bahia pode abrir espaço para cooperação em formação técnica, pesquisa aplicada, startups, saúde digital e modernização produtiva.
Governo baiano busca diversificação econômica
A estratégia do Governo da Bahia se insere em um movimento mais amplo de diversificação econômica e inserção internacional do estado. A aproximação com a Índia permite ao governo estadual dialogar com uma das maiores economias emergentes do mundo, em um cenário de reconfiguração das cadeias globais de comércio.
Em fevereiro de 2026, durante o Fórum Empresarial Índia-Brasil em Nova Délhi, Jerônimo Rodrigues apresentou oportunidades de investimento no estado, destacando setores como energias renováveis, mineração, agroindústria, saúde e logística. A agenda reforçou a tentativa de posicionar a Bahia como destino de capital produtivo estrangeiro.
A relação com a Índia também tem importância política e diplomática. Brasil e Índia integram os BRICS e mantêm diálogo em fóruns multilaterais, com interesses convergentes em comércio, energia, tecnologia, segurança alimentar e reforma da governança internacional.
Parcerias empresariais dependem de execução e segurança institucional
Embora a reunião tenha sinalizado disposição política para avançar na cooperação, a transformação de agendas diplomáticas em investimentos concretos dependerá de etapas posteriores. Entre elas estão a definição de projetos, garantias regulatórias, ambiente de negócios, segurança jurídica, capacidade logística e articulação entre governos, empresas e instituições de pesquisa.
A fala de Jerônimo Rodrigues indica que o Governo da Bahia pretende atuar como facilitador institucional para empresas indianas interessadas no estado. Essa função envolve acolhimento de investidores, acompanhamento técnico e articulação com órgãos estaduais responsáveis por licenciamento, infraestrutura, incentivos e políticas setoriais.
A experiência recente mostra que agendas internacionais de investimento exigem continuidade administrativa. Missões oficiais e reuniões diplomáticas funcionam como porta de entrada, mas os resultados econômicos dependem de acompanhamento técnico, cronograma de execução e capacidade de converter intenções em contratos, plantas industriais, transferência de tecnologia e geração de empregos.









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