A Bahia reafirmou, nesta sexta-feira (29/05/2026), Dia Mundial da Energia, sua posição de destaque no setor elétrico nacional ao reunir 99% da energia elétrica produzida a partir de fontes renováveis, liderança na geração eólica no Brasil, avanço da energia solar fotovoltaica e novos projetos vinculados à transição energética. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia (SDE), o estado tem atuado na atração de investidores, no fortalecimento da cadeia produtiva da energia verde e na consolidação de um ambiente voltado à expansão industrial, tecnológica e sustentável.
Bahia ocupa posição estratégica na matriz elétrica nacional
A Bahia é atualmente o 5º maior produtor de energia elétrica do país e possui cerca de 11,8 GW de capacidade instalada em energia eólica e 2,97 GW em energia solar fotovoltaica. De acordo com dados atribuídos à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o estado soma 21 GW instalados e 519 empreendimentos em operação, respondendo por 11,36% da capacidade renovável nacional.
A posição baiana é sustentada por fatores naturais e por políticas públicas de atração de investimentos. No caso da energia eólica, a presença de ventos fortes e constantes no chamado corredor de ventos favorece a eficiência dos parques instalados no interior. Na energia solar, os índices elevados de irradiação ao longo do ano ampliam o potencial de expansão da fonte fotovoltaica em diferentes regiões do estado.
Segundo o secretário em exercício da SDE, Aécio Moreira, o protagonismo baiano resulta da combinação entre condições naturais favoráveis e ações institucionais voltadas à atração de investimentos. Ele destacou que os ventos constantes no interior garantem alta eficiência aos parques eólicos, enquanto a irradiação solar favorece a expansão da geração fotovoltaica.
Infraestrutura, segurança jurídica e incentivos compõem ambiente de negócios
Além das condições naturais, o governo estadual aponta investimentos em infraestrutura elétrica e logística, segurança jurídica para implantação de empreendimentos e incentivos fiscais como fatores que fortalecem o ambiente de negócios.
A estratégia da SDE busca transformar a liderança na geração renovável em um processo mais amplo de desenvolvimento econômico. O desafio indicado pela pasta é fazer com que a Bahia avance da condição de grande produtora de energia limpa para a de polo industrial e tecnológico da transição energética.
Esse movimento envolve atração de empresas, instalação de centros produtivos, ampliação de cadeias locais de fornecedores e formação de mão de obra qualificada. A pauta energética, portanto, deixa de se restringir à geração de eletricidade e passa a ser tratada como eixo de desenvolvimento regional.
Interiorização das renováveis muda dinâmica econômica regional
A expansão das energias renováveis transformou o interior baiano em um novo eixo de desenvolvimento. Aproximadamente 60% da potência renovável instalada no estado está concentrada na geração eólica, totalmente localizada em municípios do interior.
Na energia solar fotovoltaica, cerca de 80% dos empreendimentos de geração centralizada estão no Semiárido, região historicamente marcada por limitações hídricas, baixa industrialização e dependência de atividades tradicionais.
Esse deslocamento territorial da produção energética tem impacto direto sobre municípios que antes ocupavam posição periférica na economia estadual. Parques eólicos e solares movimentam atividades de construção civil, serviços técnicos, transporte, manutenção, hospedagem, alimentação e comércio local.
Estudo aponta impacto de parques eólicos no PIB e no IDH
Segundo estudo da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) citado pela SDE, municípios com parques eólicos registraram crescimento médio 21% maior no PIB real e aumento de 20% no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em comparação com cidades vizinhas sem os empreendimentos.
Outro efeito econômico destacado é o modelo de arrendamento de terras. Famílias rurais recebem pagamentos pela instalação de turbinas em suas propriedades, o que amplia a renda local e pode fortalecer comércio e serviços nos municípios onde os projetos estão instalados.
A expansão das renováveis também gera novas ocupações em regiões com menor tradição industrial. Dados atribuídos à ABEEólica indicam que a energia eólica cria cerca de 11 postos de trabalho por MW instalado. Já a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) estima média de 30 empregos por MW ao ano na cadeia solar fotovoltaica.
Cadeia produtiva avança com empresas globais e polos industriais
A Bahia também busca consolidar uma cadeia produtiva associada à nova economia verde. O estado tem atraído empresas nacionais e internacionais, além de firmar protocolos de intenções para novos investimentos.
Um dos principais exemplos citados é a BYD, empresa chinesa líder mundial na produção de veículos elétricos, que implantou um complexo industrial em Camaçari. A presença da companhia reforça a tentativa de reposicionar o antigo polo automotivo baiano em torno da eletrificação, da mobilidade sustentável e de novas tecnologias industriais.
No setor eólico, empresas como Goldwind, Sinoma Blade, Arctech e Windey instalaram operações ou centros de pesquisa no estado, ampliando a presença de players globais no território baiano. A expectativa do governo é que esses investimentos fortaleçam o polo industrial, gerem empregos qualificados e criem maior integração entre geração energética, produção de equipamentos e inovação tecnológica.
Hidrogênio verde e combustíveis sustentáveis ampliam agenda energética
Além da liderança em eólica e solar, a Bahia avança em segmentos considerados estratégicos para a transição energética. Entre eles está o hidrogênio verde, área em que o estado já desenvolve projetos e protocolos de intenção.
A SDE cita o protocolo firmado com a GoVerde Energia para produção de metanol verde e amônia verde, dois insumos com potencial de uso industrial, químico, logístico e energético.
Também estão em expansão investimentos em biodiesel, etanol de milho, combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e HVO, combustível renovável derivado de óleos vegetais ou resíduos. Esses segmentos ampliam a diversificação energética e aproximam a Bahia de cadeias globais de descarbonização.
Novas linhas de transmissão devem abrir ciclo entre 2027 e 2030
Para a SDE, o próximo ciclo de expansão energética dependerá da integração entre geração renovável, infraestrutura de transmissão, inovação e demanda industrial.
A expectativa apresentada pela secretaria é que, entre 2027 e 2030, a entrada em operação de novas linhas de transmissão e o crescimento da demanda por datacenters e indústrias eletrointensivas impulsionem uma nova fase do setor energético baiano.
Essa previsão indica que o gargalo da expansão não está apenas na capacidade de geração, mas também na possibilidade de escoamento, armazenamento, consumo industrial e conexão com novas cadeias produtivas. Sem infraestrutura suficiente, a energia renovável pode encontrar limites para se converter em desenvolvimento econômico permanente.








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