Salvador, quinta-feira, 14/05/2026 — A Bahia já registra 10.491 casos de violações contra mulheres em 2026, segundo dados atribuídos ao Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). O número representa crescimento de 14,53% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 9.160 registros. O levantamento coloca Salvador no centro da crise, com 4.044 casos, enquanto Feira de Santana aparece como o segundo município baiano com maior volume de ocorrências, com 583 registros. O painel oficial da ONDH reúne dados de denúncias de violações de direitos humanos recebidas pelos canais federais, como o Disque 100 e o Ligue 180.
Bahia registra alta nas violações contra mulheres
Os dados informados apontam que a Bahia ultrapassou a marca de 10 mil violações contra mulheres ainda nos primeiros meses de 2026. O conceito de violação utilizado pelo MDHC abrange fatos que atentem contra os direitos humanos da vítima, incluindo maus-tratos, exploração sexual, tráfico de pessoas, violência doméstica, ameaças, negligência e outras formas de agressão ou abuso.
Do total de 10.491 casos registrados, foram efetivados 1.274 protocolos de denúncia. A distinção é relevante: um protocolo corresponde ao registro feito pelo cidadão junto à Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos e pode conter uma ou mais denúncias ou violações associadas. Portanto, o número de violações pode ser superior ao total de protocolos formalizados.
A comparação com 2025 evidencia avanço dos registros. Nos cinco primeiros meses do ano passado, a Bahia havia contabilizado 9.160 casos. Em 2026, o crescimento informado de 14,53% indica persistência de um quadro grave, especialmente em grandes centros urbanos e municípios-polo, onde a rede de atendimento tende a concentrar mais notificações e registros.
Salvador lidera ranking estadual de violações contra mulheres
Salvador é o município baiano com o maior número de casos registrados em 2026. A capital soma 4.044 violações contra mulheres, volume que representa a maior concentração estadual informada no levantamento. A posição da capital reflete, em parte, seu peso populacional, a maior presença de serviços públicos, unidades especializadas e canais de encaminhamento, mas também revela a dimensão da violência de gênero no maior centro urbano da Bahia.
A capital possui Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher em regiões estratégicas, como Brotas e Periperi, além de serviços vinculados à rede estadual de proteção. Ainda assim, o número elevado mostra que a existência de canais institucionais não elimina a necessidade de prevenção, acompanhamento social, responsabilização dos agressores e ampliação do acesso das vítimas à proteção.
Em contexto estadual, Salvador também funciona como referência para atendimento de casos vindos de outros municípios. Essa centralidade institucional exige integração entre segurança pública, assistência social, saúde, Ministério Público, Judiciário e políticas municipais de proteção à mulher.
Feira de Santana aparece como segunda cidade com mais registros
Feira de Santana aparece em segundo lugar entre os municípios baianos com mais casos de violações contra mulheres em 2026, com 583 registros. O dado coloca o município em posição de destaque no mapa estadual da violência de gênero, especialmente por sua função regional como polo urbano, econômico, logístico e de serviços no interior da Bahia.
A presença de Feira de Santana no topo do levantamento indica que o problema não está restrito à capital. Municípios de grande porte do interior enfrentam desafios próprios, como expansão urbana, desigualdade social, pressão sobre os serviços públicos, subnotificação em áreas periféricas e dificuldade de acesso rápido a canais especializados de proteção.
A posição de Feira de Santana reforça a necessidade de políticas territoriais permanentes. Campanhas de conscientização, fortalecimento da rede de atendimento, integração entre órgãos de segurança e assistência e ampliação da orientação jurídica são medidas essenciais para reduzir a reincidência e proteger mulheres em situação de risco.
Municípios baianos com mais registros em 2026
Além de Salvador e Feira de Santana, o levantamento apresenta outros municípios com números expressivos de violações contra mulheres. A lista evidencia a disseminação do problema em diferentes regiões do estado:
- Salvador: 4.044 casos
- Feira de Santana: 583 casos
- Vitória da Conquista: 378 casos
- Camaçari: 265 casos
- Prado: 165 casos
- Porto Seguro: 142 casos
- Juazeiro: 125 casos
- Itabuna: 116 casos
Os dados indicam concentração em grandes centros urbanos, municípios turísticos, polos regionais e cidades com forte circulação econômica. Essa distribuição demonstra que a violência contra a mulher combina fatores sociais, familiares, culturais, econômicos e institucionais, exigindo respostas articuladas entre União, Estado e municípios.
Violência contra mulheres permanece em nível crítico no Brasil
O material enviado também cita levantamentos do DataSenado, da Rede de Observatórios da Segurança e do Ministério da Justiça, referentes ao período de 2025 e 2026, segundo os quais a violência contra a mulher no Brasil permanece em patamar crítico. O cenário inclui média nacional de 12 mulheres vítimas de algum tipo de violência a cada 24 horas e cerca de quatro feminicídios diários, conforme os dados mencionados.
Mais de 60% dos casos ocorreriam dentro de casa, o que reforça uma característica recorrente da violência doméstica e familiar: a vítima muitas vezes convive com o agressor ou depende de redes próximas para conseguir romper o ciclo de violência. O material também aponta crescimento de 56,6% na violência sexual, com impacto majoritário sobre crianças e adolescentes.
A interpretação desses dados exige cautela metodológica, pois levantamentos de diferentes órgãos podem usar critérios, bases e períodos distintos. Ainda assim, a convergência dos indicadores confirma uma realidade institucionalmente conhecida: a violência contra mulheres permanece como problema estrutural de segurança pública, direitos humanos, saúde e justiça.
Especialista defende denúncia e proteção imediata das vítimas
A coordenadora do curso de Direito da Faculdade Unime Anhanguera, Ma. Sabrine Silva Kauss, afirma que denunciar qualquer tipo de violência é essencial para permitir a atuação imediata das autoridades, proteger a vítima e garantir a responsabilização dos agressores.
Segundo a especialista, a denúncia pode permitir a adoção de medidas protetivas, encaminhamento a abrigos seguros, acesso a assistência jurídica, apoio psicológico e acompanhamento por serviços públicos especializados. Ela também destaca que o ato de denunciar contribui para ampliar a conscientização social sobre violência doméstica e violência de gênero.
Sabrine Silva Kauss afirma que a denúncia pública ajuda a combater mitos e estigmas associados ao tema. Para ela, dar visibilidade ao problema fortalece a cobrança por mudanças nas leis, nas políticas públicas e nas práticas sociais voltadas à prevenção e ao enfrentamento da violência.
Canais de denúncia e atendimento às mulheres
Mulheres em situação de risco podem acionar canais públicos de emergência e denúncia. Em caso de perigo imediato, o número 190 deve ser utilizado para contato com a Polícia Militar. O Ligue 180 é o canal nacional de atendimento à mulher, voltado à orientação, acolhimento e encaminhamento de denúncias. A Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos informa que denúncias de violações podem ser registradas por canais como telefone, internet, WhatsApp e Telegram, com atendimento permanente.
As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams) atuam na prevenção, apuração, investigação e enquadramento legal de crimes relacionados à violência contra mulheres. Nessas unidades, é possível solicitar medidas protetivas de urgência em casos de violência doméstica e familiar.
Na Bahia, segundo o material fornecido, há 15 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e sete Núcleos Especializados de Atendimento à Mulher, além da Deam Online, com funcionamento 24 horas para registro de ocorrências e atendimento. Em Salvador, as unidades citadas ficam na Rua Padre Luís Filgueiras, em Brotas, e na Rua Dr. Walter Almeida, em Periperi.









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