A personal trainer e ultramaratonista baiana Luise Borges concluiu neste inicio de maio de 2026 uma das jornadas mais seletivas do esporte de endurance ao cruzar a linha de chegada da Maratona de Boston e completar as seis provas do circuito Abbott World Marathon Majors, formado pelas maratonas de Tóquio, Boston, Londres, Berlim, Chicago e Nova York. Com o resultado, a atleta recebeu a Six Star Medal, conhecida entre corredores como “mandala”, e passou a integrar um grupo estimado em menos de 0,05% dos corredores brasileiros, marca que reforça a relevância esportiva da conquista.
Completar uma maratona já exige preparação física, resistência mental e disciplina prolongada. Finalizar as seis maiores maratonas do planeta, no entanto, representa um patamar ainda mais restrito, reservado a atletas que conseguem conciliar performance, planejamento, regularidade e capacidade de adaptação a provas realizadas em diferentes países, climas, percursos e níveis de exigência.
Segundo dados atribuídos à Abbott World Marathon Majors, pouco mais de 23 mil corredores no mundo haviam recebido a Six Star Medal até 2025, em um universo de dezenas de milhões de praticantes de corrida. Esse número representa algo próximo de 0,001% a 0,002% dos corredores globais, o que situa a conquista em uma faixa de alta raridade no esporte internacional.
No Brasil, a estimativa é de que cerca de 700 corredores tenham obtido a mandala. Nesse recorte, Luise Borges passa a figurar entre menos de 0,05% dos corredores brasileiros que completaram o circuito. Quando considerada a participação feminina no endurance de longa distância, historicamente marcado por maior presença masculina, o feito ganha dimensão ainda mais expressiva.
Luise Borges conclui circuito das seis maiores maratonas do mundo
A conquista de Luise Borges foi consolidada na Maratona de Boston, uma das provas mais tradicionais e simbólicas do calendário internacional. A corrida integra o circuito das World Marathon Majors e é reconhecida pela exigência técnica, pelo peso histórico e pelo sistema de qualificação aplicado à maior parte dos participantes.
“Mais do que completar provas, essa conquista representa anos de disciplina, renúncia, constância e amor pelo processo. A corrida transformou a minha vida e me ensinou muito sobre resistência emocional, fé e persistência. Cruzar a linha de chegada em Boston foi entender que todo esforço valeu a pena”, afirmou Luise.
A Six Star Medal é concedida aos atletas que completam as seis maratonas que compõem o circuito Abbott World Marathon Majors. A lista reúne provas realizadas em Tóquio, Boston, Londres, Berlim, Chicago e Nova York, consideradas referências globais pela organização, tradição, participação internacional e nível competitivo.
Maratona de Boston ampliou o simbolismo da conquista
Entre as seis provas, Boston ocupa posição singular. Fundada em 1897, a maratona é a mais antiga entre as Majors e uma das mais respeitadas do mundo. Para a maior parte dos inscritos, a participação depende da obtenção de um índice classificatório oficial, conhecido como Boston Qualifier (BQ), o que transforma a largada em um objetivo competitivo próprio.
“Boston tem uma energia diferente. Você sente o peso da história, da tradição e da importância daquela prova para o universo da corrida. Fechar a mandala ali tornou tudo ainda mais especial”, destacou a atleta baiana.
O encerramento do circuito em Boston adiciona um componente simbólico à trajetória de Luise Borges. Além de representar o cumprimento de um ciclo esportivo internacional, a prova reforça a ligação entre tradição, mérito técnico e persistência, elementos centrais na cultura das maratonas de longa distância.
Atleta baiana também atua na formação de corredores em Salvador
Com dez maratonas concluídas e uma ultramaratona de 52 quilômetros no currículo, Luise Borges consolida uma trajetória que combina prática esportiva de alto rendimento, atuação profissional e orientação técnica. Em Salvador, ela lidera o BORJ — Centro de Treinamento & Performance, espaço voltado para treinamento integrado, corrida, mobilidade e fortalecimento físico.
A atuação da atleta ultrapassa a dimensão individual da performance. Como personal trainer, Luise trabalha com preparação física, prevenção de lesões e longevidade esportiva, áreas cada vez mais relevantes diante do crescimento da corrida de rua como prática associada à saúde, à qualidade de vida e ao envelhecimento ativo.
A conquista da mandala, nesse contexto, funciona também como referência para atletas amadores e praticantes que buscam regularidade no esporte. O resultado demonstra que o desempenho em corridas de longa distância depende de planejamento, continuidade, fortalecimento muscular, recuperação adequada e maturidade emocional.
Corrida ganha espaço como ferramenta de saúde e transformação
A trajetória de Luise Borges reflete uma tendência observada no universo da corrida: a ampliação do esporte para além da busca por tempos e resultados. A modalidade tem sido cada vez mais associada à construção de hábitos saudáveis, ao equilíbrio emocional, à sociabilidade e à prevenção de problemas decorrentes do sedentarismo.
“Eu nunca enxerguei a corrida apenas como performance. Para mim, ela sempre foi sobre construção, saúde e permanência. Sobre preparar o corpo e a mente para viver melhor. A mandala chega como símbolo de tudo isso”, afirmou Luise.
A Six Star Medal, portanto, representa mais do que a conclusão de seis provas internacionais. No caso da atleta baiana, a conquista sintetiza uma trajetória marcada por disciplina, preparação, orientação técnica e compromisso com a permanência no esporte.
Principais dados da conquista
- Atleta: Luise Borges
- Origem: Bahia
- Atuação profissional: personal trainer e ultramaratonista
- Conquista: Six Star Medal, conhecida como mandala
- Circuito: Abbott World Marathon Majors
- Provas concluídas: Tóquio, Boston, Londres, Berlim, Chicago e Nova York
- Fechamento do circuito: Maratona de Boston
- Histórico esportivo: dez maratonas e uma ultramaratona de 52 quilômetros
- Estimativa no Brasil: cerca de 700 brasileiros com a mandala
- Recorte nacional: menos de 0,05% dos corredores brasileiros







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