Bem-estar animal ganha força no agronegócio brasileiro e passa a influenciar investimentos, crédito e exportações

O bem-estar animal passou a ocupar posição estratégica nas discussões sobre competitividade, acesso a mercados internacionais e atração de investimentos no agronegócio brasileiro. O tema foi debatido durante o Fórum Estratégico de Bem-Estar Animal – Alinhando Propósito, Mercado e Performance, realizado na quinta-feira (07/05/2026), em São Paulo (SP), reunindo lideranças do setor produtivo, especialistas em ESG e representantes do mercado financeiro.

O encontro destacou que práticas relacionadas ao bem-estar animal deixaram de ser apenas exigências técnicas e passaram a integrar critérios de governança, gestão de risco e sustentabilidade considerados por investidores e compradores internacionais. O evento foi promovido pela Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (COBEA) e pela certificação Produtor do Bem.

Durante a abertura, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Luís Rua, afirmou que o cenário global exige que o Brasil amplie sua reputação internacional além da competitividade baseada em preço.

Mercado internacional amplia exigências sobre produção animal

Segundo Luís Rua, o agronegócio brasileiro enfrenta um ambiente comercial em que fatores técnicos, ambientais e de governança passaram a influenciar diretamente as negociações internacionais.

O representante do MAPA destacou que o Brasil precisa fortalecer sua imagem internacional como produtor alinhado a normas de sustentabilidade e responsabilidade produtiva. Ele afirmou ainda que o país possui regras consideradas mais rígidas que padrões adotados em outros mercados internacionais.

A diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal, Sula Alves, reforçou que a posição do Brasil entre os maiores produtores mundiais amplia as responsabilidades do setor em relação às práticas de produção.

Segundo ela, a integração entre ciência, sustentabilidade e planejamento estratégico é considerada essencial para garantir a continuidade do crescimento da cadeia de proteína animal brasileira.

Bem-estar animal passa a integrar análise de crédito e gestão de risco

O fórum também discutiu a relação entre sustentabilidade e mercado financeiro. A head de Riscos Socioambientais do Santander, Silvia Chicarino, afirmou que instituições financeiras já utilizam indicadores ligados ao bem-estar animal na avaliação de clientes e operações de crédito.

De acordo com a executiva, os dados relacionados às práticas socioambientais passaram a ser considerados indicadores de maturidade empresarial e capacidade de adaptação às novas demandas do mercado global.

O docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Celso Funcia Lemme, destacou que a inovação ligada à sustentabilidade passou a representar fator de permanência competitiva para empresas do setor agropecuário.

Na mesma linha, o sócio da ABC Associados, Aron Belinky, afirmou que empresas alinhadas a práticas sustentáveis apresentam maior capacidade de geração de resultados e adaptação a mudanças regulatórias e mercadológicas.

Certificações e auditorias ganham relevância no setor

O analista de ESG da Régia Capital, Bruno Bernardo, afirmou que investidores e instituições financeiras passaram a exigir processos mais rigorosos de auditoria, rastreabilidade e controle produtivo.

Segundo ele, o uso racional de antibióticos, certificações externas e mecanismos de monitoramento já fazem parte das análises realizadas para concessão de capital e avaliação de risco no setor agropecuário.

O debate também destacou a necessidade de adaptação das normas internacionais à realidade brasileira. A diretora de Sustentabilidade da Seara, Sheila Guebara, afirmou que as práticas devem considerar características regionais, fatores climáticos e aspectos produtivos locais.

Ela destacou que um dos principais desafios está relacionado ao financiamento das transições necessárias para implementação das mudanças exigidas pelo mercado internacional.

Consumidor amplia demanda por transparência e sustentabilidade

O consultor em agronegócio e sustentabilidade Fabricio Delgado afirmou que o comportamento do consumidor passou a influenciar diretamente as estratégias da cadeia produtiva.

Segundo ele, o público consumidor busca produtos associados a atributos como sustentabilidade, qualidade e responsabilidade na produção animal, ampliando a pressão por transparência nas cadeias de abastecimento.

O diretor global de Sustentabilidade e Relações Governamentais da MBRF, Paulo Pianez, destacou que fatores ligados ao bem-estar animal passaram a funcionar como diferencial competitivo no setor de alimentos.

Já o head de Negócio de Ovos da AB Mauri, Vitor Oliveira, apontou que o aumento de custos decorrente das adaptações ainda representa desafio para parte da cadeia produtiva.

COBEA defende ação conjunta e visão estratégica para o setor

A diretora-executiva da Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal, Elisa Tjarnstrom, afirmou que o Brasil possui potencial de influência global devido à posição de destaque na produção de proteína animal.

Segundo ela, o bem-estar animal deixou de ser apenas uma pauta técnica e passou a integrar estratégias empresariais relacionadas à competitividade e posicionamento internacional.

O diretor-executivo da certificadora Produtor do Bem, José Rodolfo Ciocca, afirmou que o principal objetivo do fórum foi aproximar produtores rurais, investidores e representantes da cadeia produtiva em torno de uma agenda comum.

Representantes do setor defenderam que práticas ligadas ao bem-estar animal podem ampliar o acesso do Brasil a mercados internacionais mais exigentes e fortalecer a reputação do agronegócio brasileiro no exterior.


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