Congresso da FIFA destaca Copa do Mundo de 2026, combate ao racismo e prevê receita recorde de US$ 14 bilhões

O 76º Congresso da FIFA, realizado na quinta-feira (30/04/2026) em Vancouver, no Canadá, destacou a Copa do Mundo da FIFA de 2026, que será disputada na América do Norte, como instrumento de aproximação entre países, torcedores e culturas, ao mesmo tempo em que renovou o compromisso da entidade com a erradicação do racismo no futebol. O encontro também aprovou o Relatório Anual da FIFA 2025, apresentou projeção de receita recorde de US$ 14 bilhões para o ciclo 2027-2030, confirmou avanços no Programa FIFA Forward e registrou a intenção do presidente Gianni Infantino de disputar a reeleição em 2027.

Congresso da FIFA em Vancouver reforça discurso de união antes da Copa de 2026

O encontro em Vancouver foi o segundo Congresso da FIFA realizado no Canadá, depois da edição sediada em Montreal, em 1976. A abertura contou com discurso do presidente da Concacaf, Victor Montagliani, e apresentação do presidente da Associação Canadense de Futebol, Peter Augruso.

A escolha do Canadá como sede do congresso teve simbolismo adicional pela proximidade da Copa do Mundo de 2026, que será organizada por Estados Unidos, Canadá e México. O torneio terá papel central na estratégia institucional da FIFA de apresentar o futebol como espaço de integração internacional, em meio a tensões políticas, conflitos diplomáticos e crises geopolíticas.

No discurso de abertura, Gianni Infantino afirmou que o futebol deve funcionar como ponte em um mundo marcado por divisões. O presidente da FIFA citou diretamente a participação do Irã na Copa do Mundo de 2026 e afirmou que a seleção iraniana jogará nos Estados Unidos, defendendo que a competição seja tratada como ambiente de convivência, respeito e aproximação entre povos.

Infantino defende futebol como instrumento de paz e convivência internacional

A mensagem central do congresso foi construída em torno da ideia de que a FIFA e a Copa do Mundo devem funcionar como plataformas de união global. Infantino afirmou que a entidade tem responsabilidade institucional de promover aproximação entre países, dirigentes, atletas e torcedores.

A fala ocorre em um contexto no qual grandes competições esportivas têm sido pressionadas por temas externos ao campo, como conflitos armados, sanções internacionais, tensões migratórias, disputas identitárias e acusações de discriminação. Ao defender a presença de seleções de países em tensão diplomática, a FIFA buscou reafirmar o princípio de universalidade do futebol.

O discurso, porém, também evidencia um desafio recorrente para entidades esportivas globais: conciliar neutralidade institucional, interesses comerciais, direitos humanos e pressões políticas. A Copa de 2026, por sua dimensão inédita e por ocorrer em três países, tende a ampliar essa exposição.

FIFA apresenta avanços no combate ao racismo no futebol

Medidas institucionais foram adotadas após decisão aprovada em 2024

O Congresso também apresentou uma atualização sobre a Posição Global contra o Racismo, aprovada por unanimidade no 74º Congresso da FIFA, realizado em Bangkok, na Tailândia, em maio de 2024. Segundo o conteúdo apresentado, desde aquela decisão a entidade adotou medidas para fortalecer sua atuação disciplinar, educativa e preventiva contra manifestações racistas no futebol.

Entre as iniciativas citadas estão a alteração do Código Disciplinar da FIFA, a presença do gesto “Não ao Racismo” em todos os torneios da entidade, a expansão de recursos educacionais e a atuação do Painel de Voz dos Jogadores, formado por representantes das seis confederações.

A FIFA também informou que mais de 12 mil indivíduos e mais de 570 equipes foram protegidos pelo Serviço de Proteção de Mídias Sociais da FIFA, ferramenta voltada ao enfrentamento de abusos, discriminação e ataques racistas em plataformas digitais.

George Weah defende mobilização mais ampla contra a discriminação racial

O ex-jogador e ex-presidente da Libéria George Weah, capitão honorário do painel, enviou mensagem em vídeo na qual defendeu que a mobilização contra o racismo alcance de forma mais profunda as comunidades em todo o mundo. Ele classificou o racismo como uma “doença” e reforçou a necessidade de conscientização sobre os impactos negativos da discriminação racial.

A participação de Weah acrescenta peso simbólico à iniciativa, por sua trajetória como atleta africano de projeção internacional e figura pública com atuação política. Sua fala reforça a tentativa da FIFA de vincular o combate ao racismo não apenas à punição de episódios isolados, mas também à formação cultural e educativa.

Apesar dos avanços apresentados, a própria entidade reconheceu que ainda existem desafios. Essa ressalva é relevante porque episódios de discriminação racial em estádios, redes sociais e ambientes esportivos continuam a representar um dos principais problemas de credibilidade do futebol profissional.

Congresso aprova relatório anual e orçamento com receita recorde

O Congresso da FIFA aprovou o Relatório Anual da FIFA 2025, incluindo o orçamento para o ciclo 2027-2030, com previsão de receita recorde de US$ 14 bilhões. Segundo a entidade, esse montante permitirá ampliar o reinvestimento no desenvolvimento do futebol mundial.

A FIFA informou que as 211 Associações Membro terão direito a financiamento para projetos de desenvolvimento. O texto destaca que o volume destinado ao Programa FIFA Forward alcançará US$ 2,7 bilhões, valor apresentado como oito vezes superior ao nível dos programas existentes antes de 2016.

Infantino afirmou que, nos últimos dez anos, a FIFA investiu US$ 5 bilhões no desenvolvimento do futebol. Para o próximo ciclo, o presidente sustentou que os US$ 2,7 bilhões previstos para o FIFA Forward representam apenas o ponto de partida da política de investimentos da entidade.

FIFA Forward ganha centralidade na estratégia de desenvolvimento global

O FIFA Forward é apresentado pela entidade como um dos principais instrumentos de redistribuição de recursos para federações nacionais, projetos de infraestrutura, programas de base, futebol feminino, formação técnica e fortalecimento institucional das associações filiadas.

A ampliação dos investimentos indica que a FIFA pretende consolidar sua posição não apenas como organizadora de competições, mas também como financiadora direta da expansão do futebol em mercados emergentes e países com menor capacidade econômica.

Essa estratégia tem impacto político interno. Ao direcionar recursos às 211 associações nacionais, a FIFA reforça laços com federações que também compõem a base eleitoral da entidade. Em ano pré-eleitoral, a expansão do programa torna-se um elemento relevante no ambiente institucional que antecede o Congresso de 2027.

Palestina e Israel fazem declarações no Congresso da FIFA

O Congresso também ouviu declarações da Associação Palestina de Futebol (PFA) e da Associação Israelense de Futebol (IFA). Durante a sessão, Infantino prestou homenagem às vítimas inocentes da violência na região e insistiu na importância de usar o futebol como instrumento de construção de pontes.

A proposta original apresentada pela PFA no 74º Congresso da FIFA foi encaminhada às instâncias competentes da entidade. No discurso, Infantino afirmou que as duas federações possuem os mesmos direitos: organizar o futebol em seus respectivos territórios, representar seus países no cenário internacional e formar novas gerações com base no amor ao futebol e no respeito mútuo.

O tema é sensível porque envolve a interseção entre esporte, soberania, conflito territorial e direitos institucionais. Ao tratar a questão pelas instâncias formais da entidade, a FIFA buscou preservar o rito administrativo e evitar uma deliberação política direta em plenário.

Infantino confirma intenção de disputar reeleição em 2027

O presidente da FIFA declarou sua intenção de concorrer à reeleição em 2027. O evento eleitoral ocorrerá no 77º Congresso da FIFA, confirmado para quinta-feira, 18 de março de 2027, em Rabat, no Marrocos.

Antes disso, a FIFA realizará um Congresso Extraordinário virtual, marcado para segunda-feira, 23 de novembro de 2026, com o objetivo de definir as sedes das edições de 2031 e 2035 da Copa do Mundo Feminina da FIFA.

A confirmação da intenção de candidatura ocorre em um momento de forte expansão financeira da entidade, com a Copa de 2026 no horizonte, aumento de receitas projetadas e ampliação do FIFA Forward. Esses fatores tendem a compor o eixo central da narrativa institucional de Infantino no ciclo eleitoral.

Principais pontos do Congresso da FIFA

  • 76º Congresso da FIFA foi realizado em Vancouver, no Canadá, em 30 de abril de 2026.
  • Entidade destacou a Copa do Mundo de 2026 como instrumento de união global.
  • FIFA reafirmou compromisso com a erradicação do racismo no futebol.
  • Mais de 12 mil indivíduos e 570 equipes foram protegidos por ferramenta de proteção em redes sociais.
  • Congresso aprovou orçamento 2027-2030, com previsão de US$ 14 bilhões em receita.
  • Programa FIFA Forward deverá alcançar US$ 2,7 bilhões em investimentos.
  • Palestina e Israel fizeram declarações no congresso.
  • Gianni Infantino anunciou intenção de disputar a reeleição em 2027.

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