Em Salvador, nesta terça-feira (12/05/2026), o deputado estadual Angelo Almeida (PT) reagiu às declarações atribuídas ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) sobre a postura do governador Jerônimo Rodrigues (PT) em debates públicos e afirmou que o histórico de ausência em confrontos eleitorais pertence ao próprio ex-gestor da capital baiana. A manifestação do parlamentar retoma episódios da eleição de 2022 para o Governo da Bahia, quando ACM Neto deixou de participar de debates no primeiro turno, e amplia o embate político ao mencionar a Operação Overclean, a composição partidária do União Brasil e promessas feitas a aliados como José Ronaldo e Marcelo Nilo.
Deputado rebate crítica de ACM Neto a Jerônimo Rodrigues
Angelo Almeida afirmou que ACM Neto teria adotado uma postura de “amnésia conveniente” ao acusar Jerônimo Rodrigues de evitar debates. Segundo o parlamentar petista, o ex-prefeito de Salvador deixou de comparecer a debates no primeiro turno da eleição estadual de 2022 por avaliar, à época, que já teria vantagem suficiente para vencer a disputa.
“Quem tem histórico de fujão de debate é ACM Neto. Será que ele esqueceu que se ausentou de todos os debates no primeiro turno das eleições de 2022 na triste ilusão de que já teria vencido a eleição?”, declarou o deputado estadual.
O confronto verbal ocorre em um ambiente de antecipação da disputa estadual de 2026, no qual governo e oposição buscam fixar narrativas sobre liderança, capacidade de gestão e disposição para o debate público. A discussão sobre participação em debates eleitorais, embora formalmente vinculada ao calendário de campanha, tornou-se instrumento de disputa política antes mesmo da oficialização das candidaturas.
Ausências em debates de 2022 voltam ao centro da disputa
O argumento de Angelo Almeida se apoia em episódios registrados durante a campanha de 2022. No primeiro debate promovido pela Band Bahia e BandNews FM Salvador, em agosto daquele ano, ACM Neto não compareceu, tornando-se um dos focos das críticas dos adversários. À época, a ausência do então candidato do União Brasil foi destacada como fato político relevante no início da campanha majoritária estadual.
Outro episódio ocorreu no debate da TVE Bahia, previsto para setembro de 2022. Segundo registro da imprensa local, a emissora informou que ACM Neto havia sido convidado, mas comunicou que não participaria do encontro. A ausência também gerou críticas dos adversários durante o programa.
No fim do primeiro turno, porém, ACM Neto participou do debate da TV Bahia/G1 Bahia, ao lado de Jerônimo Rodrigues, João Roma e Kleber Rosa. O registro da Rede Bahia mostra a presença dos quatro candidatos no encontro eleitoral, realizado antes da votação de primeiro turno.
Angelo Almeida associa postura de ACM Neto à derrota de 2022
Na avaliação do deputado petista, ACM Neto teria comparecido ao debate do segundo turno apenas em uma tentativa de reverter o resultado desfavorável do primeiro turno. A declaração retoma a leitura política de que a campanha de 2022 mudou de dinâmica após Jerônimo Rodrigues chegar ao segundo turno em posição competitiva e, posteriormente, vencer a disputa pelo Governo da Bahia.
Almeida afirmou que ACM Neto “até hoje não digeriu” a vitória de Jerônimo Rodrigues e sustentou que o governador administra o estado com foco na população baiana. O parlamentar também citou indicadores sociais, ao dizer que, sob a atual gestão, a desigualdade social teria sido reduzida na Bahia e o estado estaria entre aqueles com menores níveis do país.
Essa afirmação, embora politicamente relevante, exige tratamento técnico em reportagem. Indicadores de desigualdade dependem de séries estatísticas, metodologia, ano-base e fonte oficial, como IBGE, PNAD Contínua ou órgãos estaduais de planejamento. O conteúdo fornecido não apresenta a base numérica usada por Angelo Almeida, razão pela qual a declaração deve ser registrada como posição política do deputado, e não como conclusão estatística autônoma.
Operação Overclean é usada como ponto de pressão contra União Brasil
O deputado estadual também ampliou a crítica ao mencionar o chamado “rei do lixo”, apontado em investigações relacionadas à Operação Overclean. Angelo Almeida afirmou que ACM Neto não recordaria que teria colocado o investigado na Executiva Nacional do União Brasil e questionou a razão da escolha.
A Operação Overclean apura suspeitas de desvios de recursos públicos, fraudes em licitações e irregularidades envolvendo contratos, inclusive em municípios da Bahia. A Polícia Federal informou, em fases da investigação, o cumprimento de mandados em ações conjuntas com órgãos como CGU e Receita Federal.
Reportagens nacionais identificam José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, como alvo da investigação e apontam que ele é suspeito de ter papel central em suposto esquema envolvendo verbas públicas e contratos. A defesa dos investigados deve ser considerada em qualquer cobertura aprofundada, e as apurações devem respeitar a presunção de inocência até eventual condenação definitiva.
Relação com José Ronaldo e Marcelo Nilo é citada pelo parlamentar
Angelo Almeida também afirmou que ACM Neto teria prometido, em 2022, espaço na chapa majoritária ao prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, e ao deputado Marcelo Nilo. Segundo o parlamentar petista, ambos teriam sido deixados de fora da composição eleitoral daquele ano.
A crítica busca associar a estratégia de ACM Neto a uma postura de conveniência política, especialmente diante da reaproximação com lideranças que podem ter peso regional nas eleições de 2026. No caso de José Ronaldo, o peso eleitoral em Feira de Santana torna o prefeito um ator relevante em qualquer composição estadual. Já Marcelo Nilo, ex-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, possui trajetória extensa na política baiana.
O texto fornecido não apresenta resposta de ACM Neto, do União Brasil, de José Ronaldo ou de Marcelo Nilo às declarações de Angelo Almeida. Por critério jornalístico, a eventual manifestação dos citados deve ser incorporada em atualização posterior, caso seja encaminhada.
Embate antecipa a disputa pelo Governo da Bahia em 2026
A fala de Angelo Almeida ocorre em um momento de reorganização das forças políticas baianas para a eleição estadual de 2026. De um lado, aliados de Jerônimo Rodrigues procuram associar ACM Neto à derrota de 2022 e a episódios considerados contraditórios em sua trajetória recente. De outro, a oposição tenta reposicionar o ex-prefeito de Salvador como principal nome competitivo contra o grupo governista.
A disputa em torno dos debates tem valor simbólico porque trata de exposição pública, confronto de propostas e capacidade de responder a críticas em ambiente aberto. Para o eleitorado, debates podem funcionar como instrumento de comparação entre candidatos, embora sua influência varie conforme o momento da campanha, a audiência e o grau de cristalização das preferências eleitorais.
Ao retomar as ausências de ACM Neto em 2022, Angelo Almeida tenta inverter a acusação feita contra Jerônimo Rodrigues e transferir o ônus político para o ex-prefeito de Salvador. A estratégia é comum em pré-campanhas: antes da disputa formal, os grupos políticos buscam fixar rótulos, explorar vulnerabilidades e condicionar a leitura pública sobre os adversários.











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