Deputado Daniel Almeida contrapõe PGP de Jerônimo a propostas de ACM Neto e acirra disputa política na Bahia

O deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA) afirmou nesta segunda-feira (18/05/2026) que a principal diferença entre o projeto político liderado pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) e a pré-candidatura do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) está no método de elaboração das propostas para a Bahia. Segundo o parlamentar, enquanto o grupo governista organiza encontros do Programa de Governo Participativo (PGP) para ouvir demandas dos 27 territórios de identidade do estado, a oposição estaria formulando propostas “de gabinete”, sem a mesma conexão com a população. A declaração ocorre em meio à intensificação da disputa política baiana para as eleições de 2026 e à apresentação de etapas do PGP em municípios do interior.

Daniel Almeida defende escuta territorial como base do programa de Jerônimo

Daniel Almeida afirmou que o projeto político vinculado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao governador Jerônimo Rodrigues busca construir propostas a partir da escuta direta da população. Para o deputado, o diferencial do PGP estaria na coleta de demandas regionais, levando em consideração as diferentes realidades econômicas, sociais e territoriais da Bahia.

Segundo o parlamentar, o governo estadual pretende estruturar sua plataforma eleitoral por meio de reuniões com representantes locais, lideranças sociais, movimentos organizados, prefeitos, vereadores e moradores dos territórios de identidade. A metodologia, conforme defendem aliados de Jerônimo, seria uma forma de adaptar o programa de governo às especificidades de cada região.

“Nosso projeto, do presidente Lula e do governador Jerônimo, vai para a rua ouvir a população, escutar as demandas de cada região, com sua realidade econômica e social, para daí construirmos nosso Programa de Governo Participativo”, afirmou Daniel Almeida.

Deputado critica propostas atribuídas à oposição

Na avaliação de Daniel Almeida, ACM Neto estaria adotando uma estratégia oposta, baseada na formulação de propostas em ambientes fechados e distantes da população. O parlamentar classificou esse modelo como uma política “de gabinete”, associando-o a ideias que, segundo ele, não teriam ligação direta com as necessidades concretas do estado.

A crítica se insere em uma disputa narrativa mais ampla entre governo e oposição. De um lado, aliados de Jerônimo procuram associar o PGP à participação social e à interiorização do debate eleitoral. De outro, ACM Neto tenta consolidar sua pré-candidatura com discurso de alternância administrativa, articulação municipal e apresentação de propostas para áreas consideradas sensíveis, como segurança pública, desenvolvimento econômico e gestão estadual.

Em evento recente do PGP em Feira de Santana, parlamentares da base governista também defenderam a metodologia participativa e criticaram a estratégia da oposição. Segundo reportagem do Bahia Notícias, deputados ligados ao grupo de Jerônimo afirmaram que o programa busca ouvir movimentos sociais, sindicatos e representantes locais para formular soluções adequadas às particularidades regionais da Bahia.

Disputa envolve memória política e legado administrativo

Daniel Almeida também afirmou que o projeto oposicionista tenta se apresentar como renovação, mas, segundo ele, estaria associado a práticas políticas tradicionais. Para o deputado, a oposição buscaria desqualificar um projeto que, em sua avaliação, tem entregado políticas públicas relevantes, entre elas a ampliação de escolas de tempo integral no estado.

A fala do parlamentar reforça uma linha discursiva recorrente entre aliados de Jerônimo Rodrigues: a tentativa de vincular o atual governo a uma trajetória administrativa iniciada nas gestões de Jaques Wagner e Rui Costa, ambos do PT. Essa narrativa sustenta que a continuidade política teria permitido expansão de investimentos em educação, infraestrutura, saúde, desenvolvimento territorial e políticas sociais.

A oposição, por sua vez, procura explorar desgastes da administração estadual, especialmente em temas como segurança pública, desempenho econômico regional, eficiência dos serviços e necessidade de renovação no comando político da Bahia. A disputa entre continuidade e alternância tende a ocupar posição central no debate eleitoral de 2026.

Almeida associa ACM Neto a projeto familiar de poder

Ao ampliar a crítica, Daniel Almeida comparou a disputa estadual ao cenário nacional. Segundo ele, haveria no Brasil uma contraposição entre um projeto político nacional liderado por Lula e grupos familiares que buscariam preservar espaços de poder.

Lula tem um projeto para a nação e do outro lado tem uma família, que só pensa nos interesses pessoais, com ligações com as elites mais reacionárias do nosso país. E aqui na Bahia é a mesma coisa: um plano político de uma família, com um pré-candidato que se acha herdeiro da Bahia”, declarou.

A referência do deputado dialoga com uma discussão nacional sobre a presença de famílias tradicionais na política brasileira. Em abril de 2026, reportagem da Folha de S.Paulo apontou que clãs políticos buscam ampliar influência em disputas estaduais e nacionais, incluindo integrantes da família Bolsonaro e herdeiros de grupos políticos regionais.

PGP torna-se eixo da estratégia governista para 2026

O Programa de Governo Participativo tem sido apresentado por aliados de Jerônimo como instrumento de organização política e programática para a eleição estadual. A proposta é percorrer os territórios de identidade da Bahia, ouvir demandas locais e transformar contribuições em diretrizes de governo.

Na prática, o PGP cumpre dupla função. Do ponto de vista administrativo, permite levantar reivindicações regionais em áreas como educação, saúde, infraestrutura, segurança pública, geração de emprego, agricultura familiar e desenvolvimento econômico. Do ponto de vista político, oferece ao grupo governista uma agenda de mobilização territorial em ano eleitoral.

Em Feira de Santana, no dia 09/05/2026, a apresentação do terceiro PGP reuniu parlamentares e lideranças da base governista. Na ocasião, deputados defenderam que a escuta territorial seria uma marca do projeto de Jerônimo, em contraste com a estratégia atribuída a ACM Neto.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading