O líder do governo na Assembleia Legislativa da Bahia, deputado estadual Rosemberg Pinto, ironizou, na quarta-feira 27/05/2026, o lançamento do movimento “Sua Voz é a Nossa Voz”, anunciado por ACM Neto como iniciativa de escuta da população baiana antes da campanha eleitoral. A declaração ocorreu após a divulgação pública do projeto do ex-prefeito de Salvador, que, segundo veículos baianos, prevê encontros no interior, reuniões em Salvador e a intenção de alcançar os 417 municípios da Bahia.
Rosemberg Pinto classificou o movimento de ACM Neto como uma reação eleitoral ao avanço das agendas de escuta popular vinculadas ao grupo político do governador Jerônimo Rodrigues. Em tom de ironia, o deputado afirmou que o ex-prefeito tenta reproduzir, de forma tardia e improvisada, o modelo do Programa de Governo Participativo (PGP).
“Nosso PGP fez ele sair do ar-condicionado. Agora que resolveu dizer que vai ouvir a Bahia, aparece com esse PGP da Shopee”, declarou Rosemberg Pinto.
Conforme noticiado pelo Bahia Notícias, ACM Neto anunciou o projeto “Sua Voz é a Nossa Voz” em Salvador, com a presença de aliados políticos, e afirmou que a iniciativa pretende realizar eventos no interior da Bahia e reuniões menores na capital. A proposta, segundo a cobertura publicada, é percorrer o estado durante a pré-campanha e transformar as contribuições recebidas em base para o programa político da oposição.
Movimento prevê escuta popular e articulação no interior
Reportagens publicadas por veículos como Aratu On e Acesse Política registraram que o movimento foi apresentado como uma ação de escuta popular voltada à elaboração de propostas para o estado. Segundo essas publicações, a iniciativa deve combinar presença física nos municípios, articulação política e uso de canais de participação para receber demandas da população.
O projeto foi anunciado em um momento de antecipação do debate eleitoral na Bahia. Embora a campanha oficial ainda não tenha começado, governo e oposição já disputam narrativas sobre presença territorial, capacidade de diálogo e legitimidade para apresentar propostas aos municípios baianos.
Parlamentar afirma que iniciativa chega tarde
Para Rosemberg Pinto, a iniciativa anunciada por ACM Neto ocorre de forma tardia e tem caráter mais eleitoral do que programático. O líder do governo afirmou que o ex-prefeito teve tempo para ampliar sua presença nos municípios baianos, mas, segundo ele, permaneceu distante da realidade cotidiana do interior.
“Ele está há dez anos desempregado e podia ter aproveitado esse tempo para conhecer a Bahia de verdade. Agora, às vésperas da campanha, quer posar de popular e democrático. A Bahia sabe quem ele é”, afirmou o deputado.
A declaração integra a estratégia política de contraposição entre o grupo governista e ACM Neto, que tenta reorganizar sua presença no interior após a derrota na eleição estadual de 2022. O lançamento do movimento tende a intensificar a disputa de narrativas sobre quem possui maior capilaridade territorial e capacidade de diálogo com os municípios baianos.
Comparação com o Programa de Governo Participativo
Rosemberg Pinto comparou o movimento “Sua Voz é a Nossa Voz” ao Programa de Governo Participativo, associado à trajetória política de Jerônimo Rodrigues e do grupo governista. Segundo o deputado, o PGP foi construído com presença direta nos territórios, diálogo com diferentes segmentos sociais e transformação das demandas em propostas de governo.
“Quem sabe fazer PGP de verdade é Jerônimo. Foi para o meio do povo, ouviu agricultor, professora, comerciante, estudante, trabalhador, liderança comunitária. O que saiu dali virou proposta, virou programa e virou entrega na vida das pessoas”, declarou.
O Jornal Grande Bahia registrou, em maio de 2026, plenárias do PGP 2026 – Encontros para o Futuro em Feira de Santana, com participação de prefeitos, parlamentares, movimentos sociais, empresários, juventude e lideranças comunitárias. As publicações apontaram o programa como instrumento de escuta, articulação política e formulação de propostas para o futuro da Bahia.
Além disso, informações institucionais do Governo da Bahia indicam que processos participativos vinculados ao planejamento público foram associados à construção de instrumentos como o PPA 2024-2027, reforçando a narrativa governista de que a escuta territorial integra a metodologia de gestão estadual.
Disputa política se concentra na narrativa da escuta popular
A crítica de Rosemberg Pinto evidencia uma disputa central na política baiana: a tentativa de associar a ideia de participação popular à capacidade de governar e entregar políticas públicas. No discurso do líder governista, Jerônimo Rodrigues aparece como gestor que mantém diálogo permanente com os municípios, enquanto ACM Neto é retratado como liderança que busca reconstruir sua imagem política às vésperas da campanha.
“Ouvir o povo não é montar evento, fazer fotografia e repetir frase bonita. Ouvir o povo é voltar com obra, com serviço, com escola, com hospital, com estrada, com água, com comida na mesa e oportunidade. Isso Jerônimo faz todos os dias”, afirmou Rosemberg.
A fala reforça o tom de confronto político entre governo e oposição. Ao mencionar obras, serviços públicos, educação, saúde, estradas, abastecimento de água e segurança alimentar, Rosemberg procura vincular a escuta popular a resultados concretos da gestão estadual.
Nome do movimento também foi alvo de ironia
Rosemberg Pinto também ironizou o nome escolhido por ACM Neto para a iniciativa. O deputado afirmou que o movimento pode adotar diferentes denominações, mas, em sua avaliação, representa uma tentativa de renovar a imagem de práticas políticas antigas.
“Ele pode chamar de ‘Sua Voz é a Nossa Voz’, pode chamar de maratona, pode chamar do que quiser. No fundo, é a velha política tentando vestir roupa nova. Só que a Bahia já aprendeu a diferenciar quem aparece para ouvir em época de eleição e quem governa olhando no olho do povo”, declarou.
A fala sintetiza a linha argumentativa do líder governista: apresentar o movimento de ACM Neto como uma ação de comunicação política e, ao mesmo tempo, defender o PGP de Jerônimo Rodrigues como instrumento de planejamento, articulação territorial e mobilização social.








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