A área de vegetação nativa desmatada no Brasil ficou abaixo de 1 milhão de hectares pela primeira vez desde 2019. De acordo com o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD2025), divulgado nesta quarta-feira (27/05/2026) pelo MapBiomas, o país registrou 984.794 hectares desmatados em 2025, o que representa uma redução de 20,6% em relação a 2024.
Apesar da queda, o levantamento aponta que o Brasil ainda perdeu, em média, 2.698 hectares de vegetação nativa por dia, equivalente a aproximadamente 112 hectares por hora. Segundo o MapBiomas, a redução ocorreu em todos os biomas brasileiros, com destaque para o Pantanal, que registrou a maior queda proporcional, de 48,4%.
O estudo também mostra que o Cerrado permaneceu como o bioma mais desmatado do país, concentrando mais da metade da área total devastada em 2025. Já a Amazônia apresentou redução significativa na comparação anual, embora continue entre as regiões mais pressionadas pelo avanço da supressão vegetal.
Cerrado e Amazônia lideram perda de vegetação nativa
O levantamento do MapBiomas indica que Cerrado e Amazônia responderam juntos por mais de 84% do desmatamento nacional em 2025. Somente o Cerrado concentrou 540.614 hectares desmatados, o equivalente a 54,9% de toda a área devastada no país.
Mesmo com queda de 16,9% em relação a 2024, o bioma perdeu cerca de 1.482 hectares por dia. O relatório aponta ainda que as formações savânicas foram as mais afetadas pelo desmatamento pelo terceiro ano consecutivo, representando 51,4% da área total suprimida.
Na Amazônia, foram registrados 289.478 hectares desmatados, redução de 23,5% frente ao ano anterior. Segundo o estudo, o bioma perdeu cerca de 792 hectares por dia, o equivalente a aproximadamente cinco árvores por segundo.
Agropecuária segue como principal vetor de desmatamento
De acordo com o relatório, a expansão agropecuária respondeu por mais de 97% de toda a perda de vegetação nativa registrada nos últimos sete anos no Brasil. Em 2025, esse percentual chegou a 99% da área desmatada.
O documento também identificou aumento de 7% nos desmatamentos associados à expansão urbana, principalmente no Cerrado e na Amazônia. Já os desmatamentos ligados ao garimpo permaneceram concentrados na Amazônia, sobretudo no estado do Pará.
Segundo o levantamento, os desmatamentos relacionados a empreendimentos de energia renovável estiveram concentrados na Caatinga, responsável por 97% das áreas desmatadas associadas a esse tipo de atividade.
Região do Matopiba concentra maior pressão ambiental
A região conhecida como Matopiba, formada pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia e Mato Grosso, concentrou mais de 63% do desmatamento nacional entre os estados brasileiros.
O município de Canto do Buriti, no Piauí, liderou pela primeira vez o ranking nacional de maior área desmatada, com 20.877 hectares devastados em 2025. Localizado no bioma Caatinga, o município registrou média diária equivalente a aproximadamente 80 campos de futebol desmatados por dia.
O relatório aponta ainda que oito dos dez municípios com maior área desmatada estão localizados no Matopiba, região que concentra 40% de toda a perda de vegetação nativa do país e cerca de 70% do desmatamento registrado no Cerrado.
Áreas protegidas apresentam redução, mas seguem sob pressão
As Unidades de Conservação (UCs) e as Terras Indígenas continuam sendo as áreas mais preservadas do país, segundo o estudo. Ainda assim, o levantamento identificou 46.257 hectares desmatados dentro de unidades de conservação em 2025, redução de 21,4% em relação ao ano anterior.
Nas unidades classificadas como de Proteção Integral, consideradas as de maior grau de preservação, houve queda de 55,8%, totalizando 2.034 hectares desmatados.
O relatório também destaca que a Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Preto, localizada na Bahia, foi a unidade de conservação com maior área desmatada do país em 2025, registrando 7.701 hectares devastados, aumento de 44% frente ao ano anterior.
Em relação às Terras Indígenas, o levantamento registrou 12.593 hectares desmatados, redução de 22% na comparação anual. A Terra Indígena Porquinhos dos Canela-Apãnjekra, no Maranhão, permaneceu pelo terceiro ano consecutivo entre as áreas mais afetadas.
Histórico aponta perda acumulada superior a 10 milhões de hectares
Segundo o MapBiomas, o Brasil perdeu mais de 10,9 milhões de hectares de vegetação nativa entre 2019 e 2025, área superior ao território do estado de Pernambuco.
O relatório ressalta que a redução registrada em 2025 representa uma desaceleração importante na taxa de desmatamento, mas alerta que o volume ainda permanece elevado diante dos compromissos ambientais assumidos pelo país.
O estudo também aponta que mais da metade dos municípios brasileiros registraram ao menos um evento de desmatamento validado em 2025, demonstrando que a pressão ambiental continua disseminada em diferentes regiões do território nacional.
*Com informações da Agência Brasil.









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