Comunidades e instituições ligadas a povos indígenas de Porto Seguro e Prado, no Extremo Sul da Bahia, foram contempladas nesta quinta-feira (21/05/2026) com 150 equipamentos recondicionados por meio do Programa Computadores para Inclusão, do Ministério das Comunicações. A ação beneficiou 12 comunidades e entidades e tem como objetivo criar pontos de inclusão digital voltados ao acesso à educação, qualificação profissional, serviços públicos e cidadania digital em territórios tradicionais. A entrega integra política pública federal que reaproveita equipamentos eletrônicos, reduz descarte tecnológico e amplia oportunidades em localidades marcadas por dificuldades de deslocamento e menor acesso à infraestrutura digital.
Programa Computadores para Inclusão atende comunidades indígenas no Extremo Sul da Bahia
A iniciativa do Ministério das Comunicações prevê a utilização dos equipamentos para a estruturação de espaços comunitários de acesso à tecnologia. Segundo as informações divulgadas, os computadores foram destinados a comunidades e instituições vinculadas aos povos indígenas de Porto Seguro e Prado, municípios que concentram importantes territórios tradicionais no Extremo Sul baiano.
Na Reserva Extrativista Marinha do Corumbau, em Prado, 30 equipamentos já começaram a ser incorporados à rotina local. Para moradores de áreas afastadas, a chegada dos computadores representa uma alternativa concreta para reduzir barreiras geográficas no acesso à educação, à capacitação e a serviços públicos digitais.
A diretora da Federação das Associações da Reserva Extrativista Marinha do Corumbau, Elisabete da Cruz Marinho, afirmou que os equipamentos terão impacto direto na vida da comunidade. Ela destacou que as condições de deslocamento dificultam o acesso a serviços fora do território e que a presença dos computadores facilita atividades educacionais e administrativas.
Entrega foi acompanhada por representantes do Ministério das Comunicações
As entregas foram realizadas pela secretária-executiva do Ministério das Comunicações, Sônia Faustino, acompanhada da chefe da Assessoria Especial de Participação Social e Diversidade da pasta, Ludmylla Chagas, e do coordenador-geral de Inclusão Digital, Gustavo Lima.
Durante a visita, Sônia Faustino ressaltou a importância de acompanhar presencialmente os efeitos das políticas públicas em regiões vulneráveis. Segundo ela, o programa permite observar de forma direta como a inclusão digital pode gerar oportunidades e ampliar o acesso a direitos.
A presença da equipe federal nas comunidades também foi destacada por lideranças locais. O vice-presidente da Associação da Reserva Extrativista Marinha do Corumbau, Yure Marinho, afirmou que a entrega contribui para fortalecer a educação, ampliar a inclusão e oferecer estrutura necessária à comunidade.
Equipamentos recondicionados unem inclusão digital e sustentabilidade
Os computadores foram entregues por meio do Centro de Recondicionamento de Computadores (CRC ITCD), parceiro do Programa Computadores para Inclusão desde 2024. O modelo combina reaproveitamento de equipamentos eletrônicos com formação profissional e atendimento a comunidades em situação de vulnerabilidade.
Além de ampliar o acesso à tecnologia, a iniciativa atua sobre um problema ambiental relevante: o descarte de resíduos eletrônicos. Máquinas que poderiam ser descartadas passam por recondicionamento e são transformadas em instrumentos de cidadania, educação e qualificação.
O projeto conta com investimento de R$ 1,65 milhão e prevê a doação de 2,9 mil computadores, além da emissão de 1,6 mil certificados de formação profissional. A ação reforça a dimensão social e ambiental do programa, ao vincular inclusão digital, capacitação e sustentabilidade.
Inclusão digital pode reduzir distâncias em territórios tradicionais
Em comunidades tradicionais, especialmente em áreas rurais, costeiras ou de difícil acesso, a ausência de infraestrutura tecnológica limita o acesso a serviços básicos. A criação de pontos de inclusão digital pode contribuir para atividades escolares, emissão de documentos, inscrições em programas públicos, capacitação profissional e comunicação institucional.
No caso das comunidades indígenas e extrativistas do Extremo Sul da Bahia, a medida tem potencial para fortalecer a autonomia local. O acesso a computadores em espaços comunitários permite que estudantes, lideranças, associações e moradores realizem tarefas que antes exigiam deslocamentos mais longos ou dependência de estruturas externas.
O alcance efetivo da política, contudo, dependerá de condições complementares, como conectividade adequada, manutenção dos equipamentos, formação de monitores, segurança dos espaços e continuidade institucional. A doação dos computadores constitui etapa relevante, mas sua eficácia dependerá da sustentação operacional dos pontos de inclusão digital.
Política pública busca transformar resíduos eletrônicos em cidadania
Coordenado pelo Ministério das Comunicações, o Programa Computadores para Inclusão tem como finalidade transformar equipamentos eletrônicos recondicionados em ferramentas de acesso à educação, cidadania e geração de oportunidades. A iniciativa atende escolas, associações, projetos sociais e comunidades vulneráveis em diferentes regiões do país.
Na Bahia, a entrega em Porto Seguro e Prado se soma a outras políticas voltadas à ampliação do acesso de povos indígenas a serviços públicos, infraestrutura, educação e desenvolvimento sustentável. O Jornal Grande Bahia mantém cobertura recorrente sobre comunidades indígenas, povos tradicionais e políticas públicas no estado, incluindo iniciativas de inclusão produtiva e valorização territorial.
A pauta também dialoga com o debate nacional sobre desigualdade digital. Em um cenário no qual serviços públicos, educação e oportunidades de trabalho dependem cada vez mais de acesso à internet e equipamentos adequados, a inclusão digital deixa de ser apenas uma política tecnológica e passa a integrar a agenda de cidadania.








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