A artista visual e escritora Gleciara Ramos inaugura, na quinta-feira (21/05/2026), às 19h, a exposição “Iramaia e o Encontro das Águas” no Museu de Arte da Bahia, localizado no Corredor da Vitória, em Salvador. A mostra reúne instalações com bordados e tecituras, lançamento de livro e exibição de documentário, com entrada gratuita para o público.
Resultado de uma pesquisa desenvolvida entre 2018 e 2026, a exposição aborda cosmogonias, territórios e etnias da Amazônia e dos Andes peruanos, conectando referências culturais indígenas à produção artística contemporânea. O projeto também incorpora reflexões sobre ancestralidade, memória e pertencimento por meio de diferentes linguagens visuais e narrativas.
Além da instalação artística, a programação inclui o lançamento do livro “Iramaia e o Encontro das Águas”, composto pelas obras “Jacy Waurá (Espelhos da Lua)” e “Jacy Epóma (Escutas da Lua)”, além da exibição do documentário “Pachamama, a mãe do Tempo e Espaço, que nos ensina a tecer nossas Roupas da Terra”.
Pesquisa conecta Amazônia, Andes e Bahia em projeto multidisciplinar
Segundo Gleciara Ramos, o nome “Iramaia” significa “Abelha Rainha” em Tupi, símbolo associado à coletividade feminina e à continuidade da vida. A artista explica que o conceito do projeto surgiu a partir da reflexão sobre encontros culturais e fronteiras sociais.
Inspirada na frase “As fronteiras são feitas de medo?”, presente em instalação da artista paulistana Eneri, Gleciara afirma que a proposta busca estimular o acolhimento entre culturas originárias e ampliar o debate sobre convivência coletiva.
A pesquisa foi desenvolvida em parceria com o cinegrafista e cineclubista Luís Sérgio Brito Nascimento, conhecido como Sérgio Zumby. De acordo com a artista, o trabalho começou a partir da investigação dos mitos da Lua no lago Espelho da Lua, localizado em Nhamundá, na fronteira entre Pará e Amazonas, território associado às Icamiabas.
Instalações utilizam bordados e tecituras como linguagem narrativa
A exposição apresenta 12 contos bordados sobre a Lua, que posteriormente deram origem aos textos literários reunidos em uma das publicações lançadas durante a mostra. As obras utilizam bordados, tecidos e elementos artesanais para representar narrativas ligadas às culturas originárias.
Outro destaque da instalação são as chamadas “Roupas da Terra”, compostas por sete estruturas em tecituras e bordados descritas pela artista como “malocas” e “portais tecidos à mão”. As obras dialogam com temas relacionados à memória, território e espiritualidade.
A oitava instalação será dedicada à videoinstalação do documentário “Pachamama, a mãe do Tempo e Espaço, que nos ensina a tecer nossas Roupas da Terra”, com imagens registradas durante as pesquisas realizadas da Amazônia aos Andes peruanos.
Museu de Arte da Bahia terá visitas guiadas e sessão de autógrafos
Durante o período da exposição, Gleciara Ramos realizará visitas guiadas aos domingos, sempre às 15h, abertas ao público visitante do Museu de Arte da Bahia. A proposta é apresentar detalhes do processo criativo e dialogar sobre os conceitos presentes nas obras.
O livro “Iramaia e o Encontro das Águas” também estará disponível para venda no local, com possibilidade de sessão de autógrafos durante as visitas guiadas promovidas pela artista.
Natural do Rio de Janeiro, Gleciara Ramos vive em Salvador desde 1989 e possui formação pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A artista também atuou como professora substituta na instituição entre 2002 e 2004 e desenvolveu pesquisas ligadas à arte, memória e culturas originárias.









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