O Governo da Bahia publicou na quarta-feira (20/05/2026), no Diário Oficial do Estado o termo de referência da seleção pública emergencial que definirá a Organização Social responsável pela gestão do Hospital Dom Antônio Monteiro (HDAM), em Senhor do Bonfim. Com a estadualização, a unidade passará de 87 para 115 leitos, acréscimo de 28 vagas e expansão de 32% na capacidade de internação, tornando-se a 56ª unidade hospitalar da rede estadual e ampliando a oferta de serviços de urgência, emergência, obstetrícia, pediatria, saúde mental, terapia intensiva e apoio diagnóstico para mais de 300 mil habitantes do Piemonte Norte do Itapicuru.
Hospital Dom Antônio Monteiro passa a integrar a rede estadual de saúde
A incorporação do Hospital Dom Antônio Monteiro à rede estadual amplia a presença do Governo da Bahia na assistência hospitalar do interior. A unidade será referência para Senhor do Bonfim, Andorinha, Antônio Gonçalves, Campo Formoso, Filadélfia, Itiúba, Jaguarari, Pindobaçu e Ponto Novo, municípios que dependem de serviços regionais estruturados para reduzir deslocamentos de pacientes para centros maiores.
Com a mudança administrativa, o HDAM passa a ser o 14º novo hospital entregue ou incorporado pela gestão do governador Jerônimo Rodrigues desde 2023. A medida se soma à estratégia de interiorização da assistência hospitalar, em uma região que já tem como referências estaduais o Hospital Regional de Juazeiro e o Hospital Regional de Paulo Afonso.
A estadualização também modifica o perfil da unidade. O hospital deixará de atuar apenas com a capacidade atual e passará a operar gradualmente com uma carteira ampliada de serviços, incluindo procedimentos e exames que antes exigiam deslocamento para Salvador, Juazeiro ou outros municípios com maior estrutura assistencial.
Unidade terá 115 leitos e novos serviços especializados
O novo desenho assistencial prevê atendimento 24 horas em urgência e emergência adulta, pediátrica e obstétrica. A estrutura também incluirá internação clínica, cirúrgica, pediátrica e obstétrica, com atendimento de risco habitual e alto risco, além de atenção em saúde mental de curta permanência.
A distribuição prevista para os 115 leitos contempla:
- 20 leitos para cirurgia geral, ortopedia e traumatologia;
- 30 leitos para clínica médica, vascular e saúde mental;
- 20 leitos para obstetrícia;
- 10 leitos para pediatria;
- 35 leitos de suporte intensivo e neonatal.
No suporte intensivo, a unidade contará com 10 leitos de UTI Adulto, 10 leitos de UTI Neonatal, 10 leitos de Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Convencional (UCINCo) e 5 leitos de Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Canguru (UCINCa).
Apoio diagnóstico será ampliado
A nova configuração também prevê serviços de apoio diagnóstico e terapêutico, com oferta de tomografia, radiologia, ultrassonografia, eletrocardiograma, laboratório, hemodiálise, endoscopia digestiva alta, colonoscopia e hemoterapia.
A inclusão desses serviços é relevante porque permite maior resolutividade regional. Em termos práticos, exames e procedimentos antes concentrados em polos maiores poderão ser realizados no próprio território, reduzindo tempo de espera, custos indiretos para famílias e sobrecarga sobre outras unidades estaduais.
Operação estadualizada será implantada em fases
A implantação da gestão estadual ocorrerá de forma escalonada. Na primeira fase, ainda em maio de 2026, o hospital começará a funcionar sob gestão estadual com os 87 leitos existentes. As especialidades já ofertadas — clínica médica, pediatria, cirurgia geral, ortopedia, obstetrícia de risco habitual, UTI Adulto e UTI Neonatal — passarão a operar dentro do padrão da rede estadual.
Ainda nessa etapa inicial, haverá incorporação imediata de endoscopia digestiva e tomografia com contraste à carteira de serviços. A ampliação dos exames diagnósticos é um dos pontos centrais do novo modelo, pois fortalece a capacidade de resposta clínica e cirúrgica da unidade.
A segunda etapa está vinculada à conclusão das obras de adequação, prevista para outubro de 2026. Com essa fase concluída, o hospital alcançará a capacidade plena de 115 leitos e passará a oferecer cirurgia por vídeo, cirurgia vascular, obstetrícia de alto risco, colonoscopia e leitos de saúde mental.
Investimento será de R$ 21,4 milhões em obras e equipamentos
O Governo da Bahia prevê investimento de R$ 21,4 milhões na requalificação do Hospital Dom Antônio Monteiro, incluindo obras e aquisição de equipamentos. A intervenção foi organizada em etapas para permitir a continuidade dos serviços durante a transição administrativa e estrutural.
Na primeira etapa, estão previstas a implantação de rede de gases medicinais em todas as enfermarias, revisão das instalações elétricas e hidráulicas, pintura, troca da cobertura do bloco neonatal e reforma do centro cirúrgico.
Em seguida, serão executadas obras de ampliação e reforma da Central de Material e Esterilização, da Central de Abastecimento Farmacêutico, do almoxarifado, cozinha, refeitório, vestiários, banheiros, necrotério, área de tratamento de resíduos e estação de tratamento de esgoto. A conclusão dessa etapa está prevista para março de 2027.
Estadualização deve gerar empregos em Senhor do Bonfim
A ampliação do hospital também terá impacto no mercado de trabalho regional. A operação plena exigirá novas equipes assistenciais e de apoio, com contratação de médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, fisioterapeutas, farmacêuticos, nutricionistas, profissionais administrativos e trabalhadores de serviços gerais.
Esse efeito econômico é relevante em cidades médias do interior, onde hospitais regionais funcionam não apenas como equipamentos de saúde, mas também como polos de emprego qualificado, formação profissional e dinamização de serviços locais.
Segundo o governador Jerônimo Rodrigues, a estadualização representa uma resposta à desigualdade no acesso à saúde no interior da Bahia. Ele afirmou que moradores de Senhor do Bonfim e municípios vizinhos têm o mesmo direito a atendimento de qualidade que a população de Salvador, com investimentos, novos leitos e serviços antes concentrados em grandes centros.
A secretária estadual da Saúde, Roberta Santana, afirmou que o Hospital Dom Antônio Monteiro terá a missão de absorver, no próprio território, demandas que antes eram encaminhadas para Salvador, Juazeiro e outras cidades. Segundo ela, a incorporação permitirá atendimento dentro de um padrão único de regulação, com maior segurança para pacientes e melhores condições de trabalho para as equipes.
Chamamento público definirá Organização Social responsável pela gestão
A publicação do termo de referência no Diário Oficial do Estado marca uma etapa administrativa decisiva da estadualização. A seleção pública emergencial definirá a Organização Social que assumirá a gestão operacional da unidade, modelo utilizado pelo Estado em diferentes equipamentos de saúde.
O chamamento deve estabelecer critérios técnicos, operacionais e assistenciais para a contratação da entidade gestora. A escolha da Organização Social será determinante para a execução do cronograma de expansão, a contratação de equipes, a organização da regulação e a manutenção dos padrões definidos pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia.
A publicação também formaliza o ingresso do HDAM na rede estadual, após processo de negociação e planejamento que já havia sido anunciado anteriormente pelo Governo da Bahia e discutido no município de Senhor do Bonfim.








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