O governo federal prepara uma nova fase do Desenrola Brasil voltada para trabalhadores informais e consumidores adimplentes que enfrentam dificuldades devido às altas taxas de juros. A informação foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, exibido na quarta-feira (06/05/2026). Segundo o ministro, a nova linha de crédito deve ser anunciada até o início de junho.
De acordo com Durigan, a iniciativa busca atender principalmente trabalhadores que atuam na informalidade e possuem renda variável, condição que, segundo o governo, amplia a exposição desse público a modalidades de crédito com juros elevados. O ministro afirmou que o objetivo é criar mecanismos para reduzir o custo do crédito para quem mantém os pagamentos em dia.
Durante a entrevista, o representante da equipe econômica destacou que os trabalhadores informais enfrentam dificuldades específicas no acesso ao sistema financeiro tradicional. Segundo ele, a ausência de renda fixa mensal faz com que parte desse público tenha acesso restrito a linhas de crédito com taxas menores.
Governo amplia foco do Desenrola para consumidores adimplentes
Na segunda-feira (04/05/2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou a nova etapa do Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas direcionado a pessoas com renda de até cinco salários mínimos, atualmente equivalente a R$ 8.105. A iniciativa permite renegociar débitos relacionados a cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.
O programa representa uma reformulação da política anterior de renegociação de dívidas e tem como finalidade reduzir o comprometimento da renda familiar com operações de crédito consideradas de alto custo. A nova versão também prevê renegociação de contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Segundo o Ministério da Fazenda, estudantes com contratos do Fies e situação regular de pagamento também poderão ser incluídos nas próximas fases da iniciativa. A proposta busca ampliar o alcance do programa para consumidores que mantêm a adimplência, mas convivem com juros elevados.
Ministério da Fazenda afirma que programa busca estimular pagamento de dívidas
Durante a entrevista, Dario Durigan rejeitou críticas de que o Desenrola possa incentivar a inadimplência. Segundo o ministro, a proposta do governo é estimular o pagamento das dívidas e criar condições para que consumidores consigam reorganizar a vida financeira.
O ministro afirmou que o alto nível de endividamento das famílias está relacionado aos impactos econômicos registrados durante o período da pandemia, incluindo desemprego, redução da renda e dificuldades de acesso ao crédito. Ele também declarou que o governo pretende aproveitar o cenário de recuperação econômica para ampliar renegociações e incentivar a regularização financeira.
Durigan destacou ainda que o programa não deve se tornar uma política recorrente, mas sim uma medida voltada ao contexto econômico atual. Segundo ele, o foco do governo é incentivar o “bom pagador” e oferecer alternativas para consumidores que mantêm compromissos financeiros mesmo diante das taxas elevadas praticadas no mercado.
Trabalhadores informais estão entre os principais alvos da nova etapa
A nova fase do Desenrola deverá concentrar esforços em públicos que tradicionalmente enfrentam dificuldade de acesso ao crédito formal, incluindo trabalhadores autônomos e informais. Segundo dados mencionados pelo governo, esse grupo costuma recorrer a modalidades com juros mais altos devido à ausência de comprovação de renda fixa.
A expectativa do Ministério da Fazenda é que a nova linha de crédito permita condições mais acessíveis para esses trabalhadores, ampliando a capacidade de pagamento e reduzindo o custo do endividamento. O anúncio oficial da medida deve ocorrer até o início de junho, conforme previsão apresentada pelo governo federal.
Além da ampliação do crédito, o governo também avalia mecanismos de incentivo para consumidores adimplentes, incluindo estudantes financiados pelo Fies e trabalhadores que mantêm pagamentos regulares mesmo em cenários de juros elevados.
*Com informações da Agência Brasil.








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