Camamu, no Baixo Sul da Bahia, aparece no IPS Brasil 2026 com pontuação geral de 48,39 em 100, conforme scorecard do Índice de Progresso Social referente ao município, divulgado em 2026. O levantamento situa a cidade na 5.545ª posição entre os municípios brasileiros e na 417ª colocação dentro da Bahia, revelando fragilidades em áreas essenciais como segurança pessoal, saúde, educação, acesso à informação, direitos individuais e oportunidades sociais. O município, com população estimada em 31.694 habitantes, área territorial de 839,70 km² e PIB per capita de R$ 17.595,19 em 2023, apresenta desempenho inferior em indicadores estratégicos para a qualidade de vida e para o planejamento de políticas públicas.
Índice de Progresso Social avalia qualidade de vida para além da renda
O IPS Brasil mede o progresso social dos municípios a partir de indicadores socioambientais e busca avaliar a capacidade das cidades de atender às necessidades básicas da população, promover fundamentos de bem-estar e ampliar oportunidades. Segundo a plataforma oficial, o índice oferece um panorama multidimensional sobre todos os 5.570 municípios brasileiros, sem se limitar a variáveis econômicas.
No caso de Camamu, a leitura do scorecard indica um quadro de atenção pública. A pontuação geral de 48,39 coloca o município em posição desfavorável no ranking nacional e estadual, ainda que alguns indicadores específicos apresentem desempenho relativamente melhor quando comparados a municípios com faixa semelhante de PIB per capita.
O próprio IPS Brasil alerta que os resultados de 2024, 2025 e 2026 não são estritamente comparáveis, em razão de mudanças nos indicadores e nos tratamentos estatísticos. Essa observação é relevante para evitar leituras apressadas sobre evolução ou retrocesso, sobretudo quando se compara o desempenho atual com edições anteriores.
Camamu tem desempenho frágil em necessidades humanas básicas
Na dimensão Necessidades Humanas Básicas, Camamu obteve 56,79 pontos, ocupando a 5.450ª posição nacional. O resultado sintetiza indicadores ligados a nutrição, cuidados médicos básicos, água e saneamento, moradia e segurança pessoal.
O melhor desempenho interno dessa dimensão aparece em Moradia, com 79,01 pontos, embora a posição nacional ainda seja baixa, na 4.796ª colocação. Esse eixo inclui aspectos como coleta adequada de resíduos, iluminação elétrica, paredes e pisos adequados nos domicílios.
Em sentido oposto, o eixo de Segurança Pessoal registra apenas 21,25 pontos, com a 5.483ª posição nacional. O bloco considera indicadores como assassinatos de jovens, assassinatos de mulheres, homicídios e mortes por acidentes de transporte, compondo uma das áreas mais críticas do perfil municipal.
Água, saneamento e saúde básica ainda exigem atenção
O indicador de Água e Saneamento alcançou 59,89 pontos, com Camamu na 3.936ª posição entre os municípios brasileiros. O resultado considera abastecimento de água por rede de distribuição, esgotamento sanitário adequado, índice de abastecimento de água e perdas na distribuição.
Em Nutrição e Cuidados Médicos Básicos, o município aparece com 67,00 pontos, na 5.190ª posição nacional. O conjunto de indicadores inclui cobertura vacinal contra poliomielite, hospitalizações por condições sensíveis à atenção primária, mortalidade ajustada por condições sensíveis à atenção primária, mortalidade infantil até 5 anos e subnutrição.
A leitura combinada desses dados sugere que Camamu enfrenta desafios típicos de municípios em que infraestrutura urbana, proteção social e capacidade de atendimento público precisam avançar de forma articulada. O índice não substitui diagnósticos locais detalhados, mas funciona como instrumento de comparação e orientação para gestores públicos, entidades da sociedade civil e investidores sociais.
Bem-estar tem desempenho intermediário, mas saúde e informação preocupam
Na dimensão Fundamentos do Bem-Estar, Camamu registrou 54,69 pontos, ocupando a 5.321ª posição nacional. O desempenho revela limitações em acesso ao conhecimento básico, informação, comunicação, saúde, bem-estar e qualidade ambiental.
O eixo Acesso ao Conhecimento Básico aparece com 66,11 pontos, mas ainda na 4.988ª posição. O scorecard considera abandono no ensino fundamental, abandono no ensino médio, distorção idade-série no ensino médio, evasão no ensino médio, Ideb no ensino fundamental e reprovação escolar no ensino médio.
Em Acesso à Informação e Comunicação, a pontuação é de 53,49, com a 5.043ª posição nacional. O bloco inclui cobertura de internet móvel 4G/5G, densidade de internet banda larga fixa, densidade de telefonia móvel e qualidade da internet móvel, elementos centrais para inclusão digital, educação, trabalho e acesso a serviços públicos.
Saúde, bem-estar e meio ambiente
O eixo Saúde e Bem-Estar registra 43,56 pontos, na 5.425ª posição nacional. A dimensão reúne indicadores como consumo de ultraprocessados, expectativa de vida, mortalidade entre 15 e 50 anos, mortalidade por doenças crônicas não transmissíveis, obesidade e suicídios.
Já em Qualidade do Meio Ambiente, Camamu apresenta 55,60 pontos, com posição nacional de 2.863, resultado relativamente menos desfavorável dentro do conjunto analisado. O bloco inclui áreas verdes urbanas, emissões de CO₂ por habitante, focos de calor, índice de vulnerabilidade climática dos municípios e supressão da vegetação primária e secundária.
Para um município costeiro e de relevância ambiental no Baixo Sul, o desempenho nessa área deve ser observado com atenção. A preservação ambiental, quando vinculada a saneamento, ordenamento territorial e turismo sustentável, pode representar vetor de desenvolvimento local, desde que acompanhada por investimentos públicos e planejamento técnico.
Oportunidades formam a dimensão mais crítica do município
A dimensão Oportunidades é a mais frágil no scorecard de Camamu, com 33,69 pontos e 5.554ª posição nacional. O resultado reúne indicadores de direitos individuais, liberdades individuais e escolha, inclusão social e acesso à educação superior.
O eixo Direitos Individuais tem 19,59 pontos, na 4.597ª posição, abrangendo acesso a programas de direitos humanos, existência de ações afirmativas para direitos de minorias, índice de atendimento da demanda de justiça, resposta a processos familiares, resposta a processos previdenciários e taxa de congestionamento líquida de processos.
Em Liberdades Individuais e Escolha, Camamu obteve 46,10 pontos, na 5.104ª posição. O scorecard inclui acesso à cultura, lazer e esporte, gravidez na adolescência, índice de vulnerabilidade das famílias do CadÚnico e praças e parques em áreas urbanas.
Inclusão social e educação superior ampliam o alerta
O eixo de Inclusão Social registra 51,46 pontos, na 4.265ª posição nacional. O bloco considera famílias em situação de rua, paridade de gênero e de negros na Câmara Municipal, além de violência contra indígenas, mulheres e negros.
O pior desempenho específico aparece em Acesso à Educação Superior, com 17,63 pontos e 5.383ª posição nacional. O indicador considera empregados com ensino superior, mulheres empregadas com ensino superior e nota mediana no Enem.
Esse resultado indica um gargalo estrutural: sem avanço educacional e qualificação profissional, o município tende a encontrar mais dificuldades para elevar renda, atrair investimentos, diversificar sua base econômica e reduzir vulnerabilidades sociais.
Dados econômicos mostram distância entre renda e progresso social
O scorecard informa que Camamu possuía PIB per capita de R$ 17.595,19 em 2023, ocupando a 3.983ª posição nacional e a 126ª colocação na Bahia nesse indicador. A comparação com o IPS geral evidencia que renda municipal, isoladamente, não garante qualidade de vida, acesso a serviços, segurança, educação e oportunidades.
A população estimada de 31.694 habitantes em 2025 e a área de 839,70 km² também ajudam a dimensionar o desafio administrativo. Municípios com território amplo e população distribuída em zonas urbanas, rurais e costeiras podem enfrentar maior complexidade para organizar rede de serviços, transporte, saúde, educação e saneamento.
O IPS Brasil 2026 também mostrou contrastes nacionais relevantes. Segundo notícia publicada pela plataforma oficial do índice, o estudo classifica os municípios em grupos de desempenho, com 706 cidades no Grupo 1, de melhores resultados, e 23 municípios no Grupo 9, de piores resultados.








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