Mata Atlântica predomina nos municípios onde vivem 58,9% dos baianos, aponta IBGE

A Mata Atlântica ocupa cerca de 19% do território da Bahia, o equivalente a aproximadamente 107 mil km², mas predomina nos municípios onde vive a maior parte da população estadual, segundo levantamento da Superintendência Estadual do IBGE na Bahia divulgado em referência ao Dia Nacional da Mata Atlântica, celebrado em 27 de maio. Embora seja apenas o terceiro bioma em extensão no estado, atrás da Caatinga e do Cerrado, a Mata Atlântica está presente em 200 municípios baianos e é predominante em 174 cidades, concentrando 8.765.670 habitantes, ou 58,9% da população estimada da Bahia em 2025.

Mata Atlântica ocupa 19% do território baiano, mas concentra maioria da população

O levantamento do IBGE mostra que a Mata Atlântica representa uma parcela minoritária do território da Bahia quando comparada à Caatinga, que ocupa cerca de 54% da área estadual, e ao Cerrado, presente em aproximadamente 27%. Ainda assim, sua relevância demográfica é superior à sua extensão territorial, porque o bioma predomina em áreas historicamente mais urbanizadas e economicamente integradas.

Na escala nacional, a Mata Atlântica cobre 13% da área do Brasil, o equivalente a 1.110.182 km². Também no país, é o terceiro maior bioma em extensão, atrás da Amazônia, que ocupa 49,3% do território brasileiro, e do Cerrado, com 23,9%.

A diferença entre área territorial e peso populacional revela uma característica central do bioma: sua presença em regiões de ocupação antiga, ao longo do litoral e em áreas metropolitanas, fez da Mata Atlântica um espaço decisivo para compreender a formação urbana, econômica e ambiental do Brasil.

Bioma está presente em quase metade dos municípios da Bahia

Segundo o IBGE, a Mata Atlântica está presente em 48% dos municípios baianos, o que corresponde a 200 cidades. Em 174 municípios, ou 41,7% do total estadual, ela é o bioma predominante, isto é, aquele que ocupa a maior parte do território municipal.

A Caatinga permanece como o principal bioma em número de municípios na Bahia, predominando em 54% das cidades. O dado confirma a diversidade ambiental do território baiano, que reúne áreas litorâneas, semiáridas e de cerrado em uma mesma unidade federativa.

No Brasil, a Mata Atlântica está presente em 3.082 municípios, o equivalente a 55,2% das cidades do país. Ela predomina em 2.741 municípios, ou 49,2% do total nacional, tornando-se o principal bioma brasileiro quando o critério adotado é a predominância municipal.

Salvador, Feira de Santana e outras grandes cidades estão em área de Mata Atlântica

O peso demográfico da Mata Atlântica na Bahia se explica, em grande parte, pela presença do bioma nas cidades mais populosas do estado. Das 10 maiores cidades baianas, 8 têm a Mata Atlântica como bioma predominante.

Entre elas estão:

  • Salvador
  • Feira de Santana
  • Vitória da Conquista
  • Camaçari
  • Lauro de Freitas
  • Itabuna
  • Ilhéus
  • Porto Seguro

As exceções são Juazeiro, onde predomina a Caatinga, e Barreiras, onde o Cerrado ocupa a maior área. A distribuição reforça a centralidade da Mata Atlântica na organização populacional da Bahia, especialmente nas regiões litorâneas, metropolitanas e em polos urbanos estratégicos.

De acordo com o IBGE, a população estimada da Bahia em 2025 é de 14.870.907 habitantes, dado compatível com a estimativa oficial divulgada pelo instituto para o estado.

Mata Atlântica reúne 58,9% dos habitantes da Bahia

Embora represente menos de um quinto do território estadual, a Mata Atlântica predomina nos municípios onde vivem 8.765.670 pessoas, o equivalente a 58,9% da população baiana estimada em 2025.

Esse dado mostra que a discussão sobre preservação do bioma não se limita a áreas florestais remanescentes. Ela envolve diretamente planejamento urbano, saneamento, ocupação do solo, proteção de mananciais, gestão de encostas, expansão imobiliária e qualidade de vida em regiões densamente povoadas.

No Brasil, a lógica é semelhante. A Mata Atlântica predomina nos municípios onde vivem 123.133.282 pessoas, ou 57,7% da população nacional. Trata-se, portanto, do bioma mais diretamente associado ao cotidiano da maioria dos brasileiros, ainda que não seja o maior em extensão territorial.

Pressão histórica ajuda a explicar ameaça à biodiversidade

O boletim do IBGE aponta que a localização da Mata Atlântica ao longo do litoral brasileiro, área mais densamente ocupada desde o início da colonização, ajuda a explicar por que o bioma está entre os mais pressionados pelo desmatamento e pela perda de biodiversidade.

Em 2022, 2.174 das 11.811 espécies da fauna e da flora da Mata Atlântica estavam extintas ou sob algum grau de ameaça de extinção. O número corresponde a 18,4% das espécies avaliadas e representa, segundo o levantamento, o maior número absoluto e a maior proporção entre os biomas brasileiros.

A situação reforça a necessidade de políticas de conservação, recuperação de áreas degradadas e integração entre preservação ambiental e desenvolvimento urbano. No caso da Bahia, essa agenda é particularmente relevante porque o bioma se sobrepõe a municípios de grande peso populacional, econômico e turístico.

Dia Nacional da Mata Atlântica remete à Carta de São Vicente

O Dia Nacional da Mata Atlântica, celebrado em 27 de maio, foi criado em 1999. A data faz referência a 27 de maio de 1560, quando o padre José de Anchieta assinou a Carta de São Vicente, documento considerado uma das primeiras descrições da biodiversidade das florestas tropicais nas Américas.

A efeméride busca chamar atenção para a importância ecológica, histórica e social do bioma. No caso baiano, os dados do IBGE mostram que a Mata Atlântica permanece decisiva não apenas do ponto de vista ambiental, mas também demográfico e urbano.

A presença do bioma em cidades como Salvador, Feira de Santana, Camaçari, Ilhéus e Porto Seguro indica que a preservação da Mata Atlântica deve ser tratada como tema de interesse público permanente, com impacto direto sobre moradia, infraestrutura, segurança hídrica, turismo, agricultura e qualidade ambiental.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading