O Esquema Bolsonarista: Fundo ligado a advogado de Eduardo Bolsonaro comprou casa no Texas enquanto PF investiga repasses ao filme “Dark Horse”

Um fundo privado ligado ao advogado Paulo Calixto, apontado como próximo de Eduardo Bolsonaro, comprou em fevereiro uma casa em Arlington, no Texas, estado norte-americano onde vive o ex-deputado federal, em meio à investigação da Polícia Federal sobre o destino de recursos repassados ao fundo Havengate Development Fund para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o conteúdo analisado, a operação envolve o Mercury Legacy Trust, a compra de um imóvel avaliado em R$ 3,6 milhões, repasses que teriam chegado a R$ 61 milhões, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o senador Flávio Bolsonaro, a empresa Entre Investimentos e Participações e suspeitas sobre eventual uso dos valores para custear a permanência de Eduardo nos Estados Unidos, hipótese negada pelos envolvidos, revela em série de reportagens o jornal Folha de S.Paulo.

Compra de imóvel no Texas amplia foco sobre rede financeira ligada a aliados de Eduardo Bolsonaro

O caso ganhou novo capítulo com a informação de que o Mercury Legacy Trust adquiriu uma residência em Arlington, no Texas. O fundo é descrito como uma estrutura privada de gestão patrimonial, instrumento comum nos Estados Unidos para manter bens em nome de terceiros. A compra, segundo a reportagem analisada, ocorreu em fevereiro e teve valor equivalente a R$ 3,6 milhões.

A relevância da operação decorre da ligação entre o fundo comprador e Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Calixto também aparece como administrador do Havengate Development Fund, fundo que teria recebido parte dos recursos destinados ao filme “Dark Horse”. A Polícia Federal apura se essa estrutura financeira foi usada para burlar bloqueios judiciais impostos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) às contas de Eduardo Bolsonaro no Brasil.

Além de Calixto, André Porciuncula aparece em documentos como um dos responsáveis pela entidade que comprou a casa. Ex-policial militar e ex-integrante do governo Bolsonaro, Porciuncula atuou na área da Cultura ao lado de Mario Frias, idealizador do filme sobre o ex-presidente. Ele é descrito por aliados de Eduardo como uma espécie de representante operacional do ex-deputado nos Estados Unidos.

PF investiga destino de repasses milionários destinados ao filme “Dark Horse”

A apuração da Polícia Federal se concentra no caminho percorrido por recursos que teriam sido repassados por Daniel Vorcaro, ex-banqueiro ligado ao Banco Master, para financiar o longa-metragem “Dark Horse”. O projeto cinematográfico foi apresentado como uma produção sobre a vida política de Jair Bolsonaro.

Segundo o material fornecido, o senador Flávio Bolsonaro admitiu ter pedido dinheiro a Vorcaro para a produção, mas negou que os valores tenham sido usados para sustentar Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O caso ganhou força após a divulgação de conversas nas quais Flávio teria cobrado repasses ao banqueiro, alegando que os recursos seriam aplicados integralmente no filme.

Os depósitos teriam ocorrido entre fevereiro e maio de 2025. Parte dos pagamentos teria atrasado, levando Flávio Bolsonaro a cobrar Vorcaro novamente em novembro, um dia antes da prisão do ex-banqueiro. A empresa utilizada para as transferências teria sido a Entre Investimentos e Participações, apontada como intermediária na operação.

Entre Investimentos aparece como peça central na movimentação dos recursos

A Entre Investimentos e Participações é apresentada no conteúdo como empresa que teria sido usada por Daniel Vorcaro para financiar o filme. De acordo com documentos citados na reportagem, a companhia é cotista de sete fundos ligados à rede do Banco Master, quatro deles com participação exclusiva da empresa.

Esses fundos somariam R$ 2,9 bilhões em ativos. Dois deles seriam cotistas diretos do fundo Hans II, descrito como peça central em uma estrutura investigada no âmbito das apurações sobre o Banco Master. Para a Polícia Federal, a Entre Investimentos teria funcionado como braço operacional de Vorcaro no repasse de recursos definidos pelo banqueiro.

A forma exata como o dinheiro chegou ao fundo nos Estados Unidos ainda não foi esclarecida. Especialistas citados no material analisado afirmam que operações com fundos podem ocorrer por várias camadas, com aquisição de direitos econômicos, venda de cotas, créditos ou outros instrumentos financeiros. Essa arquitetura pode dificultar o rastreamento da origem e do destino final dos valores, ainda que cada etapa tenha justificativa formal.

TCU é acionado para investigar possível uso indireto de recursos públicos

O caso também passou a envolver o Tribunal de Contas da União (TCU). O subprocurador-geral do Ministério Público junto ao TCU, Lucas Rocha Furtado, apresentou representação pedindo a apuração de possíveis irregularidades relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”.

A representação cita suspeitas sobre uso indireto de recursos públicos, aportes vinculados ao Banco Master e eventual ocultação da origem dos valores destinados ao longa. O documento menciona reportagens sobre diálogos entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, além da informação de que o acordo previa R$ 124 milhões, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente transferidos por meio da Entre Investimentos.

Furtado sustenta que o caso extrapola uma relação privada porque o Banco Master teria ampliado sua atuação com apoio de recursos públicos, incluindo operações envolvendo o BRB e investimentos de regimes próprios de previdência social. A representação pede diligências junto à Receita Federal, Ancine, Banco Central, CVM e Coaf.

Versões públicas dos envolvidos apresentam pontos ainda não esclarecidos

As versões apresentadas publicamente pelos envolvidos deixam pontos relevantes sem resposta definitiva. Flávio Bolsonaro afirma que buscou recursos privados para uma produção sobre o pai e nega irregularidades. Em discurso realizado em Campinas, no interior de São Paulo, defendeu o filme e declarou que o projeto seria uma homenagem legítima a Jair Bolsonaro.

Eduardo Bolsonaro também negou ter sido beneficiado por dinheiro de Daniel Vorcaro. Nas redes sociais, afirmou que a suspeita da Polícia Federal seria “tola” e argumentou que seu status migratório nos Estados Unidos não permitiria o recebimento de dinheiro proveniente de fundos de investimento. Disse ainda que explicou às autoridades americanas a origem de seus recursos durante processo migratório.

No entanto, segundo o material analisado, Eduardo não esclareceu qual era exatamente seu status migratório no momento em que os pagamentos foram feitos. Ele também afirmou que nem ele nem sua família seriam donos do filme, atribuindo a produção a mais de uma dezena de investidores. Para o ex-deputado, a produção teria sido feita nos Estados Unidos por razões comerciais e políticas.

André Porciuncula nega relação entre casa, Eduardo Bolsonaro e Banco Master

Procurado pela reportagem original, André Porciuncula afirmou que a residência adquirida pelo Mercury Legacy Trust não tem “nenhuma relação com Eduardo Bolsonaro” nem com o Banco Master. Questionado sobre quem seria o beneficiário da compra, disse que essa informação “não é de interesse público”.

Paulo Calixto não se manifestou à imprensa, segundo o conteúdo analisado. Uma secretária de seu escritório teria informado que o advogado não falaria com jornalistas. Eduardo Bolsonaro e Calixto também não teriam retornado chamadas feitas pela reportagem.

Calixto é descrito como advogado com mais de 20 anos de atuação nos Estados Unidos, especializado em estruturação patrimonial, imigração, vistos e autorizações. Documentos societários citados no material indicam que ele controla empresas no Texas e na Flórida, incluindo a própria Havengate, aberta em 2020.

Financiamento do filme se torna tema político na pré-campanha de Flávio Bolsonaro

A controvérsia ocorre em momento de maior exposição política de Flávio Bolsonaro, tratado no material como pré-candidato à Presidência da República. Em eventos no interior paulista, o senador defendeu sua atuação no financiamento do filme e afirmou que não havia obrigação de informar aliados previamente sobre sua relação com Daniel Vorcaro.

Flávio também atacou o Intercept Brasil, veículo que revelou as conversas sobre os repasses, e afirmou que não haveria ilegalidade no pedido de recursos privados para uma produção audiovisual. Em sua fala, sustentou que Vorcaro circulava entre autoridades, patrocinava eventos e era conhecido no meio político e empresarial antes do agravamento de sua situação jurídica.

O tema também gerou reação do presidente Lula, que ironizou Flávio Bolsonaro durante agenda pública em Barretos, ao mencionar que no local visitado não havia “dinheiro do Vorcaro”. A declaração ampliou a dimensão política do episódio, deslocando o caso do campo estritamente financeiro para o ambiente da disputa eleitoral e institucional.

Pontos centrais do caso

Entre os elementos já apresentados no material analisado, destacam-se:

  • Compra de casa no Texas por fundo ligado a Paulo Calixto, advogado próximo de Eduardo Bolsonaro;
  • Valor estimado de R$ 3,6 milhões na aquisição do imóvel em Arlington;
  • R$ 61 milhões que teriam sido repassados por Daniel Vorcaro ao fundo Havengate;
  • Entre Investimentos e Participações como intermediária dos recursos;
  • Investigação da Polícia Federal sobre possível custeio da estadia de Eduardo Bolsonaro nos EUA;
  • Representação ao TCU para apurar eventual uso indireto de recursos públicos;
  • Negativas públicas de Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e André Porciuncula;
  • Falta de esclarecimento definitivo sobre o destino final dos recursos e sobre a cadeia completa das transações.

*Com informações do Jornal Folha de S.Paulo.

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