A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira (15/05/2026) contra Cláudio Castro (PL), ex-governador do Rio de Janeiro, e contra alvos ligados ao empresário Ricardo Magro, dono da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, em uma operação que apura suspeitas de fraudes fiscais, ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior no setor de combustíveis. A decisão foi proferida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou a inclusão do nome de Magro na lista vermelha da Interpol, segundo as informações divulgadas sobre a operação. A ofensiva, denominada Operação Sem Refino, ocorre em meio ao avanço de investigações sobre a cadeia econômica dos combustíveis, segmento já alcançado por apurações anteriores envolvendo sonegação, lavagem de dinheiro e suspeita de infiltração de organizações criminosas. A condição de ex-governador de Cláudio Castro está relacionada à renúncia ao cargo em março de 2026, posteriormente seguida de decisão do TSE que o declarou inelegível por oito anos.
Polícia Federal investiga conglomerado econômico do setor de combustíveis
De acordo com a Polícia Federal, a Operação Sem Refino apura a atuação de um conglomerado econômico do ramo de combustíveis suspeito de utilizar estruturas societárias e financeiras para ocultar patrimônio, dissimular bens e promover evasão de recursos ao exterior. A investigação mira operações associadas a uma refinaria e a possíveis inconsistências fiscais e patrimoniais.
A ofensiva alcançou alvos nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. Conforme as informações disponíveis, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e determinadas sete medidas de afastamento de função pública. Entre os afastados estaria um desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
A decisão também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros, valor que evidencia a dimensão econômica da investigação. Embora o montante seja expressivo, a apuração ainda exige cautela jornalística: trata-se de medida cautelar, vinculada a suspeitas sob investigação, e não de condenação definitiva.
Cláudio Castro é alvo de buscas após deixar o Governo do Rio
Cláudio Castro, filiado ao PL, deixou o Governo do Rio de Janeiro em março de 2026. À época, a saída foi comunicada em meio ao calendário eleitoral e ao julgamento de ações no Tribunal Superior Eleitoral. No dia seguinte à renúncia, o TSE declarou sua inelegibilidade por oito anos, ao entender, por maioria, que houve abuso de poder político e econômico, condutas vedadas e captação ilícita de recursos nas eleições de 2022.
Na operação desta sexta-feira, Castro foi alvo de mandado de busca e apreensão. O advogado do ex-governador, Carlo Luchione, afirmou que ainda não tinha conhecimento da motivação da operação, segundo o conteúdo fornecido. Até o momento, não há no material analisado indicação de denúncia formal ou condenação relacionada especificamente à Operação Sem Refino.
A menção a Castro amplia a repercussão política da investigação porque envolve um ex-chefe do Executivo estadual do Rio de Janeiro, estado historicamente marcado por sucessivas crises administrativas, investigações de corrupção e disputas sobre a relação entre agentes públicos, grupos econômicos e organizações criminosas.
Ricardo Magro, Refit e investigações anteriores no setor de combustíveis
Ricardo Magro é apontado como dono da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, empresa já mencionada em apurações anteriores envolvendo o setor de combustíveis. Segundo as informações fornecidas, Magro vive fora do Brasil e teve a inclusão do nome na lista vermelha da Interpol determinada por decisão judicial.
A Refit também foi citada em investigações como as operações Carbono Oculto e Cadeia de Carbono, deflagradas anteriormente para apurar suspeitas de sonegação de impostos, irregularidades na importação de gasolina e fornecimento de combustíveis para postos ligados ao PCC. A Receita Federal informou, no contexto da Operação Carbono Oculto, que o esquema investigado mirava diferentes elos da cadeia de combustíveis, da importação à comercialização, incluindo mecanismos de ocultação patrimonial por meio de estruturas financeiras.
As investigações anteriores indicaram movimentação bilionária no setor. A Receita Federal estimou que a organização criminosa alvo da Operação Carbono Oculto movimentou cerca de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, com suspeitas de fraude fiscal, lavagem de dinheiro e uso de postos de combustíveis e instrumentos financeiros para dissimular recursos.
Conexão com a ADPF das Favelas levou caso ao STF
A decisão da Operação Sem Refino foi proferida por Alexandre de Moraes no STF em razão de conexão com a chamada ADPF das Favelas, ação que trata de temas relacionados à segurança pública, atuação estatal e relação de organizações criminosas com agentes públicos no Rio de Janeiro.
Essa conexão é relevante porque desloca a investigação para um ambiente institucional mais sensível: o Supremo Tribunal Federal. O caso deixa de ser apenas uma apuração econômico-fiscal e passa a dialogar com um quadro mais amplo de governança pública, criminalidade organizada, financiamento ilícito e possível captura de estruturas estatais.
O ponto central da investigação, segundo a PF, é verificar se empresas e agentes vinculados ao setor de combustíveis teriam utilizado arranjos societários e financeiros para ocultar bens, blindar patrimônio e deslocar recursos para fora do país. A existência dessas suspeitas não equivale a culpa judicialmente reconhecida, mas justifica medidas cautelares quando há indícios considerados relevantes pela autoridade judicial.
Setor de combustíveis virou foco de operações contra sonegação e lavagem de dinheiro
O setor de combustíveis tornou-se um dos principais alvos de operações recentes contra sonegação fiscal, adulteração de produtos, lavagem de dinheiro e atuação de organizações criminosas. A cadeia é considerada vulnerável porque movimenta grande volume financeiro, opera com margens estreitas, envolve múltiplas etapas comerciais e permite o uso de empresas intermediárias, distribuidoras, postos e fundos para dificultar o rastreamento de recursos.
Na Operação Carbono Oculto, órgãos federais apontaram suspeitas de atuação de diferentes organizações criminosas e de integrantes ligados ao PCC em etapas da cadeia de produção e distribuição de combustíveis. Os crimes investigados incluíam lavagem de dinheiro, fraude fiscal, crimes contra a ordem econômica, adulteração de combustíveis e crimes ambientais.
Esse histórico ajuda a compreender a relevância da Operação Sem Refino. A investigação contra alvos ligados à Refit e a Ricardo Magro não surge isoladamente, mas dentro de um ambiente de crescente pressão institucional sobre o setor, em razão de suspeitas de fraudes bilionárias e uso de estruturas empresariais para encobrir patrimônio e movimentações financeiras.
Principais pontos da Operação Sem Refino
A operação reúne elementos jurídicos, econômicos e políticos de grande impacto. Entre os pontos centrais estão:
- Alvos principais: Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro, e Ricardo Magro, dono da Refit.
- Autoridade responsável pela decisão: ministro Alexandre de Moraes, do STF.
- Medidas cumpridas: 17 mandados de busca e apreensão.
- Medidas funcionais: sete afastamentos de função pública.
- Estados alcançados: Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.
- Valor bloqueado: aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros.
- Objeto da investigação: suspeitas de fraudes fiscais, ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior.
- Contexto jurídico: conexão com a ADPF das Favelas.
- Situação de Ricardo Magro: determinação de inclusão na lista vermelha da Interpol, segundo o material analisado.
Defesas ainda não apresentaram manifestação conclusiva
Segundo o conteúdo fornecido, a defesa de Cláudio Castro informou que ainda não conhecia a motivação da operação. Já Ricardo Magro foi procurado por meio da assessoria de imprensa, mas não havia se manifestado até a publicação das informações utilizadas como base desta reportagem.
Esse ponto é essencial para preservar o equilíbrio jornalístico. Até que as defesas tenham acesso integral aos fundamentos da decisão e apresentem manifestação formal, a cobertura deve manter a distinção entre fatos processuais confirmados, suspeitas investigativas e acusações ainda não julgadas.
No Estado de Direito, medidas como busca e apreensão, bloqueio de ativos e afastamento de funções públicas são instrumentos cautelares de investigação. Elas podem indicar gravidade dos indícios, mas não substituem denúncia, instrução processual, contraditório e eventual sentença.








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