Neste domingo (03/05/2026), durante a oração do Regina Caeli na Praça São Pedro, no Vaticano, o papa Leão XIV afirmou que a fraternidade e a paz são o destino da humanidade, ao comentar o Evangelho do V Domingo do Tempo Pascal. Diante de fiéis e peregrinos, o Pontífice destacou que, no mistério de Deus, “há lugar para cada um” e que o mandamento novo de Jesus — amar uns aos outros como Ele amou — antecipa “o céu na terra”. Após a oração mariana, o Papa também confiou à intercessão de Maria suas intenções pela comunhão na Igreja e pela paz no mundo, recordou o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, homenageou jornalistas mortos em guerras e agradeceu à Associação Meter pelos 30 anos de atuação na defesa de menores contra abusos.
Leão XIV relaciona Evangelho do domingo à esperança cristã
Ao comentar o Evangelho proclamado neste V Domingo do Tempo Pascal, Leão XIV concentrou sua reflexão no diálogo de Jesus com os discípulos durante a Última Ceia. O trecho citado pelo Pontífice remete à promessa de Cristo: “Quando Eu tiver ido e vos tiver preparado lugar, virei novamente e hei de levar-vos para junto de mim, a fim de que, onde Eu estou, vós estejais também”.
Segundo o Papa, essas palavras ganham sentido pleno à luz da paixão, morte e ressurreição de Jesus. O que antes causava incompreensão ou inquietação nos discípulos passa, no tempo pascal, a iluminar a memória, aquecer o coração e alimentar a esperança.
Leão XIV afirmou que a experiência da Igreja nascente permite compreender que a promessa de Cristo não se limita a uma imagem distante, mas revela a certeza de que Deus prepara uma morada para todos. Essa ideia esteve no centro da mensagem papal: em Deus, ninguém é excluído, esquecido ou confundido com outro.
“Em Deus há lugar para cada um”, afirma o Papa
O Pontífice destacou que os apóstolos descobriram, no convívio com Jesus, que a casa do Pai é ampla e aberta. A imagem da casa, presente no Evangelho, foi interpretada como sinal da acolhida divina, na qual cada pessoa encontra o seu lugar preparado.
Leão XIV recordou que dois discípulos já haviam experimentado essa proximidade desde o primeiro encontro com Jesus, junto ao rio Jordão, quando foram convidados a permanecer com Ele. Agora, diante da proximidade da morte, Cristo volta a falar de uma casa, mas em dimensão maior: a casa do Pai.
“O Filho descreve-se como o servo que prepara os aposentos, para que cada irmão e irmã, ao chegar, encontre o seu pronto e se sinta desde sempre esperado e finalmente encontrado”, afirmou o Papa, ao associar a promessa evangélica à imagem de uma morada preparada para todos.
Crítica aos espaços de privilégio e exclusão
Em sua reflexão, Leão XIV observou que o mundo antigo, ainda presente na experiência humana, valoriza lugares exclusivos, privilégios e experiências reservadas a poucos. Essa lógica, segundo o Pontífice, marca relações sociais baseadas em competição, prestígio e separação.
Na perspectiva cristã, porém, o mundo novo inaugurado pelo Ressuscitado inverte esse critério. “No mundo novo para onde o Ressuscitado nos leva, aquilo que tem maior valor está ao alcance de todos”, disse o Papa.
O Pontífice afirmou ainda que, nesse horizonte, “a gratidão substitui a competição; a acolhida apaga a exclusão; a abundância já não implica desigualdade”. A mensagem sustenta uma visão espiritual de comunidade na qual a universalidade não elimina a singularidade de cada pessoa.
Valor infinito de cada pessoa no mistério de Deus
Leão XIV ressaltou que, em Deus, cada pessoa é finalmente ela mesma. A morte, afirmou o Pontífice, ameaça apagar o nome e a memória, mas o mistério divino preserva a identidade de cada um.
“Ninguém é confundido com outra pessoa, ninguém está perdido. A morte ameaça apagar o nome e a memória, mas em Deus cada um é finalmente ele mesmo”, declarou o Papa, ao tratar da esperança cristã diante da finitude humana.
A reflexão levou o Pontífice a destacar a centralidade da fé. “Tende fé em Deus e tende fé também em mim”, recordou Leão XIV, citando as palavras de Jesus. Para ele, essa fé liberta o coração da ansiedade de obter, possuir e buscar prestígio como forma de validação pessoal.
Fraternidade e paz como destino
Segundo Leão XIV, cada pessoa já possui valor infinito no mistério de Deus. Essa consciência, afirmou, é transmitida quando os cristãos vivem o mandamento novo do amor.
“Cada um tem já um valor infinito no mistério de Deus, que é a verdadeira realidade”, afirmou o Papa. Em seguida, acrescentou: “Amando-nos uns aos outros como Jesus nos amou, oferecemos a nós mesmos essa consciência. É o mandamento novo: assim antecipamos o céu na terra, revelamos a todos que a fraternidade e a paz são o nosso destino”.
Ao encerrar sua meditação antes da oração mariana, o Pontífice pediu a intercessão de Maria Santíssima, Mãe da Igreja, para que cada comunidade cristã seja uma casa aberta a todos e atenta a cada pessoa. “No meio de uma multidão de irmãos, no amor, cada um descobre ser único”, disse.
Papa confia à Virgem Maria oração pela paz e comunhão na Igreja
Após o Regina Caeli, Leão XIV dirigiu novas palavras aos fiéis reunidos na Praça São Pedro. No início do mês de maio, tradicionalmente dedicado à Virgem Maria, o Pontífice convidou os católicos à recitação do Terço.
“O mês de maio começou: em toda a Igreja renova-se a alegria de nos reunirmos em nome de Maria, nossa Mãe, especialmente para rezarmos juntos o Terço”, afirmou o Papa.
Leão XIV recordou a experiência dos discípulos reunidos no Cenáculo, entre a Ascensão de Jesus e o Pentecostes, quando invocavam o Espírito Santo na presença de Maria.
“Maria Santíssima estava no meio deles e seu coração guardava o fogo que animava a oração de todos”, disse.
O Pontífice confiou suas intenções a Maria, com destaque para a comunhão na Igreja e a paz no mundo. “Confio-vos minhas intenções, em particular pela comunhão na Igreja e pela paz no mundo”, declarou.
Dia Mundial da Liberdade de Imprensa é lembrado no Vaticano
Leão XIV também mencionou o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, celebrado em 3 de maio e promovido pela Unesco. A data é dedicada à defesa do direito à informação livre e à memória dos profissionais da imprensa mortos no exercício da profissão.
O Papa afirmou que esse direito é frequentemente violado, ora de maneira aberta, ora de forma dissimulada. “Infelizmente, esse direito é frequentemente violado, às vezes de forma flagrante, outras vezes de forma dissimulada”, declarou.
Em seguida, recordou os jornalistas e repórteres vítimas de guerras e da violência. “Recordamos os numerosos jornalistas e repórteres vítimas de guerras e da violência”, disse Leão XIV.
Liberdade de imprensa como garantia pública
A fala do Pontífice situou a liberdade de imprensa não apenas como prerrogativa profissional, mas como condição necessária para sociedades informadas. Ao recordar os jornalistas mortos, Leão XIV reforçou a responsabilidade de governos e instituições na proteção da atividade jornalística.
A menção ao tema no contexto do Regina Caeli amplia o alcance moral da data. Para a Igreja, a liberdade de informação se conecta à defesa da dignidade humana, da verdade pública e da vida daqueles que atuam em áreas de risco.
Nesse ponto, a mensagem papal dialoga diretamente com uma preocupação contemporânea: a erosão de garantias à imprensa em ambientes de guerra, regimes autoritários, crises políticas e contextos de violência organizada.
Associação Meter é agradecida por 30 anos de atuação
Entre as saudações feitas após a oração, Leão XIV destacou a atuação da Associação Meter, que completa 30 anos de atividades voltadas à proteção de menores contra abusos.
“Saúdo a Associação Meter, que há trinta anos se empenha em defender os menores contra o flagelo dos abusos, envolvendo a comunidade eclesial e a civil, educando para estar ao lado das vítimas e para a prevenção”, afirmou o Papa.
Ao reconhecer publicamente a entidade, Leão XIV reforçou a necessidade de compromisso permanente com a proteção de crianças e adolescentes. “Obrigado pelo vosso serviço!”, declarou o Pontífice.
A defesa dos menores foi tratada como tema de responsabilidade compartilhada entre Igreja, instituições públicas, famílias e sociedade.
Saudação aos peruanos e peregrinos presentes em Roma
O Papa também saudou peregrinos de diferentes países presentes na Praça São Pedro, entre eles grupos vindos de Madri, Granada, Minneapolis e Malásia, além de professores das Escolas das Irmãs Franciscanas dos Sagrados Corações.
Uma saudação especial foi dirigida aos peruanos em Roma ligados à Associação Virgem de Chapi de Arequipa. A referência teve dimensão pessoal, pois Leão XIV viveu parte de sua missão no Peru.
A menção aos fiéis peruanos reforçou o vínculo pastoral do Pontífice com comunidades latino-americanas e com devoções populares marianas, especialmente no contexto do mês de maio.








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