A presidente do PT Salvador, Ana Carolina, criticou nesta quarta-feira, 13/05/2026a gestão do prefeito Bruno Reis e o grupo político de ACM Neto após protestos de mães, educadores e profissionais da educação contra problemas na merenda escolar de escolas comunitárias conveniadas à Prefeitura de Salvador. Segundo a dirigente partidária, quase 30 mil crianças seriam afetadas por repasses considerados insuficientes, fornecimento irregular de alimentos, quantidades inadequadas e questionamentos sobre a qualidade da alimentação oferecida. O ato, realizado na terça-feira (12/05/2026), foi identificado por veículos locais como mobilização do movimento “Pratos Vazios”, organizado por representantes de escolas comunitárias que cobram regularidade e melhores condições para a alimentação infantil.
Ana Carolina afirmou que a crise na alimentação escolar expõe uma falha de prioridade da gestão municipal. Para a presidente do PT Salvador, a merenda não pode ser tratada como concessão administrativa, mas como direito das crianças e obrigação do poder público.
“Não existe projeto desenvolvido de cidade quando falta comida no prato das crianças. A merenda escolar não é favor da Prefeitura, é um direito das crianças e uma obrigação do poder público. Uma cidade que nega comida de qualidade às suas crianças está falhando no presente e comprometendo o futuro”, declarou a dirigente partidária.
A fala foi feita no contexto das críticas ao valor destinado à alimentação de estudantes de escolas comunitárias. De acordo com relatos divulgados sobre a manifestação, representantes das instituições apontam que o repasse seria de aproximadamente R$ 2,39 a R$ 2,40 por criança, valor considerado insuficiente para garantir refeições adequadas ao longo do dia.
Protesto reuniu mães, educadores e profissionais da educação em Salvador
O protesto realizado na capital baiana reuniu mães, educadores e profissionais vinculados às escolas comunitárias. A mobilização cobrou regularidade no fornecimento da merenda e melhores condições para as unidades que atendem crianças em situação de maior vulnerabilidade social.
Segundo reportagem do BNews, representantes de cerca de 100 creches participaram do ato, que mobilizou escolas comunitárias responsáveis pelo atendimento de quase 30 mil crianças em Salvador. Os manifestantes usaram cartazes e o slogan “Pratos Vazios” para denunciar o que classificam como precariedade na alimentação escolar.
Para Ana Carolina, a manifestação não deve ser interpretada apenas como ato político ou simbólico, mas como expressão concreta das dificuldades vividas diariamente pelas famílias que dependem da rede conveniada. “O protesto não é apenas um ato simbólico, e sim um retrato da realidade da nossa cidade enfrentada diariamente por milhares de crianças que dependem dessa alimentação como uma das principais refeições do seu dia”, afirmou.
Alimentação escolar é tratada como política pública de permanência estudantil
A presidente do PT Salvador defendeu que a alimentação escolar deve ser compreendida como política pública vinculada à educação, à permanência estudantil e à proteção social. Para ela, o problema não se limita à gestão de contratos ou repasses, mas envolve o funcionamento básico da rede de atendimento à infância.
“Não é razoável que mães e profissionais da educação precisem ir para as ruas implorar por condições mínimas para alimentar as crianças. Não é razoável que mães tenham medo de deixar seus filhos em escolas sem garantia de alimentação adequada. E não é razoável que a gestão municipal trate com naturalidade uma crise tão grave”, declarou.
A legislação federal reforça essa leitura institucional. A Lei nº 11.947/2009 estabelece que a alimentação escolar é direito dos alunos da educação básica pública e dever do Estado, devendo contribuir para crescimento, aprendizagem, rendimento escolar e formação de hábitos alimentares saudáveis.
Dirigente compara gestão municipal com ações do Governo da Bahia
Ana Carolina também comparou a situação denunciada em Salvador com políticas adotadas pelo Governo da Bahia na área da educação. Segundo ela, enquanto a capital enfrenta queixas relacionadas à merenda escolar e aos repasses para creches comunitárias, o governo estadual teria ampliado investimentos em educação em tempo integral, alimentação escolar e compra de produtos da agricultura familiar.
“Ao tempo em que a Prefeitura nega um direito tão importante para as nossas crianças, o Governo do Estado propicia uma alimentação de qualidade vinda da agricultura familiar, com responsabilidade. Então, nas escolas estaduais temos todas as refeições com qualidade, com comida de verdade no prato dos nossos jovens e das nossas crianças”, afirmou.
No âmbito federal, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) prevê diretrizes para alimentação saudável, adequada e vinculada ao desenvolvimento local. O FNDE informa que a conexão entre alimentação escolar e agricultura familiar busca incentivar alimentos variados, seguros, sazonais e produzidos localmente.
Prefeitura de Salvador cita parâmetros federais do PNAE
Reportagem do Farol da Bahia informou que, em resposta ao veículo, a Secretaria Municipal da Educação de Salvador afirmou que os repasses vinculados ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) seguem parâmetros definidos pelo Governo Federal, conforme a Resolução CD/FNDE nº 1, de 18 de fevereiro de 2026. O órgão citou valores federais de R$ 1,57 por aluno para creches e ensino integral e R$ 0,82 por aluno para pré-escola.
O FNDE divulgou em fevereiro de 2026 a atualização dos valores do PNAE, com repasses de R$ 0,57 para ensino fundamental, médio e EJA; R$ 0,82 para pré-escola; R$ 0,98 para escolas indígenas e quilombolas; e R$ 1,57 para creches e tempo integral.
A controvérsia, portanto, envolve a diferença entre os parâmetros federais, a complementação municipal, as condições operacionais das escolas comunitárias e a capacidade de garantir alimentação regular e adequada às crianças atendidas pela rede conveniada.
Críticas recaem sobre Bruno Reis e o grupo de ACM Neto
No plano político, Ana Carolina responsabilizou a gestão Bruno Reis e o grupo de ACM Neto pela crise apontada nas escolas comunitárias. A dirigente petista afirmou que Salvador poderia ter outra realidade se a política municipal de educação infantil recebesse maior prioridade administrativa.
Para ela, a situação descrita por mães e profissionais da educação indica falha de cuidado com crianças e famílias vulneráveis.
“Na Bahia, o Governo do Estado tem demonstrado que quando existe prioridade política, é possível investir em alimentação, fortalecer a educação pública e garantir política de cuidado para a população mais vulnerável”, disse.








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