A presidente do Partido dos Trabalhadores de Salvador, Ana Carolina, criticou a aprovação do projeto que concede o Título de Cidadão Soteropolitano ao senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A proposta, apresentada pela Mesa Diretora da Câmara Municipal de Salvador, foi aprovada na quarta-feira (06/05/2026) e provocou reação da dirigente petista, que questionou quais serviços teriam sido prestados pelo parlamentar à capital baiana para justificar a concessão da honraria.
Ana Carolina questiona homenagem a Flávio Bolsonaro em Salvador
A dirigente municipal do PT afirmou que a concessão do título não teria relação com serviços prestados por Flávio Bolsonaro à cidade de Salvador. Para Ana Carolina, a aprovação da honraria teria motivação política e estaria associada à tentativa de fortalecer a imagem do senador no cenário eleitoral.
“O que Flávio Bolsonaro fez por Salvador para receber o título de cidadão da cidade? A resposta é nada, absolutamente nada. Ele não tem uma relação com a nossa cidade, nem propor projetos para Salvador ele pode por ter mandato fora daqui.”
A declaração foi feita após a aprovação do projeto pela Câmara Municipal. O Título de Cidadão Soteropolitano é uma das principais honrarias concedidas pelo Legislativo municipal a pessoas que, mesmo não nascidas em Salvador, são reconhecidas por atuação considerada relevante para a cidade.
Segundo Ana Carolina, a indicação aprovada pela Casa Legislativa deve ser interpretada no contexto da disputa política entre o campo governista federal, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e setores da direita alinhados ao bolsonarismo.
Dirigente associa aprovação a articulação política da direita
Ana Carolina também relacionou a aprovação do título ao grupo político do ex-prefeito ACM Neto, adversário do PT na Bahia. A presidente do PT de Salvador afirmou que a homenagem teria sido articulada por forças da oposição ao governo Lula no estado.
“Mas infelizmente a extrema direita e o grupo de ACM Neto, candidato ao Governo que é anti-Lula na Bahia e aliado da família Bolsonaro, conseguiram aprovar o projeto para tentar melhorar a imagem do filho do ex-presidente de olho nas eleições.”
A fala expõe o tom de confronto político que cerca a homenagem. Para a dirigente petista, a concessão do título ocorre em meio à movimentação eleitoral e à tentativa de ampliar a presença política de Flávio Bolsonaro na Bahia.
O senador é um dos nomes associados ao campo bolsonarista em articulações nacionais. A crítica do PT de Salvador busca enfatizar a ausência, segundo o partido, de vínculos administrativos, legislativos ou sociais diretos entre Flávio Bolsonaro e a capital baiana.
PT afirma que homenagem não terá impacto eleitoral
Na avaliação de Ana Carolina, a aprovação do título não deve produzir efeitos relevantes no ambiente eleitoral baiano. A dirigente sustentou que a família Bolsonaro enfrenta resistência política no estado e afirmou que a oposição ao projeto cumpriu seu papel ao votar contra a homenagem.
“Nós da oposição cumprimos nosso papel e rejeitamos a indicação. Seguimos ao lado do povo de Salvador e de todo o estado apoiando o presidente Lula.”
Ana Carolina também afirmou que o PT pretende manter a Bahia como base de apoio expressivo ao presidente Lula e ao governador Jerônimo Rodrigues. A dirigente vinculou a crítica à homenagem ao debate sobre o legado do governo Jair Bolsonaro, citando desemprego, fome e retrocessos sociais como elementos de desgaste político do bolsonarismo.
“Mais uma vez, daremos a maior votação a ele na Bahia, porque o povo da Bahia reconhece os retrocessos e perversidades da gestão de Bolsonaro, que levou o país ao recorde do desemprego e de volta ao Mapa da Fome.”
A petista concluiu a manifestação afirmando que a Bahia deverá reafirmar sua posição política nas urnas.
“Mas a Bahia vai dar mais uma vez o seu recado e eleger Lula presidente e Jerônimo governador.”
Honraria municipal entra no centro da disputa política
A concessão de títulos honoríficos por câmaras municipais costuma ter caráter simbólico e institucional. No entanto, em contextos de polarização política, esse tipo de homenagem pode adquirir dimensão eleitoral, especialmente quando envolve nomes vinculados a projetos nacionais de poder.
No caso de Flávio Bolsonaro, a crítica do PT de Salvador se concentra em três pontos principais:
- ausência de vínculo direto apontado pelo partido entre o senador e Salvador;
- uso político da honraria em ano de articulação eleitoral;
- aproximação entre o bolsonarismo e setores da oposição baiana ao PT.
A controvérsia também evidencia a disputa por narrativas no campo político baiano. Enquanto a aprovação do título representa uma sinalização institucional de apoio de parte da Câmara Municipal ao senador, a reação petista busca deslegitimar a homenagem ao questionar seus fundamentos públicos.
Repercussão envolve Salvador, Bahia e cenário nacional
A fala de Ana Carolina ultrapassa o debate local sobre a concessão de uma honraria municipal. Ao mencionar Lula, Jerônimo Rodrigues, ACM Neto e a família Bolsonaro, a presidente do PT de Salvador insere o episódio na disputa mais ampla pelo comando político da Bahia e pela sucessão presidencial.
O episódio também reforça a centralidade de Salvador como espaço estratégico para articulações políticas nacionais. A capital baiana concentra visibilidade institucional, força simbólica e peso eleitoral relevante, o que torna decisões da Câmara Municipal objeto de repercussão para além do âmbito legislativo local.
A reação petista indica que a homenagem a Flávio Bolsonaro será utilizada politicamente como argumento contra a aproximação entre setores da direita baiana e o bolsonarismo. Por outro lado, a aprovação do projeto demonstra que o senador mantém apoio entre vereadores e grupos políticos com presença no Legislativo municipal.











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