Em meio aos desdobramentos da decisão da Justiça Federal que proibiu o abate de jumentos no Brasil, foi confirmada a realização do IV Workshop Internacional “Jumentos do Brasil: Futuro sustentável”, que ocorrerá entre os dias 6 e 8 de maio de 2026, na Assembleia Legislativa da Bahia, em Salvador. O evento reunirá pesquisadores, autoridades públicas, organizações da sociedade civil e especialistas estrangeiros para discutir soluções econômicas, ambientais e biotecnológicas voltadas à preservação e uso sustentável da espécie no país .
A proibição do abate, determinada pela 1ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária da Bahia em 13 de abril, alterou significativamente o cenário envolvendo a cadeia produtiva associada aos jumentos no Brasil. A medida, ainda sujeita a consolidação legislativa no Congresso Nacional, impõe a necessidade de reorganização econômica e sanitária para o destino desses animais .
Nesse contexto, o workshop surge como espaço estratégico para a construção de diretrizes. A programação prevê a participação de instituições como a Universidade Federal da Bahia, Universidade de São Paulo e Universidade Federal do Paraná, além de entidades internacionais como a The Donkey Sanctuary. O objetivo é integrar conhecimento científico, políticas públicas e práticas sustentáveis .
Programação aborda biotecnologia, economia e conservação
Durante os dois primeiros dias, o evento contará com painéis e plenárias temáticas que abordam:
- Economia, saúde única e ecossistemas
- Agricultura celular e inovação biotecnológica
- Dinâmicas do comércio global de peles
Entre os destaques está o debate sobre alternativas ao uso de peles na produção de ejiao, substância tradicional chinesa derivada de colágeno animal. Pesquisas conduzidas pela UFPR, sob coordenação da Dra. Carla Molento, exploram a produção de colágeno por fermentação de precisão, apontada como solução ética e sustentável .
Também serão apresentados estudos sobre os impactos sanitários e ambientais do comércio internacional de peles, incluindo possíveis conexões com tráfico de animais e crime organizado, conforme análises de especialistas internacionais .
Queda populacional e pressão internacional ampliam urgência
Dados de pesquisadores indicam uma redução de 94% na população de jumentos no Brasil entre 1996 e 2024, com base em informações da FAO, IBGE e Agrostat. O fenômeno está diretamente associado à exportação de peles, sobretudo para a China, principal mercado consumidor do ejiao .
A demanda chinesa, estimada atualmente em 5,9 milhões de peles por ano, pode alcançar 6,8 milhões até 2027. Diante da escassez interna, o país passou a intensificar importações, pressionando populações de jumentos em outras nações, incluindo o Brasil .
Visita técnica e elaboração de diretrizes
No terceiro dia, os participantes visitarão a Fazenda Manoino, no interior da Bahia, onde vivem animais resgatados em operação do Ministério Público da Bahia realizada em 2019, no município de Canudos. A atividade busca integrar teoria e prática na formulação de soluções concretas .
O encerramento do workshop prevê a elaboração de um documento com recomendações para políticas públicas e estratégias de longo prazo, com potencial impacto sobre legislações futuras e programas de proteção animal.











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