Na sexta-feira (01/05/2026), trabalhadores participaram de atos de 1º de Maio em várias cidades do país para defender a redução da jornada de trabalho sem redução salarial e pressionar o Congresso Nacional pela aprovação do projeto que busca encerrar a escala 6×1, modelo em que o empregado trabalha seis dias e tem apenas um dia de folga semanal. Em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, a mobilização organizada pela CUT, sindicatos e movimentos sociais reuniu lideranças do PT, entre elas Edinho Silva, Fernando Haddad e Luiz Marinho, que defenderam a ampliação do descanso semanal para dois dias de folga.
Atos defendem redução da jornada sem corte de salário
As mobilizações do Dia do Trabalhador tiveram como eixo central a reivindicação por condições dignas de trabalho, combate à precarização e revisão da escala 6×1. A proposta defendida pelo PT prevê uma semana com cinco dias de trabalho e dois dias de descanso, preservando integralmente os salários.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que o momento é de demonstrar apoio ao projeto enviado ao Congresso pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em abril. Segundo ele, a mudança permitiria aos trabalhadores mais tempo para família, lazer, cultura, esporte, saúde e estudo.
Edinho também citou outras pautas trabalhistas e sociais defendidas pelo governo, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a equiparação salarial entre homens e mulheres e a política de valorização do salário mínimo.
Haddad diz confiar em votação da proposta no Congresso
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, afirmou acreditar na disposição da Mesa da Câmara dos Deputados para pautar a redução da jornada. Segundo ele, a discussão sobre a semana de 40 horas está presente na sociedade desde a Constituição de 1988.
Haddad enfatizou que a proposta deve ser aprovada sem redução salarial. Para ele, a jornada 6×1 precisa ser enfrentada como uma pauta estrutural da classe trabalhadora.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, declarou que o governo cumpriu sua etapa ao encaminhar o projeto ao Congresso, mas afirmou que a aprovação dependerá da mobilização social. Segundo ele, cabe aos trabalhadores manterem pressão política para transformar a proposta em conquista concreta.
Mulheres e trabalhadores em escalas exaustivas
As ex-ministras Marina Silva e Simone Tebet, que devem compor a chapa petista em São Paulo, também defenderam o fim da escala 6×1. Ambas destacaram que as mulheres estão entre os grupos mais afetados por jornadas exaustivas.
A pauta dialoga com temas mais amplos do mundo do trabalho, como divisão desigual das tarefas domésticas, sobrecarga familiar e dificuldade de conciliar emprego, estudo, saúde e convivência social.
Além da redução da jornada, os atos também abordaram o combate ao feminicídio, a valorização salarial e a defesa de políticas públicas voltadas à proteção social.
Haddad critica pauta da extrema direita
Durante o ato em São Bernardo do Campo, Haddad afirmou que o trabalhador seria o principal prejudicado por agendas associadas à extrema direita. Segundo ele, essas forças políticas buscariam reduzir direitos sociais, limitar políticas de valorização salarial e transferir custos econômicos para os segmentos mais vulneráveis.
O ex-ministro citou declarações do senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, sobre a política de correção do salário mínimo. Haddad associou essa posição a uma agenda de contenção de gastos sociais.
Segundo Haddad, a disputa política envolve dois modelos: de um lado, a preservação de direitos trabalhistas e políticas públicas; de outro, propostas que, em sua avaliação, favorecem privatizações e cortes sociais.
Mobilizações ocorreram em várias capitais
Além de São Bernardo do Campo, atos foram registrados em Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, Vitória, Goiânia, Curitiba, Recife, Aracaju e Porto Alegre.
No estado de São Paulo, também ocorreram celebrações em cidades como Osasco e Campinas. As manifestações combinaram atividades culturais, discursos políticos e reivindicações trabalhistas.
A escala 6×1 apareceu como a principal bandeira das mobilizações, ao lado de cobranças por melhores condições de trabalho, proteção social e valorização da renda.











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