A utilização do princípio ativo injetável tirzepatida (Mounjaro) no Sistema Único de Saúde (SUS) pode gerar impactos na rede pública de saúde e na economia municipal. A avaliação foi apresentada pelo médico William Campinho, do Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), durante pronunciamento na Tribuna Livre da Câmara Municipal de Feira de Santana na quinta-feira (21/05/2026), em apoio ao Projeto de Lei nº 1/2026, de autoria do vereador Marcos Lima (União), já aprovado pelo Legislativo.
Discussão no Legislativo e proposta de diretrizes para uso da tirzepatida
O projeto em análise autoriza o Município a estabelecer diretrizes para a disponibilização e aplicação da tirzepatida na rede pública de saúde, com foco no tratamento da obesidade. Segundo o médico William Campinho, a medida pode ter efeito na redução de custos relacionados a doenças associadas ao excesso de peso.
O profissional afirmou que o debate envolve a comparação entre custos de tratamento e custos da ausência de intervenção clínica. Ele mencionou doenças associadas à obesidade, como diabetes, acidente vascular cerebral (AVC), depressão e complicações cardiovasculares.
O médico destacou que o uso estruturado do medicamento pode influenciar na organização do tratamento e na redução do tempo de intervenção clínica em comparação com protocolos anteriores.
Evolução do tratamento da obesidade no SUS e impacto clínico
William Campinho relatou que, em 2003, o tratamento da obesidade no SUS estava concentrado em procedimentos cirúrgicos, com indicação restrita a casos de obesidade grave. Segundo ele, parte dos pacientes acompanhados à época não atingia critérios cirúrgicos e retornava posteriormente com aumento de peso.
O médico afirmou que a tirzepatida passou a integrar novas possibilidades terapêuticas no tratamento da obesidade, com resultados comparáveis a intervenções cirúrgicas em determinados casos, conforme protocolos clínicos citados.
Ele também afirmou que o uso do medicamento não deve ocorrer de forma isolada, sendo necessária estrutura de acompanhamento multiprofissional para tratamento da obesidade como doença crônica.
Obesidade como condição crônica e impactos em saúde pública
Durante o pronunciamento, o médico classificou a obesidade como condição crônica associada a doenças como diabetes, apneia, infarto, gordura no fígado e depressão. Ele relacionou o quadro a fatores de risco cardiovasculares e mortalidade associada.
O especialista citou estimativas de 2025 indicando que cerca de 60% da população brasileira apresenta sobrepeso ou obesidade. Segundo ele, esse cenário amplia a demanda por políticas públicas de saúde e estratégias de tratamento no sistema público.
O profissional também afirmou que parte dos pacientes em tratamento com tirzepatida apresenta melhora em parâmetros clínicos relacionados a diabetes e hipertensão, conforme acompanhamento médico.
Impactos econômicos e análise de viabilidade no sistema público
William Campinho defendeu que o uso estruturado da tirzepatida pode resultar em redução de custos indiretos no sistema de saúde, ao diminuir a incidência de complicações associadas à obesidade.
Ele também afirmou que o tema envolve impacto no orçamento das famílias e na rede pública, considerando a necessidade de tratamentos contínuos para doenças associadas.
O médico ressaltou que a proposta em debate no Legislativo municipal insere o tema da obesidade na agenda de políticas públicas de saúde em Feira de Santana.








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