Vereador André Fraga cobra investigação após ataque armado em área de preservação na Chapada Diamantina

O vereador André Fraga (PV) cobrou investigação rápida e rigorosa sobre o ataque armado ocorrido na madrugada de 30 de abril de 2026, no Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA) Toca do Lobo, localizado na Serra da Chapadinha, em Itaetê, na Chapada Diamantina. Em entrevista à TV Câmara Salvador, antes da sessão de terça-feira (05/05/2026), o parlamentar afirmou que o atentado atingiu uma área considerada estratégica para a recarga hídrica da Bahia, para a conservação ambiental e para a proteção de espécies ameaçadas, além de expor a gravidade dos conflitos fundiários e socioambientais na região.

Ataque atingiu posto ambiental na Serra da Chapadinha

O atentado ocorreu no Posto Avançado da RBMA Toca do Lobo, estrutura utilizada como ponto de apoio para ações ambientais na Chapada Diamantina. De acordo com relatos divulgados por entidades que acompanham conflitos socioambientais na região, homens armados invadiram o local, fizeram os guardiões Marcos e Alcione reféns e incendiaram a residência usada na área.

A ação resultou na destruição de equipamentos essenciais para a permanência e o trabalho dos guardiões no território. Foram atingidos sistemas de energia solar, baterias, meios de comunicação, estruturas de abastecimento e itens utilizados no monitoramento ambiental.

O episódio foi denunciado por entidades como a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Observatório dos Conflitos Socioambientais da Chapada Diamantina (OCA), que passaram a cobrar investigação rigorosa, proteção para comunidades e lideranças locais e responsabilização dos autores do ataque.

Área é considerada estratégica para segurança hídrica

Ao comentar o caso, André Fraga afirmou que a Serra da Chapadinha tem relevância ambiental direta para a Bahia por sua função na recarga hídrica. Segundo o vereador, ataques a áreas de preservação não devem ser tratados como ocorrências isoladas, pois afetam territórios que cumprem papel essencial na manutenção de recursos naturais.

“A Serra da Chapadinha é um espaço fundamental para a recarga hídrica da Bahia. Por isso, uma violência desse tipo numa região tão importante não pode prosperar”, declarou o vereador.

Fraga também relacionou a preservação da Chapada Diamantina ao abastecimento e à qualidade ambiental de outras regiões do estado. Para ele, decisões e conflitos em áreas de conservação ultrapassam os limites municipais e têm reflexos mais amplos.

Violência no campo reacende alerta na Chapada Diamantina

O ataque à Toca do Lobo ocorre em uma região marcada por tensões envolvendo disputas por terra, grilagem, especulação imobiliária, pressão sobre áreas de preservação e interesse de projetos de mineração. Esse conjunto de fatores amplia a vulnerabilidade de comunidades locais, guardiões ambientais e lideranças que atuam na defesa de territórios sensíveis.

Segundo as denúncias das entidades, os criminosos mantiveram as vítimas sob coerção, roubaram pertences e incendiaram a estrutura instalada no local. O prejuízo material comprometeu equipamentos usados para comunicação, energia e monitoramento, elementos indispensáveis para a permanência segura dos guardiões na área.

Para André Fraga, o episódio se insere em um quadro mais amplo de violência contra defensores ambientais no Brasil. “Foi um terror literalmente”, afirmou o vereador, ao defender que a apuração seja conduzida com prioridade pelas autoridades competentes.

Mandato acionou a Polícia Civil e cobra inquérito

O vereador informou que seu mandato já acionou a Polícia Civil para solicitar a instauração rápida de inquérito. A cobrança central é que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados, evitando que a violência se repita em outras áreas de preservação.

“Solicitamos que a Polícia Civil instaure rapidamente o inquérito, para que esse tipo de violência no campo, numa região tão importante como a Chapada Diamantina, não prospere. É necessário que os responsáveis sejam identificados urgentemente e responsabilizados”, afirmou Fraga.

A cobrança também envolve a adoção de medidas de proteção para pessoas que atuam diretamente na defesa ambiental da região. CPT e OCA defendem que comunidades, lideranças e guardiões recebam garantias efetivas de segurança diante do agravamento dos conflitos.

Proteção ao guigó-da-caatinga integra ações ambientais

A Toca do Lobo também funciona como ponto de apoio para iniciativas de conservação de espécies ameaçadas, entre elas o guigó-da-caatinga, primata em risco de extinção. A destruição da estrutura, portanto, afeta não apenas os guardiões que vivem e trabalham no território, mas também ações de proteção da biodiversidade.

A presença de espécies ameaçadas reforça a importância da área para políticas de conservação ambiental. Em regiões como a Chapada Diamantina, a preservação de ecossistemas está diretamente associada à proteção da fauna, à manutenção de nascentes e à segurança hídrica.

Nesse contexto, o ataque ao posto ambiental amplia a pressão sobre órgãos públicos, sistema de segurança e instituições ambientais para que atuem de forma coordenada na apuração do caso e na prevenção de novos episódios.

André Fraga relaciona preservação da Chapada ao abastecimento de Salvador

Durante a entrevista, André Fraga afirmou que a preservação da Chapada Diamantina tem impacto direto sobre outras regiões da Bahia, inclusive Salvador. O vereador argumentou que a proteção de territórios de recarga hídrica deve ser compreendida como tema de interesse estadual.

Às vezes as pessoas acham que isso não tem relação com Salvador, mas tem. O planeta é um só. A água que chega na torneira em Salvador depende da proteção desses territórios”, pontuou.

A fala busca ampliar a compreensão pública sobre a relação entre conservação ambiental, segurança hídrica e qualidade de vida urbana. Para o parlamentar, a violência contra guardiões ambientais deve ser enfrentada não apenas como questão policial, mas também como problema institucional, social e ambiental.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner do Governo da Bahia: Campanha Ações Bahia Projetos Institucionais 0526.
Banner da CMFS: Campanha de abril de 2026 2.
Banner do INSV 20260303.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading