O Governo da Bahia, sob a liderança do governador Jerônimo Rodrigues, inaugurou, neste domingo, 28/06/2026, em Salvador, a Bahia Filmes, primeira empresa pública estadual dedicada ao audiovisual no Brasil, com a missão de fortalecer a cadeia produtiva do setor, atrair investimentos, ampliar a presença de obras baianas nos mercados nacional e internacional e transformar a produção audiovisual em vetor de desenvolvimento cultural, econômico e social.
Bahia Filmes inicia operação no Comércio, em Salvador
A cerimônia de lançamento ocorreu na sede da companhia, instalada no edifício Oscar Cordeiro, no bairro do Comércio, em Salvador. O ato reuniu representantes do Governo da Bahia, profissionais do audiovisual, artistas, produtores, comunicadores e instituições parceiras.
Além da nova empresa, o edifício passa a abrigar a Diretoria de Audiovisual da Fundação Cultural do Estado da Bahia (DIMAS) e a Cinemateca, apresentada como espaço destinado à preservação, valorização e difusão do cinema baiano.
A instalação conjunta desses organismos cria um núcleo institucional voltado ao audiovisual, concentrando políticas públicas, memória cinematográfica, gestão cultural e articulação de mercado em uma mesma estrutura administrativa.
Empresa nasce como sociedade de economia mista
Criada por meio da Lei Estadual nº 14.877/2025, a Bahia Filmes resulta de um processo de construção em diálogo com o setor audiovisual. A companhia foi concebida como sociedade de economia mista, com atuação voltada à articulação de investimentos, promoção de negócios, fortalecimento de produções locais e ampliação da circulação das obras baianas.
A estrutura jurídica adotada permite à empresa atuar em conexão com o poder público, o mercado, instituições de formação, produtores independentes, empresas especializadas e agentes culturais. A proposta central é criar condições permanentes para que o audiovisual baiano avance em escala, profissionalização e inserção comercial.
Segundo o Governo da Bahia, a companhia terá atuação em diferentes etapas da cadeia produtiva, incluindo captação de recursos públicos e privados, apoio à distribuição e comercialização de obras, atração de filmagens para o território baiano, formação profissional, promoção de talentos e desenvolvimento de novos negócios.
Jerônimo defende integração entre financiamento, mercado e universidades
Durante o lançamento, o governador Jerônimo Rodrigues afirmou que a Bahia possui participação relevante no audiovisual brasileiro e destacou a necessidade de combinar financiamento, parcerias empresariais e formação profissional.
“Temos muitos produtores, realizadores e artistas. Por isso, além das linhas de financiamento, estamos anunciando um edital específico para fortalecer o setor. Queremos ampliar as parcerias com empresas da cadeia do audiovisual, mas também é fundamental estarmos articulados com as universidades, para investir na formação, na qualificação profissional e na produção de conhecimento. É assim que vamos consolidar e fortalecer esse segmento no estado”, declarou.
A fala do governador indica que a política estadual para o audiovisual pretende ir além do apoio pontual a produções. A orientação anunciada busca integrar recursos, qualificação, pesquisa, mercado e circulação de obras, elementos considerados decisivos para estruturar uma cadeia produtiva estável.
Governo aposta em economia criativa e geração de renda
A Bahia Filmes foi apresentada como instrumento de fortalecimento da economia criativa, com potencial para gerar emprego, renda e novas oportunidades para profissionais e empresas do setor. A lógica defendida pelo governo é transformar a reconhecida vocação cultural da Bahia em política econômica organizada.
Entre as frentes previstas, estão ações para atrair produções nacionais e internacionais ao território baiano. Esse tipo de iniciativa pode movimentar áreas como locação de equipamentos, cenografia, alimentação, hospedagem, transporte, figurino, pós-produção, comunicação e serviços técnicos.
A empresa também deverá atuar na promoção de obras baianas fora do estado e do país, ampliando a presença de realizadores locais em circuitos de exibição, festivais, plataformas, rodadas de negócios e mercados especializados.
Bruno Monteiro afirma que empresa fortalece todas as etapas do setor
O secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro, classificou a inauguração como um marco para a política cultural baiana e para o desenvolvimento econômico associado ao audiovisual.
“Com a Bahia Filmes, investimos nas políticas de permanência. Ajudamos a estruturar o setor, a mapear, investir em novas produções e, ao mesmo tempo, colaboramos na comercialização de produções, no apoio à toda estruturação da rede de mercado, nos programas de formação. É o setor do audiovisual sendo fortalecido em todas as suas etapas, para que a Bahia, que é cenário e inspiração, que tem profissionais e produções de tanta qualidade, possa viver um novo momento de desenvolvimento cultural e econômico por meio do audiovisual”, afirmou.
A declaração reforça a diretriz de atuação sistêmica. Em vez de concentrar esforços apenas na produção de filmes, a Bahia Filmes pretende atuar também em diagnóstico, formação, distribuição, comercialização e articulação institucional.
Ministério da Cultura vê demanda histórica do audiovisual baiano
A secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, Joelma Oliveira Gonzaga, também participou do ato e destacou o significado nacional da criação da empresa.
“Como filha dessa terra, vejo aqui o Brasil inteiro entrar em cartaz quando entra no cenário a Bahia Filmes, que é uma demanda histórica do audiovisual baiano. E que, se é do audiovisual baiano, é do audiovisual nordestino e do audiovisual do Brasil”, afirmou.
A manifestação da representante do Governo Federal situa a iniciativa em um contexto mais amplo, no qual a Bahia busca ocupar posição estratégica no audiovisual brasileiro, especialmente em relação ao Nordeste e à diversidade regional da produção cultural do país.
Cinemateca reforça preservação da memória audiovisual
A instalação da Cinemateca no mesmo edifício da Bahia Filmes amplia o alcance institucional do projeto. A presença de um espaço dedicado ao cinema baiano indica preocupação com a preservação da memória audiovisual, dimensão essencial para a consolidação de políticas culturais de longo prazo.
A iniciativa pode contribuir para organizar acervos, valorizar obras históricas, apoiar pesquisas, preservar registros e fortalecer a identidade cultural do estado. Em um setor frequentemente marcado por dificuldades de conservação e difusão, a memória passa a ser tratada como parte da infraestrutura cultural.
A associação entre empresa pública, diretoria especializada e cinemateca forma um arranjo voltado à produção, circulação, formação e preservação, quatro eixos indispensáveis para a maturidade do audiovisual baiano.
Bahia Filmes cria oportunidade inédita, mas dependerá de gestão eficaz
A Bahia Filmes, aprovada pela ALBA em 26 de novembro de 2024, é uma empresa de economia mista vinculada à Secretaria Estadual de Cultura. Criada pelo Governo Jerônimo Rodrigues para fortalecer o setor audiovisual, a entidade atuará na produção, distribuição e promoção de obras, além de atrair produções externas. Com aporte inicial de R$ 88 milhões, a empresa busca fomentar a economia criativa, preservar o patrimônio cultural e promover a inclusão social por meio do audiovisual. A governança será realizada por órgãos colegiados, com sede em Salvador e duração indeterminada.
A inauguração da sede da Bahia Filmes representa um movimento institucional relevante porque transforma uma demanda antiga do setor audiovisual em estrutura permanente de política pública. A decisão de criar uma empresa específica para o segmento reconhece que cinema, televisão, streaming, publicidade, games, formação técnica e preservação cultural não são áreas acessórias, mas componentes de uma economia criativa capaz de produzir identidade, renda, emprego e projeção territorial.
Política pública exigirá governança, transparência e resultados mensuráveis
A criação da Bahia Filmes estabelece uma nova etapa para a política cultural do estado, mas também impõe desafios administrativos. Como sociedade de economia mista vinculada à SecultBA, a companhia precisará demonstrar capacidade de gestão, transparência na aplicação de recursos, critérios técnicos de seleção e resultados mensuráveis.
O êxito da empresa dependerá da articulação entre governo, setor privado, universidades, produtores independentes, instituições culturais e agentes de mercado. Também será necessário garantir que as oportunidades alcancem diferentes regiões da Bahia, evitando concentração excessiva em Salvador e ampliando a interiorização das políticas públicas.
Outro ponto relevante será a definição de indicadores capazes de medir impacto econômico, número de produções apoiadas, empregos gerados, recursos captados, obras distribuídas, profissionais formados e alcance das produções baianas em mercados externos.










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