Nesta quarta-feira, 24/06/2026, o Governo da Bahia iniciou, no Dique do Tororó, em Salvador, a contagem regressiva de 365 dias para a Copa do Mundo FIFA de Futebol Feminino 2027, torneio que será realizado pela primeira vez no Brasil e na América do Sul. O ato reuniu representantes do esporte, da cultura e de órgãos estaduais, marcou a instalação de uma placa comemorativa ao lado do monumento em formato de berimbau e reforçou a preparação da Bahia para atuar como estado-sede da competição, com impactos previstos nas áreas de turismo, economia, mobilidade, cultura, políticas para as mulheres e incentivo ao futebol feminino.
Bahia antecipa preparação para o Mundial Feminino de 2027
Enquanto a Copa do Mundo masculina de 2026 movimenta o calendário esportivo internacional, a Bahia iniciou a mobilização institucional para o próximo grande evento global do futebol: a Copa do Mundo Feminina de 2027. A cerimônia no Dique do Tororó simbolizou o começo de uma etapa decisiva de preparação do Estado para receber delegações, torcedores, visitantes e ações paralelas ligadas ao torneio.
O diretor-geral da Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), Vicente Neto, destacou que a escolha da Bahia como estado-sede foi resultado de uma disputa institucional e envolve atuação contínua de diferentes áreas do governo. Segundo ele, a preparação mobiliza secretarias estaduais em uma agenda transversal, com foco na organização do evento e na construção de um legado para o esporte e para a sociedade.
“Foi com muita alegria que a Bahia disputou e venceu como estado-sede para a Copa do Mundo Feminina de 2027. A seleção masculina está jogando, e a gente está trabalhando de domingo a domingo. São várias secretarias do Governo da Bahia envolvidas nesse processo”, afirmou o dirigente da Sudesb, autarquia vinculada à Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre).
Placa comemorativa, berimbau e memória de Moa do Katendê
O principal marco simbólico da celebração foi a inauguração da placa comemorativa dos 365 dias para a abertura da Copa do Mundo Feminina de 2027. A estrutura foi instalada ao lado do monumento em formato de berimbau, no Dique do Tororó, espaço público de forte identidade cultural em Salvador.
A programação incluiu também a entrega da revitalização do monumento, repaginado com as cores da Copa. A intervenção preservou a homenagem a Moa do Katendê, mestre de capoeira Angola e referência da cultura popular baiana. Com isso, o ato associou a preparação para o maior torneio do futebol feminino à memória cultural da Bahia, especialmente à capoeira, à ancestralidade afro-brasileira e à presença das baianas no imaginário público do Estado.
Além da solenidade institucional, a programação contou com receptivo especial com baianas, reforçando a dimensão cultural do evento. A escolha do Dique do Tororó como local da contagem regressiva buscou conectar esporte, patrimônio simbólico e promoção turística, elementos considerados estratégicos para projetar Salvador no cenário internacional.
Salvador integra lista de cidades-sede da Copa Feminina
A Copa do Mundo FIFA de Futebol Feminino 2027 será a primeira edição do torneio realizada no Brasil e no continente sul-americano. Salvador está entre as cidades-sede, ao lado de Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.
Na capital baiana, a Arena Fonte Nova será o principal equipamento esportivo associado ao torneio. A presença de Salvador na lista oficial reforça o papel da cidade como destino de grandes eventos esportivos internacionais e amplia a expectativa de movimentação nos setores de hospedagem, alimentação, transporte, comércio, serviços e economia criativa.
A preparação estadual está organizada por meio do programa Elas em Campo, iniciativa que articula diferentes áreas do Governo da Bahia. O planejamento envolve mobilidade urbana, turismo, cultura, captação de eventos, ambiente de negócios e políticas públicas voltadas às mulheres.
Turismo esportivo, economia e infraestrutura
A contagem regressiva deverá impulsionar a promoção da Bahia no mercado internacional do turismo esportivo. O Mundial Feminino cria uma oportunidade de ampliar a circulação de visitantes, fortalecer a imagem de Salvador como cidade-sede e estimular atividades econômicas associadas à competição.
O planejamento considera a infraestrutura existente e em expansão, com equipamentos como metrô e VLT, além de iniciativas de promoção turística, atividades culturais, rodadas de negócios e ações voltadas ao público feminino. A articulação entre esporte e economia é uma das frentes mais relevantes para transformar o torneio em vetor de desenvolvimento local.
No campo administrativo, o desafio será coordenar a preparação entre órgãos estaduais, município, entidades esportivas, setor privado e instâncias nacionais e internacionais ligadas à organização do Mundial. A eficiência dessa coordenação será determinante para que os efeitos do evento ultrapassem o calendário dos jogos.
Futebol feminino, memória e protagonismo das mulheres
A cerimônia também teve participação de atletas do futebol feminino baiano. Entre elas esteve Iara Pereira, de 51 anos, jogadora e fundadora do time Remo, da Península Itapagipana, em Salvador. A equipe já conquistou títulos baianos de fut7 e de outras modalidades, representando a persistência de grupos que sustentam o futebol feminino em comunidades e territórios populares.
Iara destacou a dimensão histórica do momento e lembrou a trajetória das pioneiras do futebol feminino, que enfrentaram impedimentos, preconceitos e falta de estrutura para praticar a modalidade. Para ela, o Mundial de 2027 representa não apenas uma competição esportiva, mas também o reconhecimento de uma luta coletiva pela presença das mulheres dentro e fora de campo.
“É uma emoção muito grande viver este momento e lembrar da luta das pioneiras do futebol feminino, que durante muito tempo foram impedidas de jogar. Hoje, além de ocuparmos esses espaços, estamos ajudando outras mulheres e meninas a fazerem o mesmo, dentro e fora de campo. A Copa Loreta Valadares e o apoio do Governo do Estado, por meio da Sudesb, têm sido fundamentais para ampliar oportunidades e dar melhores condições às atletas”, afirmou.
Políticas para mulheres e legado social
Para a chefe de gabinete da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), Patrícia Barreto, a Copa do Mundo Feminina será uma oportunidade para ampliar o protagonismo das mulheres e distribuir melhor os impactos sociais e econômicos de um grande evento esportivo.
A representante da SPM avaliou que a competição reconhece a trajetória de mulheres e meninas que buscaram espaço no futebol e em outras áreas historicamente marcadas por barreiras de acesso. Segundo ela, o Mundial reforça a agenda de equidade de gênero no Estado e reafirma a necessidade de garantir presença feminina em diferentes ambientes sociais, profissionais, culturais e esportivos.
“É um momento histórico, que reconhece a trajetória de mulheres e meninas que lutaram para conquistar espaço no futebol e em tantos outros ambientes. A realização da competição fortalece as políticas de equidade de gênero no nosso estado e reafirma o compromisso de garantir que as mulheres estejam em todos os espaços que desejarem ocupar”, declarou Patrícia Barreto.
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