A cantora e compositora Bia Ferreira lançou o álbum “Améfrica”, trabalho que amplia os elementos musicais e conceituais presentes em sua trajetória artística. Após anos desenvolvendo canções marcadas por debates sociais e políticos, a artista apresenta agora um repertório voltado à celebração, ao afeto, à espiritualidade e à dança como formas de construção coletiva.
Com produção assinada pela própria Bia Ferreira em parceria com Vinicius Lezo, o disco reúne referências do reggae, dos ritmos nordestinos e das musicalidades afro-caribenhas e latino-americanas. O projeto também dialoga com experiências ligadas à diáspora africana e às conexões culturais entre diferentes territórios das Américas.
Segundo a artista, o álbum foi concebido como uma forma de valorizar experiências relacionadas à alegria, ao amor, ao prazer e à convivência coletiva, sem abandonar as discussões sociais que acompanham sua obra.
Álbum utiliza conceito de “Améfrica” para conectar culturas afro-diaspóricas
“Améfrica” toma como referência o conceito desenvolvido pela intelectual Lélia Gonzalez, que propõe uma leitura das Américas a partir das experiências afro-diaspóricas e indígenas. O álbum utiliza essa perspectiva para aproximar culturas, sonoridades e idiomas presentes em diferentes regiões do continente.
Ao longo das dez faixas, Bia Ferreira canta em português, espanhol, inglês e francês, buscando construir conexões entre diferentes povos e tradições culturais.
A faixa de abertura, intitulada “Améfrica”, estabelece o conceito central do disco ao reunir diferentes ritmos e idiomas em uma mesma composição. Em seguida, “Paz para o Espírito” direciona a narrativa para temas ligados à espiritualidade e à introspecção.
Reggae, baião e ritmos afro-caribenhos marcam o repertório
A música “Conte Comigo” amplia a discussão sobre afeto para além das relações românticas, enquanto “Leve” e “Pote Fundo” aproximam reggae, baião e xote em canções voltadas à dança e à circulação entre ritmos populares brasileiros e afro-diaspóricos.
As faixas “Nós” e “O Seu Silêncio” trabalham elementos relacionados à coletividade, espiritualidade e natureza. Nessas composições, o reggae aparece como base para reflexões sobre convivência, pertencimento e conexões humanas.
O álbum também aborda questões relacionadas às tecnologias e às relações digitais. Na música “Algoritmo”, parceria com a artista cubana La Dame Blanche, Bia Ferreira discute os impactos emocionais das redes sociais e da lógica algorítmica sobre a vida cotidiana.
Disco revisita “Cota Não É Esmola” sob nova perspectiva
Na sequência do repertório, o álbum retorna ao eixo da celebração com “Pra Alegria Se Achegar”, faixa que reforça a proposta do disco de utilizar música, dança e encontro coletivo como formas de expressão cultural e afetiva.
Na reta final do trabalho, Bia Ferreira revisita “Cota Não É Esmola”, composição que marcou sua trajetória artística. A música reaparece no álbum sob uma nova perspectiva, mantendo o caráter político da obra original, mas integrada a um repertório que também prioriza experiências ligadas ao encontro, à permanência e à continuidade.
Segundo a cantora, “Améfrica” foi pensado como uma experiência voltada ao palco e à interação coletiva, aproximando público, música e debate social em um mesmo espaço.
Bia Ferreira amplia debate sobre identidade e ancestralidade
O lançamento reforça a trajetória de Bia Ferreira como artista ligada às discussões sobre raça, gênero, identidade, ancestralidade e cultura afro-diaspórica, agora incorporando ao repertório elementos relacionados à celebração e à construção coletiva da alegria.
Ao combinar ritmos afro-caribenhos, música brasileira e referências latino-americanas, o disco propõe uma narrativa centrada em experiências culturais compartilhadas entre povos das Américas.
A artista afirma que o projeto busca transformar alegria, afeto e dança em linguagens de reconexão coletiva e pertencimento cultural.









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