O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou nesta terça-feira (09/06/2026) que a instituição precisa de R$ 8,8 bilhões para fazer frente a possíveis perdas relacionadas a operações com o Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. O valor deverá ser usado como provisionamento ou capitalização para reforçar a estrutura financeira do banco estatal.
A necessidade foi identificada após uma auditoria interna apontar que, dos R$ 30 bilhões em títulos adquiridos do Master, cerca de R$ 8,8 bilhões podem apresentar risco de perda. Desse total, aproximadamente R$ 2,6 bilhões não teriam lastro, segundo informações apresentadas pelo presidente do BRB.
Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Souza explicou que a provisão considera não apenas ativos sem garantia, mas também outros papéis classificados como frágeis após a análise interna.
BRB busca alternativas para recompor capital da instituição
Segundo Nelson Antônio de Souza, a estratégia para alcançar o montante necessário envolve diferentes mecanismos financeiros. O Governo do Distrito Federal (GDF), acionista majoritário do BRB com 53,7% das ações, estruturou uma proposta para autorizar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
O FGC é uma entidade privada formada por contribuições obrigatórias de instituições financeiras públicas e privadas. A operação foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no fim de maio.
Além disso, o banco pretende utilizar a securitização da dívida do GDF, mecanismo que permite antecipar receitas de créditos futuros. De acordo com Souza, a primeira etapa da operação já resultou em R$ 1,17 bilhão integralizado ao BRB em 25 de maio.
Banco espera captar recursos adicionais com securitização
O presidente do BRB informou que a expectativa é obter pelo menos mais R$ 3 bilhões por meio da operação estruturada com participação do BTG Pactual.
Com os recursos previstos, Souza afirmou que o banco precisaria de aproximadamente R$ 2,2 bilhões adicionais para completar o provisionamento de R$ 8,8 bilhões.
A continuidade do plano depende da aprovação, pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, do projeto de lei que autoriza a operação financeira. Segundo Souza, a medida é necessária para a manutenção da capacidade operacional do banco.
BRB afirma que segue funcionando e destaca papel econômico
Durante a audiência, Nelson Antônio de Souza afirmou que o BRB enfrenta dificuldades relacionadas ao caso envolvendo o Banco Master, mas declarou que a instituição continua cumprindo suas obrigações.
O presidente do banco destacou que o BRB administra aproximadamente R$ 30 bilhões em depósitos judiciais, provenientes de determinações de tribunais de Alagoas, Bahia, Maranhão, Paraíba e do Distrito Federal.
A instituição também possui participação relevante no mercado imobiliário do Distrito Federal, com cerca de 64% dos financiamentos habitacionais da unidade federativa e uma carteira próxima de R$ 15 bilhões.
Presidente alerta para impactos de eventual intervenção
Souza afirmou que uma eventual liquidação ou intervenção no BRB pelo Banco Central poderia gerar impactos além do Distrito Federal, considerando a presença da instituição em outras regiões.
O dirigente mencionou a possibilidade de regimes como a administração extraordinária temporária (Raet) e afirmou que a situação envolvendo o Banco Master representa um dos principais desafios enfrentados atualmente pelo sistema financeiro.
Apesar do cenário, o presidente do BRB declarou que, após a adoção das medidas de provisão, o banco possui condições de continuar operando regularmente.
*Com informações da Agência Brasil.








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