BC determina provisionamento de R$ 2,6 bilhões no BRB para cobrir perdas ligadas a fraude do Banco Master

O Banco Central do Brasil determinou que o Banco de Brasília (BRB) faça um provisionamento de R$ 2,6 bilhões em seu balanço para cobrir perdas decorrentes da compra de carteiras de crédito fraudulentas originadas no Banco Master. A exigência decorre das investigações que levaram à liquidação do Master e à prisão de seu controlador, Daniel Vorcaro, no âmbito da Operação Compliance Zero da Polícia Federal. O valor corresponde à parcela ainda não recomposta após transferências de ativos realizadas antes da liquidação da instituição privada.

A determinação foi formalizada por meio de termo de comparecimento encaminhado ao BRB em 7 de janeiro, segundo fontes com conhecimento do processo. O BC sustenta que, apesar da recuperação parcial de valores, permanece uma lacuna de R$ 2,6 bilhões que precisa ser reconhecida contabilmente, em observância às regras prudenciais do sistema financeiro.

As investigações do Ministério Público Federal, a partir de denúncia do BC, indicaram que o Master adquiriu carteiras de crédito sem lastro em operações reais junto à consultoria Tirreno, sem efetuar pagamento. Em seguida, esses papéis teriam sido revendidos ao BRB, que desembolsou R$ 12,2 bilhões pelas carteiras.

Recuperação parcial e avaliação de ativos

Até a data da liquidação do Master, o BRB informou ter recuperado cerca de R$ 10 bilhões por meio da transferência de ativos promovida pelo banco liquidado para mitigar as perdas. O montante remanescente, segundo o BC, exige reconhecimento imediato por provisão.

O BRB ainda avalia a qualidade dos ativos recebidos para apurar se haverá necessidade de aporte adicional. O objetivo é evitar o desenquadramento das regras de capital, especialmente o índice de Basileia, que estabelece limites mínimos de patrimônio para instituições financeiras.

Impacto no capital e papel do controlador

O patrimônio de referência do BRB é de aproximadamente R$ 6,5 bilhões. Dependendo do resultado da auditoria e do valor final a provisionar, o Governo do Distrito Federal, controlador do banco, poderá ser chamado a realizar aporte de capital, mediante plano a ser submetido ao BC.

A avaliação ocorre após a saída do ex-presidente Paulo Henrique Costa, afastado do cargo após a deflagração da operação policial. O novo presidente, Nelson Antônio de Souza, empossado em 27 de novembro, já tratou do tema com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e promoveu ajustes na diretoria e no Conselho de Administração.

Ativos, auditoria e posição oficial do banco

O BRB possui cerca de R$ 80 bilhões em ativos e R$ 30 bilhões em depósitos judiciais. Em nota, a instituição afirmou que atua em conjunto com o BC e que está em curso investigação forense independente, conduzida pelo escritório Machado Meyer, com suporte técnico da Kroll.

Segundo o banco, os possíveis prejuízos ligados às carteiras do Master ainda estão em apuração pelo BC e pela auditoria. Caso confirmados, o BRB afirma dispor de plano de capital com diferentes instrumentos de recomposição. A instituição também reiterou operar normalmente, com patrimônio líquido de R$ 4,5 bilhões.

Alternativas de aporte em estudo

Entre as opções avaliadas para cobrir eventuais perdas estão:

  • aporte direto do Tesouro do DF e de acionistas minoritários;
  • constituição de fundo com imóveis do governo do DF;
  • linha de financiamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC);
  • transferência de ações de estatais;
  • empréstimo de consórcio de bancos.

A alternativa considerada prioritária, segundo interlocutores, é o empréstimo do FGC. O governador Ibaneis Rocha tem afirmado que o governo está preparado para aportar recursos, embora o valor ainda não esteja definido.

Mudança acionária com a Mastercard

Em meio ao processo de saneamento, a Mastercard tornou-se detentora de 6,93% do capital do BRB após executar garantia de um acionista do mercado secundário. A participação, estimada em R$ 230 milhões, envolve ações ordinárias e preferenciais.

A empresa informou que não pretende manter participação nem exercer direitos políticos, e que procederá à venda dos papéis, sem impacto no controle ou na administração do banco.

Negócios com fundos ligados à Ambipar

Outro foco de atenção são operações envolvendo fundos com ações da Ambipar. O BRB adquiriu R$ 1,6 bilhão em fundos que continham esses papéis e, ao identificar a deterioração dos ativos após a queda acentuada das ações em 2025, exerceu cláusula de revenda, recebendo outros ativos do Master. Houve prejuízo, cujo valor não foi divulgado.

A Ambipar entrou em recuperação judicial em outubro de 2025. O BRB afirmou não manter operações financeiras diretas com a companhia e destacou que não figura como credor no processo.

*Com informações dos jornais O Globo, Folha de S.Paulo e Estadão, Revista Veja, site Metrópoles e Agência Brasil.


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