Senadores cobram transparência do BRB sobre perdas com Banco Master e acordo de reestruturação financeira

O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, foi questionado por senadores nesta terça-feira (09/06/2026) sobre a situação financeira da instituição, durante audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal). O debate envolveu as perdas relacionadas aos negócios com o Banco Master, o acordo de reestruturação homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a ausência de divulgação do balanço financeiro referente a 2025.

A audiência foi realizada após requerimento da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que cobrou informações sobre os impactos da crise para o Distrito Federal, a União e os cidadãos. Entre os pontos discutidos estavam o valor dos prejuízos, as garantias oferecidas e os efeitos sobre serviços públicos financiados pelo governo local.

O presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), também demonstrou preocupação com a homologação do acordo antes da apresentação dos dados financeiros completos do banco.

BRB afirma que balanço de 2025 será divulgado após auditoria

Nelson Antônio de Souza informou que o balanço de 2025 será divulgado após a conclusão dos procedimentos de auditoria independente, validação contábil e tramitação regulatória exigidos pelas normas aplicáveis.

Sobre o acordo de reestruturação, o presidente do BRB afirmou que a medida foi construída com participação do Governo do Distrito Federal, União, Banco Central e Fundo Garantidor de Créditos (FGC), instituição responsável por mecanismos de proteção aos depositantes em casos de intervenção ou liquidação financeira.

Pelos termos do acordo, o BRB poderá acessar até R$ 6,6 bilhões do FGC, com garantias vinculadas a um consórcio de bancos e contragarantias relacionadas a recursos federais destinados ao Distrito Federal.

O financiamento prevê carência de 18 meses e cobrança de juros equivalentes ao IPCA mais 4,5% ao ano. Segundo Souza, o pagamento das parcelas deve começar em 2028, com valores próximos de R$ 95,6 milhões mensais.

Operação com Banco Master envolve ativos avaliados em bilhões

Durante a audiência, os senadores questionaram os efeitos da relação entre o BRB e o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. A preocupação envolve a dimensão das perdas e possíveis reflexos sobre operações bancárias mantidas pela instituição.

Nelson de Souza explicou que, dos aproximadamente R$ 30 bilhões movimentados entre Banco Master e BRB, cerca de R$ 21,9 bilhões permaneceram no banco, distribuídos em quatro carteiras de investimentos.

Segundo o presidente do BRB, desse montante, R$ 12,1 bilhões foram classificados como ativos irregulares ou de difícil recuperação. Ele afirmou que o valor solicitado ao FGC foi calculado considerando as perdas estimadas dentro dos ativos relacionados à operação.

Além dos recursos do FGC, o plano de recuperação prevê R$ 2,2 bilhões por meio da securitização de créditos do Governo do Distrito Federal, segundo informações apresentadas na comissão.

Senadores discutem papel do banco público e impactos fiscais

A senadora Damares Alves afirmou que uma eventual crise do BRB ultrapassaria os limites do Distrito Federal, citando a participação do banco na administração de depósitos judiciais em diferentes estados.

Nelson de Souza informou que o BRB venceu licitações para operar depósitos judiciais em cinco estados, envolvendo aproximadamente R$ 30,6 bilhões. Segundo ele, uma liquidação da instituição poderia afetar operações além do território distrital.

O senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) questionou a permanência de um banco público controlado por uma unidade da federação e defendeu a venda da instituição. Em resposta, Souza afirmou que bancos estatais possuem atuação em programas sociais e que o BRB tem condições de continuidade operacional.

Acordo envolve garantias federais e questionamentos sobre responsabilidade fiscal

Os parlamentares também analisaram as garantias vinculadas ao acordo, incluindo recursos de fundos de participação e repasses federais. Senadores questionaram possíveis impactos sobre políticas públicas e investimentos do Distrito Federal durante o período de pagamento.

O senador Izalci Lucas (PL-DF) afirmou que a operação compromete recursos públicos por longo prazo e levantou questionamentos sobre regras de responsabilidade fiscal. Ele citou o impacto do valor de R$ 6,6 bilhões nas contas futuras do Distrito Federal.

O presidente do BRB respondeu que os recursos dos fundos só seriam utilizados para pagamento do empréstimo caso o governo local não tenha capacidade de cumprir as obrigações financeiras.

BRB anuncia medidas para recuperação de ativos e responsabilização

Durante a audiência, Nelson de Souza informou que o banco pretende buscar a recuperação de valores relacionados aos ativos adquiridos e que o acordo homologado prevê mecanismos de ressarcimento.

A discussão também envolveu a Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025, que investiga suspeitas de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master e seus administradores.

O presidente do BRB informou ainda que a instituição pretende ingressar com pedido de responsabilização civil contra os três últimos administradores do banco, enquanto senadores defenderam medidas para preservar eventuais valores a serem recuperados.

*Com informações da Agência Senado.


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