CODEBA avança na preparação de embarcações para retomada da Hidrovia do São Francisco

A Companhia das Docas do Estado da Bahia (CODEBA) avançou, no sábado 30/05/2026, nos preparativos para a retomada das operações da nova Hidrovia do Rio São Francisco, com vistoria realizada pelo chefe de gabinete da Autoridade Portuária Federal, Carlos Luciano, nas embarcações que deverão compor o comboio inicial do projeto. A iniciativa depende da descentralização formal da gestão da hidrovia para a companhia e envolve tratativas com órgãos federais, documentação técnica e articulação institucional para transporte das embarcações até Juazeiro (BA).

Vistoria integra etapa preparatória da nova hidrovia

A vistoria ocorreu como parte das ações preparatórias para o início das atividades operacionais da nova Hidrovia do São Francisco. Segundo as informações disponíveis, o objetivo da inspeção foi acompanhar as condições das embarcações que serão utilizadas na retomada das operações.

O comboio é formado por uma barca, uma Chata CS, uma draga Matrichã e o barco-hotel Cidade Pirapora. Esta última embarcação conta com 28 camarotes e capacidade para atender até 80 passageiros.

A presença de uma draga no conjunto de embarcações indica a relevância das ações de apoio à navegabilidade, embora o material fornecido não detalhe, nesta etapa, quais serviços específicos serão executados, quais trechos exigirão intervenção ou qual será o cronograma operacional.

Projeto depende de descentralização formal da gestão

A retomada das atividades da hidrovia ainda depende da descentralização formal da gestão para a CODEBA. Conforme o conteúdo fornecido, a companhia atua na organização dos documentos necessários junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e à Marinha do Brasil, por meio da Capitania dos Portos, para viabilizar o transporte das embarcações até Juazeiro.

A autorização concedida pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) permitiu à CODEBA elaborar o projeto da nova hidrovia e avançar na estruturação documental. Essa etapa é essencial porque envolve requisitos técnicos, regulatórios e operacionais indispensáveis à navegação interior.

Hidrovia é tratada como vetor de desenvolvimento regional

O chefe de gabinete da Autoridade Portuária Federal, Carlos Luciano, afirmou que a retomada da hidrovia tem como objetivo fomentar o desenvolvimento regional por meio de um transporte mais econômico e ambientalmente sustentável.

Nosso objetivo é fomentar o desenvolvimento regional por meio de um transporte mais econômico e ambientalmente sustentável, atraindo investimentos e fortalecendo a integração econômica dos 505 municípios que serão impactados com a retomada das operações da Hidrovia do São Francisco, estimulando um novo vetor de desenvolvimento para o país”, declarou Carlos Luciano.

A declaração atribui ao projeto uma dimensão logística e econômica ampla, com potencial de integração entre municípios situados na área de influência do Rio São Francisco. O número de 505 municípios foi informado pela CODEBA no material analisado, mas não há, no conteúdo fornecido, detalhamento sobre a metodologia usada para definir esse universo territorial.

CODEBA articula acordo com a CODEVASF

A equipe gestora da CODEBA também mantém tratativas com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF) para a celebração de um Acordo de Cooperação Técnica.

O acordo, conforme informado, deverá contemplar ações conjuntas voltadas à revitalização do rio e à realização de estudos para identificar oportunidades de negócios no entorno da hidrovia.

A articulação entre CODEBA e CODEVASF é relevante porque aproxima a gestão portuária e hidroviária de uma instituição federal tradicionalmente vinculada ao desenvolvimento regional do Vale do São Francisco. O material, no entanto, não informa se o acordo já possui minuta concluída, prazo de assinatura ou definição formal das responsabilidades de cada entidade.

Retomada pode ampliar alternativas logísticas

A reativação da Hidrovia do São Francisco é apresentada pela CODEBA como uma oportunidade de ampliar alternativas de transporte para cargas, passageiros e atividades econômicas associadas à navegação interior.

Do ponto de vista logístico, hidrovias costumam ser associadas a custos operacionais mais baixos em determinados tipos de carga, menor emissão relativa por tonelada transportada e capacidade de integrar regiões interiores a portos, polos produtivos e corredores econômicos.

No caso do São Francisco, a retomada da navegação também possui significado histórico. O rio foi, durante décadas, uma via de circulação de mercadorias, pessoas e serviços entre municípios do interior do Nordeste e de Minas Gerais. A tentativa de reativação da hidrovia recoloca esse patrimônio logístico no centro de uma agenda de infraestrutura, desenvolvimento regional e integração territorial.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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