Nesta terça-feira, 09/06/2026, durante o PGP de Salvador, a deputada estadual Olívia Santana criticou o ex-prefeito de Salvador ACM Neto e afirmou que ele tenta “reescrever a história” das políticas de cotas nas universidades estaduais da Bahia. A parlamentar sustentou que a ampliação do acesso ao ensino superior público para populações historicamente excluídas resultou de mobilização social, atuação política e pressão de movimentos organizados, e não de concessão espontânea de grupos políticos tradicionais.
A declaração ocorreu na noite de terça-feira, durante atividade do Programa de Governo Participativo, em Salvador. No discurso, Olívia Santana reagiu ao que classificou como tentativa de apropriação política de uma agenda construída ao longo de anos por movimentos sociais, entidades estudantis e organizações ligadas à defesa da igualdade racial e da inclusão social.
Segundo a deputada, a política de cotas nas universidades estaduais baianas foi conquistada após enfrentamentos políticos e institucionais. Ela afirmou que houve resistência do antigo DEM, atual União Brasil, à consolidação das ações afirmativas voltadas à democratização do ensino superior.
“ACM Neto é mestre de obras prontas. Nós já conquistamos, com muita luta, a política de cotas para as universidades estaduais, com recorte racial, social, de gênero e também para a população LGBTQIA+. Tivemos que enfrentar a resistência do DEM, hoje União Brasil, para que essa política pudesse prevalecer”, declarou a parlamentar.
Deputada atribui avanço das cotas à mobilização social
Olívia Santana afirmou que a ampliação do acesso à universidade pública não deve ser tratada como resultado de iniciativa isolada de lideranças políticas. Para ela, as cotas nas instituições estaduais baianas são fruto de uma construção coletiva envolvendo o movimento negro, o movimento estudantil, comunidades periféricas, entidades populares e setores comprometidos com a redução das desigualdades.
A parlamentar mencionou a população negra, periférica, indígena, quilombola e outros grupos historicamente excluídos como beneficiários de políticas públicas voltadas à reparação social e à ampliação de oportunidades educacionais. O argumento central foi o de que as ações afirmativas representam instrumento de enfrentamento a desigualdades estruturais acumuladas ao longo da formação social brasileira.
“A Bahia sabe quem lutou para ampliar direitos e quem esteve do lado daqueles que tentaram impedir esses avanços. Não dá para apagar a história nem transformar em mérito próprio aquilo que foi conquistado pela organização e pela luta do povo baiano”, afirmou Olívia Santana.
Políticas afirmativas entram no centro da disputa política
O pronunciamento recolocou as políticas afirmativas no centro do debate político estadual. A discussão envolve não apenas o acesso às universidades públicas, mas também a disputa por narrativas sobre a autoria, a defesa e a implementação de mecanismos de inclusão no ensino superior.
Ao rebater ACM Neto, Olívia buscou associar a defesa das cotas a uma trajetória histórica de mobilização popular e de pressão institucional. A deputada também procurou diferenciar, no campo político, os atores que teriam apoiado a expansão desses direitos daqueles que, segundo sua avaliação, resistiram ao avanço da política pública.
A controvérsia ocorre em um ambiente de pré-disputa eleitoral e de intensificação do debate sobre educação, inclusão social, desigualdade racial e papel do Estado na garantia de oportunidades. Nesse contexto, as universidades estaduais tornam-se espaço simbólico e prático de disputa sobre projeto social, distribuição de vagas e acesso de estudantes de baixa renda ao ensino superior.
Defesa da universidade pública e da inclusão social
Olívia Santana reafirmou compromisso com a defesa da universidade pública, das políticas de inclusão e dos mecanismos de reparação social. Para a parlamentar, ações afirmativas permanecem necessárias para reduzir desigualdades históricas e assegurar que grupos sub-representados tenham condições reais de acesso ao ensino superior.
A deputada também associou as cotas ao princípio de justiça social. Em sua avaliação, a democratização da universidade pública não se limita à abertura formal de vagas, mas exige políticas que considerem as diferenças de origem social, raça, território e trajetória educacional.
Ao tratar do tema, Olívia sustentou que a preservação da memória política dessas conquistas é parte essencial do debate público. Para ela, reconhecer a participação dos movimentos sociais evita que avanços institucionais sejam apresentados como feitos individuais ou como ações desvinculadas da pressão democrática.









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