Na sexta-feira (26/06/2026), em Salvador, o deputado federal Afonso Florence (PT-BA) criticou a Prefeitura de Salvador pela situação da Praça 2 de Julho, mais conhecida como Campo Grande, às vésperas da reabertura do Teatro Castro Alves (TCA), prevista para quarta-feira (01/07/2026) pelo Governo da Bahia. O parlamentar afirmou que há contraste entre o investimento estadual de R$ 260 milhões na reforma, restauração e modernização do principal equipamento cultural baiano e o que classificou como abandono do entorno, citando iluminação deficiente, limpeza irregular, espelho d’água sujo e jardins comprometidos por ervas daninhas.
Reabertura do Teatro Castro Alves amplia cobrança sobre o entorno urbano
A reabertura do Teatro Castro Alves ocorre após uma ampla intervenção conduzida pelo Governo da Bahia. O projeto contempla modernização da Sala Principal, restauro do Foyer, requalificação do Jardim Suspenso, melhorias no Centro Técnico, nas áreas administrativas e nas estruturas vinculadas aos corpos artísticos, como o Balé Teatro Castro Alves (BTCA) e a Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA).
O TCA é um dos símbolos culturais mais relevantes de Salvador e está instalado no Campo Grande, área de forte valor histórico, cívico e urbanístico. Por isso, a condição da praça onde o teatro está localizado ganhou dimensão política e administrativa com a aproximação da entrega do equipamento ao público.
Na avaliação de Afonso Florence, a reabertura do novo TCA expõe uma diferença entre a política estadual de valorização cultural e a responsabilidade municipal sobre a manutenção urbana do espaço público. O deputado sustenta que a praça deveria estar em condições compatíveis com a importância do teatro, da região central de Salvador e da agenda cultural prevista para os próximos dias.
Deputado aponta abandono da Praça 2 de Julho
Florence afirmou que a situação do Campo Grande é “uma vergonha” diante da relevância histórica da praça para Salvador. Segundo o parlamentar, a área apresenta sinais visíveis de deterioração, com deficiência na iluminação, falta de limpeza regular, espelho d’água em condições inadequadas e jardins prejudicados pela ausência de manutenção contínua.
“É uma vergonha que a histórica e mais importante praça de Salvador se encontre neste lastimável estado. É este o legado do prefeito Bruno Reis, fiel aliado de ACM Neto?”, declarou o deputado federal.
A crítica direciona a responsabilidade administrativa à Prefeitura de Salvador, gestora da manutenção urbana da praça. O parlamentar também relacionou o episódio ao grupo político do prefeito Bruno Reis (União Brasil) e do ex-prefeito ACM Neto (União Brasil), ampliando o embate para o campo político estadual.
Florence questiona contratos de manutenção
Além de criticar o estado físico da praça, Afonso Florence afirmou que a Prefeitura de Salvador gasta cerca de R$ 300 milhões por ano em contratos de manutenção. O número foi apresentado pelo deputado como argumento para questionar a qualidade da execução dos serviços públicos no Campo Grande.
“Não tem cabimento a prefeitura gastar R$ 300 milhões em contratos com manutenção por ano e deixar o Campo Grande assim. É desse jeito que ACM Neto e sua turma querem governar a Bahia: contratar serviços que não são realizados e desvalorizar o patrimônio do povo. Para onde está indo essa dinheirama?”, questionou.
Por se tratar de declaração política, a afirmação sobre valores e execução contratual exige verificação documental em bases públicas, como Diário Oficial, contratos administrativos, empenhos, relatórios de fiscalização e eventuais respostas oficiais da administração municipal. A cobrança, no entanto, ganha relevância por envolver um espaço público de alto fluxo, forte simbolismo histórico e localização estratégica na capital baiana.
Governo da Bahia destaca modernização, acessibilidade e preservação
Enquanto a crítica ao Campo Grande recai sobre a Prefeitura de Salvador, o Governo da Bahia apresenta a reabertura do TCA como uma entrega estruturante para a cultura baiana. A reforma foi concebida para conciliar preservação patrimonial, atualização tecnológica, segurança, acessibilidade e sustentabilidade.
O novo TCA é apresentado pelo governo estadual como um equipamento restaurado, modernizado e mais adequado às exigências contemporâneas de espetáculos, circulação de público, operação técnica e acessibilidade. A intervenção também preserva características históricas do edifício, elemento central para manter a identidade arquitetônica e cultural do teatro.
Para Afonso Florence, a entrega estadual reforça a necessidade de cuidado equivalente no entorno. “O Governo do Estado vai entregar um equipamento restaurado, completamente modernizado, mais seguro, acessível e democrático. Pena que o prefeito Bruno Reis não fez a sua parte para deixar o Campo Grande à altura do novo TCA”, afirmou.
Campo Grande tem peso histórico e institucional em Salvador
A Praça 2 de Julho é um dos espaços públicos mais tradicionais de Salvador. Além de abrigar o Teatro Castro Alves, o Campo Grande está associado à memória cívica da Bahia, à circulação cultural da capital e a eventos públicos de grande relevância, especialmente no calendário histórico ligado à Independência do Brasil na Bahia.
A degradação de áreas como iluminação, jardins, espelho d’água e limpeza urbana não se limita à estética. Em espaços centrais, problemas de manutenção podem afetar segurança, permanência do público, mobilidade de pedestres, turismo, comércio local e a própria fruição de equipamentos culturais.
Nesse contexto, a reabertura do TCA amplia a pressão por uma gestão integrada entre Estado e Município. Embora o teatro seja equipamento estadual, seu entorno depende de políticas municipais permanentes de conservação, zeladoria, iluminação, limpeza, paisagismo e ordenamento urbano.








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