O Veículo Leve sobre Trilhos — VLT de Salvador e Região Metropolitana iniciou, nesta segunda-feira, 29/06/2026, a operação assistida de embarque e desembarque de passageiros no primeiro trecho do sistema, entre a Calçada e o Lobato, em Salvador. A nova etapa foi marcada por uma viagem-teste entre a Parada São Joaquim e a Parada Marisqueiras, no bairro de Plataforma, acompanhada pelo governador Jerônimo Rodrigues, em um movimento considerado estratégico para a reestruturação da mobilidade urbana no Subúrbio Ferroviário e para a integração futura do transporte metropolitano.
VLT começa operação assistida entre Calçada e Lobato
A operação assistida representa a fase inicial de funcionamento do novo sistema, com circulação controlada, acompanhamento técnico e embarque de passageiros em horário definido. Nesta etapa, o atendimento ocorre em um percurso de quatro quilômetros, entre a Calçada e o Lobato, de segunda a sexta-feira, exceto feriados, das 8h às 16h.
O serviço oferece uma nova alternativa de deslocamento para moradores de bairros historicamente dependentes do transporte rodoviário. Cada trem tem capacidade para transportar até 400 passageiros, o que amplia a oferta de mobilidade em uma região marcada por grande demanda diária de deslocamentos para áreas como Calçada, Comércio e centro antigo de Salvador.
A viagem-teste desta segunda-feira avançou até a Parada Marisqueiras, em Plataforma, permitindo a avaliação do trecho, das estruturas implantadas e das condições operacionais do sistema. A etapa tem caráter assistido e deve servir para ajustes técnicos antes da consolidação plena da operação.
Jerônimo acompanha viagem-teste e destaca obras no entorno
Durante a agenda, o governador Jerônimo Rodrigues afirmou que o início da operação assistida ocorre de forma integrada a intervenções urbanas no entorno do sistema. Segundo ele, além do funcionamento inicial do VLT, o Governo da Bahia entrega obras voltadas à melhoria dos deslocamentos e à valorização das comunidades atendidas.
“Hoje, além da operação assistida do VLT, estamos entregando obras de urbanização no entorno do novo sistema de transporte. São obras que visam atender as necessidades da população e facilitar os deslocamentos na região”, declarou o governador.
A presença do chefe do Executivo estadual na viagem-teste reforça o peso político e administrativo do projeto, que figura entre os principais investimentos em mobilidade urbana da capital baiana e da Região Metropolitana. O VLT é apresentado pelo Governo da Bahia como uma intervenção estruturante, com impacto direto sobre o transporte público, a requalificação urbana e a integração territorial.
Urbanização recebe mais de R$ 3 milhões em investimentos
Entre as entregas associadas ao início da operação assistida estão obras de urbanização nas paradas de Santa Luzia e Lobato. As intervenções incluem pavimentação, iluminação, paisagismo, parquinho e academia, com investimento superior a R$ 3 milhões.
A proposta é qualificar os espaços públicos no entorno das paradas, melhorar a circulação de pedestres e ampliar a sensação de pertencimento das comunidades atendidas pelo novo modal. Ao vincular transporte e urbanização, o projeto busca evitar que a implantação do VLT se limite à infraestrutura ferroviária.
Também foi entregue a Unidade de Beneficiamento de Pescados — Marisqueira, equipamento voltado à melhoria das condições de trabalho de marisqueiros e pescadores. A unidade deve contribuir para agregar valor à produção, ampliar a renda das famílias envolvidas na atividade e fortalecer uma cadeia econômica tradicional no Subúrbio Ferroviário.
CTB projeta expansão do sistema e nova ordem de serviço
O presidente da Companhia de Transportes do Estado da Bahia — CTB, Eracy Lafuente, explicou que a fase atual envolve testes operacionais, acompanhamento técnico e preparação para novas etapas de expansão do VLT. Segundo ele, a viagem-teste passa pela Ponte de São João e alcança a região de Plataforma, na Parada Marisqueiras.
“Nesta fase, será realizada uma viagem teste que passa pela Ponte de São João e chega ao bairro de Plataforma, na parada Marisqueiras. Em julho, também vamos dar a ordem de serviço do lote 3”, afirmou Lafuente.
A declaração indica que a operação assistida do primeiro trecho ocorre em paralelo ao planejamento de novas frentes de obra. A expansão prevista é decisiva para que o sistema cumpra a função de rede integrada, e não apenas de ligação local entre pontos específicos do Subúrbio.
Moradores apontam expectativa de deslocamento mais rápido
A chegada do VLT também mobiliza expectativas entre moradores das áreas atendidas. A baiana de acarajé Daniela Fernandes, residente em Santa Luzia, participou do primeiro dia de operação e relatou a percepção de valorização do bairro com a implantação do novo sistema.
“Santa Luzia era um bairro que se sentia esquecido e agora está sendo valorizado com a chegada do VLT. Dependemos do ônibus e enfrentamos dificuldades para chegar à Calçada e ao Comércio. Com o VLT, o deslocamento será mais rápido, mais confortável e vai melhorar a vida de quem usa esse trajeto todos os dias, como eu”, afirmou.
O depoimento sintetiza um dos pontos centrais do projeto: a tentativa de reduzir dificuldades históricas de mobilidade no Subúrbio Ferroviário. A efetividade dessa mudança dependerá da regularidade da operação, da integração tarifária e operacional com outros modais e da capacidade do sistema de atender à demanda real da população.
Projeto prevê 43,71 quilômetros e 50 paradas
Considerado um dos maiores investimentos em mobilidade urbana de Salvador e da Região Metropolitana, o VLT terá aproximadamente 43,71 quilômetros de extensão, 50 paradas e a Estação Calçada, com implantação organizada em três trechos.
As obras foram autorizadas em junho de 2024 e integram um planejamento voltado à conexão entre bairros, melhoria dos deslocamentos diários e reestruturação do transporte público sobre trilhos na capital baiana. O sistema deve operar de forma integrada física e operacionalmente a outros modais.
Entre as conexões previstas estão integrações com o Sistema Metroviário Salvador e Lauro de Freitas, por meio das estações Águas Claras e Bairro da Paz. Essa articulação é essencial para ampliar as opções de deslocamento na capital e na Região Metropolitana, especialmente em áreas de grande fluxo populacional.
Um sistema estratégico para o Subúrbio Ferroviário
A implantação do VLT ocorre em uma área com forte relevância social, econômica e urbana. O Subúrbio Ferroviário concentra comunidades populosas, atividades tradicionais, comércio local e deslocamentos cotidianos de trabalhadores que dependem de transporte público regular, previsível e acessível.
Ao substituir a lógica de um transporte isolado por uma rede planejada de conexão urbana, o VLT pode alterar a dinâmica de circulação entre bairros periféricos e áreas centrais de Salvador. No entanto, o sucesso do projeto dependerá de critérios objetivos: pontualidade, segurança, manutenção, integração tarifária, acessibilidade e capacidade de absorver passageiros em horários de maior demanda.
A operação assistida, portanto, deve ser observada como fase de transição. Ela permite testar equipamentos, treinar equipes, ajustar rotinas de embarque e desembarque, avaliar fluxos de passageiros e identificar falhas antes da ampliação definitiva do serviço.
Nova etapa exige integração, fiscalização e transparência pública
O início da operação assistida do VLT entre Calçada e Lobato marca avanço concreto em uma obra de alto impacto para Salvador, mas também inaugura uma fase de cobrança pública sobre eficiência, cronograma e qualidade do serviço. A entrega de infraestrutura ferroviária, por si só, não assegura transformação urbana; é a operação regular, integrada e bem fiscalizada que definirá se o sistema atenderá, de fato, às necessidades da população.
A vinculação do VLT a obras de urbanização, equipamentos comunitários e integração com o metrô indica uma concepção mais ampla de mobilidade, associada à requalificação territorial. Ainda assim, pontos como prazos dos próximos lotes, funcionamento nos horários de pico, modelo de integração e manutenção permanente das estruturas exigem acompanhamento jornalístico e institucional.
O episódio é relevante porque envolve investimento público de grande escala, reorganização do transporte no Subúrbio Ferroviário e impacto direto na rotina de milhares de usuários. Nos próximos atos, o Governo da Bahia, a CTB, os órgãos de mobilidade, as comunidades atendidas e os sistemas integrados de transporte terão papel decisivo para transformar a operação assistida em serviço regular, eficiente e socialmente efetivo.








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