O governador Jerônimo Rodrigues inaugurou, nesta quarta-feira, 17/06/2026, a Estação Calçada, em Salvador, primeira estação entregue do Veículo Leve sobre Trilhos — VLT de Salvador e Região Metropolitana. A requalificação do equipamento, com investimento de aproximadamente R$ 13 milhões, marca uma etapa relevante do projeto estadual de mobilidade urbana, que prevê cerca de 44 quilômetros de extensão, 50 paradas e integração com o metrô em pontos estratégicos da capital baiana.
A entrega da Estação Calçada representa um marco simbólico e operacional do VLT, por envolver a recuperação de um espaço historicamente associado ao transporte ferroviário e ao desenvolvimento do Subúrbio de Salvador. A intervenção alcançou cerca de 7,5 mil metros quadrados de área total e preparou a estrutura para integrar o novo sistema de transporte sobre trilhos.
A obra incluiu recuperação de áreas de circulação, instalação de novas esquadrias em madeira e vidro com padrão semelhante ao original, piso em granito, plataformas de embarque e desembarque, catracas de acesso, paisagismo e iluminação cênica na fachada e no pátio central. A proposta foi adequar a estação às novas funções de mobilidade sem descaracterizar sua identidade arquitetônica.
Durante a inauguração, Jerônimo Rodrigues afirmou que a Calçada volta a ocupar lugar central no cotidiano urbano de Salvador. Segundo o governador, a estação não é apenas um ponto de passagem, mas parte da memória de gerações que utilizaram o antigo trem, trabalharam na região ou acompanharam o crescimento do Subúrbio Ferroviário.
VLT de Salvador terá integração com metrô e nova conexão entre bairros
A Estação Calçada integra o Lote 1 do VLT, correspondente ao trecho Calçada–Ilha de São João, que já ultrapassa 64% de execução. O sistema está planejado para ampliar a conexão entre bairros, reduzir o tempo de deslocamento e oferecer alternativa de transporte público mais confortável, eficiente e sustentável.
O projeto está dividido em três trechos principais, além da extensão Calçada–Comércio. O Trecho 1, entre Ilha de São João e Calçada, terá cerca de 17 quilômetros e 19 paradas. A extensão Calçada–Comércio, também vinculada ao Lote 1, terá aproximadamente 3,6 quilômetros, seis paradas e está com cerca de 7% de execução.
Essa extensão deverá aproximar o sistema de áreas estratégicas do Centro Histórico e do Comércio, com impacto direto no acesso ao Mercado Modelo, ao Elevador Lacerda e a equipamentos de relevância cultural, turística e econômica. A conexão prevista reforça o papel do VLT não apenas como obra de transporte, mas também como instrumento de requalificação urbana.
Trechos em execução e integração com o metrô
O Trecho 2, entre Paripe e Águas Claras, terá cerca de nove quilômetros e oito paradas. A obra já se aproxima de 47% de execução. Em Águas Claras, o VLT será integrado ao metrô, ao terminal rodoviário e à Nova Rodoviária, formando uma nova centralidade de transporte na capital.
O Trecho 3, entre Águas Claras e Piatã, terá aproximadamente 10,5 quilômetros e nove paradas. Essa etapa está em fase inicial, com quase 3% de execução, e prevê integração ao Sistema Metroviário Salvador–Lauro de Freitas na estação Bairro da Paz.
A integração física e operacional com o metrô em Águas Claras e no Bairro da Paz é um dos elementos centrais do projeto. A expectativa é que o sistema amplie a capilaridade do transporte público, especialmente em áreas historicamente dependentes de ônibus e deslocamentos mais longos.
Governo aponta requalificação urbana associada ao VLT
Para o secretário estadual de Desenvolvimento Urbano, Joaquim Neto, a entrega da Estação Calçada resgata a dignidade e a história do Subúrbio Ferroviário. O gestor afirmou que o projeto vai além dos trilhos e envolve intervenções de contenção de encostas, pavimentação, praças de convivência e equipamentos de lazer.
Na extensão Calçada–Comércio, o projeto prevê ações voltadas ao enfrentamento de alagamentos históricos em áreas como Calçada, Águas de Meninos e Comércio. As intervenções devem beneficiar moradores, trabalhadores, comerciantes e usuários do transporte público que circulam diariamente pela região.
O conjunto de obras reforça a dimensão urbana do VLT. Ao combinar transporte, drenagem, requalificação de espaços públicos e valorização patrimonial, o projeto passa a ter impacto mais amplo sobre a organização da cidade, sobretudo em áreas que enfrentaram décadas de carência em infraestrutura.
Estação terá memorial ferroviário e espaços de convivência
O presidente da Companhia de Transportes da Bahia — CTB, Eracy Lafuente, afirmou que a requalificação preservou elementos arquitetônicos originais e preparou o prédio histórico para novas funções. Segundo ele, a estação recebeu adequações voltadas à acessibilidade, circulação, apoio operacional e convivência urbana.
A estrutura reúne áreas comerciais, salas de apoio e espaços operacionais. No pavimento superior, está prevista a implantação de um memorial ferroviário, iniciativa que reforça a relação entre mobilidade, patrimônio histórico, cultura e memória urbana.
O pátio central recebeu bancos de madeira, jardineiras, reutilização de postes antigos e elementos artísticos ligados à identidade cultural da Bahia. Entre os destaques estão um mural inspirado em Oxalá e esculturas que representam os quatro elementos da natureza: água, fogo, terra e ar.
Subúrbio Ferroviário recebe obras de lazer e urbanização
No Subúrbio Ferroviário, o VLT está associado a intervenções complementares de urbanização, lazer e convivência. Uma das ações previstas é o Skatepark do Subúrbio, na orla de Praia Grande, com cerca de 5 mil metros quadrados e pistas destinadas às modalidades Park e Street.
O conjunto de melhorias inclui pavimentação do calçadão, ampliação de áreas verdes, nova iluminação pública e qualificação dos acessos à praia. A proposta é transformar o entorno das obras em espaços mais seguros, acessíveis e adequados ao uso cotidiano da população.
Essas intervenções ampliam o alcance social do projeto. Em vez de limitar o investimento à infraestrutura ferroviária, o Estado busca associar mobilidade, lazer, patrimônio e ordenamento urbano em uma região historicamente marcada por déficits de serviços e equipamentos públicos.










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