No domingo, 28/06/2026, o Governo da Bahia entregou a primeira etapa da requalificação do Parque Metropolitano de Pituaçu, em Salvador, com investimento superior a R$ 28 milhões em infraestrutura, segurança, acessibilidade e lazer, durante solenidade marcada pela EcoCorrida de Pituaçu e pelo anúncio de uma nova fase de obras. A reabertura do equipamento, considerado um dos principais patrimônios ambientais urbanos da capital baiana, ocorre em meio a críticas políticas e institucionais sobre o modelo de urbanização de Salvador, especialmente em relação à preservação de áreas verdes e à destinação de terrenos públicos.
Parque de Pituaçu é reaberto com ciclovia recuperada e nova infraestrutura
A primeira etapa da intervenção contemplou a recuperação completa da ciclovia, a implantação de bicicletário com capacidade para 250 bicicletas, a construção de cinco pontos de apoio, nova iluminação, sinalização, drenagem, melhorias de acessibilidade e medidas voltadas à ampliação da segurança dos frequentadores. A entrega devolve à população um espaço histórico de lazer, prática esportiva e convivência em uma das áreas ambientalmente mais relevantes de Salvador.
A reabertura foi simbolizada pela EcoCorrida de Pituaçu, evento que reuniu servidores da Secretaria do Meio Ambiente, do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, atletas, convidados e autoridades. A escolha da corrida como ato inaugural reforçou a vocação do parque para atividades ao ar livre e para o uso público associado à preservação ambiental.
Com 660 hectares de área, dos quais 378 hectares são protegidos, o Parque Metropolitano de Pituaçu permanece como referência em preservação da Mata Atlântica, educação ambiental, esporte e lazer. Em uma capital marcada por forte pressão imobiliária e expansão urbana, a requalificação de um equipamento dessa dimensão tem impacto que ultrapassa a entrega de uma obra pública: envolve política ambiental, ordenamento urbano e qualidade de vida.
Nova etapa prevê trilhas, minifloresta, decks e áreas de convivência
Durante a solenidade, o vice-governador Geraldo Júnior anunciou a segunda etapa da revitalização, com investimento previsto de aproximadamente R$ 15 milhões. A nova fase deve incluir equipamentos de convivência, trilhas ecológicas, minifloresta, anfiteatro verde, decks na lagoa, espaço pet, restaurantes e novas áreas destinadas ao uso público.
A proposta anunciada pelo Estado busca ampliar a integração entre lazer, educação ambiental e preservação. A requalificação da porção sul do parque deverá reforçar a função do equipamento como espaço de uso coletivo, ao mesmo tempo em que impõe ao poder público a responsabilidade de garantir manutenção permanente, fiscalização ambiental e segurança.
Ao defender a intervenção, Geraldo Júnior afirmou que o investimento transforma área verde em qualidade de vida. A declaração resume o eixo político-administrativo da entrega: apresentar a preservação ambiental não como obstáculo à urbanização, mas como parte essencial de uma política pública de cidade.
Obra estadual expõe contraste político sobre urbanização em Salvador
A reabertura de Pituaçu também foi tratada por aliados do Governo da Bahia como contraponto ao modelo de urbanização atribuído à Prefeitura de Salvador. Para o deputado estadual Bobô (PCdoB), a intervenção estadual revela contraste com críticas dirigidas à gestão municipal, comandada por Bruno Reis, e ao grupo político associado ao ex-prefeito ACM Neto.
Segundo o parlamentar, enquanto o governador Jerônimo Rodrigues recupera um parque e protege uma área de Mata Atlântica, a Prefeitura de Salvador enfrenta questionamentos sobre intervenções urbanas, avanço do concreto e preservação de áreas verdes. A crítica se insere em um debate mais amplo sobre desafetação, alienação de terrenos públicos, verticalização e prioridades urbanísticas na capital baiana.
Bobô afirmou que uma cidade mais verde não se constrói apenas com jardins e paisagismo de vitrine. Para ele, Pituaçu demonstra que preservar também é realizar obra pública, desde que a natureza continue no centro da intervenção. A formulação sintetiza a disputa narrativa entre dois modelos de gestão urbana: um baseado na recuperação de grandes áreas ambientais públicas e outro questionado por setores políticos, ambientais e sociais em razão da destinação de áreas urbanas sensíveis.
Preservação ambiental entra no centro da disputa sobre o futuro urbano
A requalificação de Pituaçu ocorre em um momento em que Salvador enfrenta pressões típicas de grandes metrópoles brasileiras: adensamento, valorização imobiliária, mudanças climáticas, demanda por mobilidade e necessidade de ampliar áreas públicas de convivência. Nesse contexto, parques urbanos deixam de ser vistos apenas como equipamentos de lazer e passam a cumprir papel estratégico na mitigação de ilhas de calor, na proteção da biodiversidade e na garantia de espaços coletivos.
O Parque de Pituaçu também tem valor simbólico. Trata-se de uma área que preserva remanescentes de Mata Atlântica e abriga atividades esportivas, educativas e culturais. Sua recuperação, portanto, fortalece a noção de que áreas verdes públicas devem ser tratadas como infraestrutura essencial da cidade, ao lado de transporte, saneamento, saúde e educação.









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