Na terça-feira, 16/06/2026, o Governo da Bahia destacou, durante a abertura do II Encontro Estadual da Pesca e Aquicultura, no Centro de Convenções de Salvador, na Boca do Rio, um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva do pescado no estado. O evento reuniu pescadores, aquicultores, representantes de entidades de classe, gestores públicos e instituições ligadas ao setor, com foco em políticas públicas para ampliar produção, gerar renda, promover inclusão produtiva e preparar propostas para a 4ª Conferência Nacional da Pesca e Aquicultura, prevista para novembro, em Brasília.
Bahia destaca políticas públicas para pesca e aquicultura
A abertura do encontro evidenciou a estratégia do Governo do Estado para impulsionar a pesca e a aquicultura como atividades relevantes para a economia, a segurança alimentar e a geração de renda em comunidades baianas. A agenda foi conduzida com participação da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) e da Bahia Pesca, empresa vinculada à pasta.
Durante a solenidade, o secretário da Agricultura, Vivaldo Góis, afirmou que o setor representa uma fonte importante de emprego e renda para milhares de famílias no estado. Segundo ele, os programas desenvolvidos pelo governo buscam ampliar o acesso a assistência técnica, capacitação, insumos e oportunidades produtivas.
“A pesca e a aquicultura representam uma importante fonte de emprego, renda e segurança alimentar para milhares de famílias baianas. O Governo do Estado tem investido em programas estruturantes que levam assistência técnica, capacitação, insumos e novas oportunidades para os trabalhadores do setor, fortalecendo a produção e contribuindo para o desenvolvimento econômico sustentável da Bahia”, declarou o secretário.
Estado tem mais de 125 mil pescadores e aquicultores
Com mais de 125 mil pescadores e aquicultores em atividade, a Bahia reúne condições favoráveis para o crescimento da cadeia produtiva do pescado. O estado possui o maior litoral do país e conta com áreas propícias para diferentes modalidades de pesca e criação aquícola, tanto em ambientes costeiros quanto em estruturas produtivas no interior.
Nesse contexto, a Bahia Pesca tem coordenado iniciativas voltadas à ampliação da produção e à organização do setor. A atuação inclui programas de distribuição de alevinos, incentivo à piscicultura, assistência técnica especializada, apoio a viveiros escavados e tanques-rede, além de ações de pesquisa e inovação.
O presidente da Bahia Pesca, George da Hora, destacou programas considerados estratégicos para produtores de diferentes regiões. Entre eles estão o Peixe Vivo, responsável pela distribuição de alevinos de espécies como tilápia e tambaqui; o Tá na Rede, voltado ao incentivo da produção em viveiros escavados e tanques-rede; e o Meu Viveiro, que oferece assistência técnica especializada para piscicultores.
Pesquisa, inovação e mapeamento da produção
Além das ações de fomento direto, o Governo do Estado também citou investimentos em pesquisa e inovação. Um dos exemplos apresentados foi a Fazenda Oruabo, em Santo Amaro, apontada como referência na reprodução de camarões.
Outro ponto destacado foi a realização do Censo Estrutural da Piscicultura, iniciativa que permitiu mapear a atividade, atualizar cadastros de produtores baianos e reunir informações mais precisas sobre a produção aquícola no estado. Esse tipo de levantamento é relevante para orientar políticas públicas, dimensionar demandas regionais e planejar investimentos com maior precisão.
A combinação entre assistência técnica, levantamento de dados e programas de incentivo produtivo indica uma tentativa de estruturar o setor para além de ações pontuais. O desafio, porém, permanece na capacidade de transformar programas governamentais em resultados consistentes para trabalhadores, cooperativas, associações e pequenos produtores.
Ministro destaca Bahia como referência nacional
Presente ao encontro, o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, afirmou que a Bahia tem papel de referência nacional na formulação de políticas públicas para o setor. Segundo ele, a existência de uma estrutura estadual dedicada à pesca e à aquicultura contribui para atender demandas dos trabalhadores e fortalecer a cadeia produtiva.
“A Bahia demonstra a importância de manter uma estrutura dedicada à pesca e à aquicultura, desenvolvendo ações que atendem às necessidades dos trabalhadores e fortalecem toda a cadeia produtiva”, afirmou o ministro.
O evento também contou com a participação do vice-governador Geraldo Júnior, do presidente da Federação dos Pescadores e Agricultores do Estado da Bahia (Fepesba), Aurelino Santos, do presidente da Confederação Nacional dos Pescadores e Aquicultores (CNPA), Edivando Soares, além de representantes de órgãos públicos, entidades de pesquisa e lideranças vinculadas à atividade.
Encontro discute regularização, sustentabilidade e inovação
O II Encontro Estadual da Pesca e Aquicultura foi concebido como espaço de diálogo entre poder público, entidades representativas e trabalhadores do setor. A programação inclui debates sobre desenvolvimento sustentável, gestão dos recursos pesqueiros, regularização da atividade, inovação tecnológica e fortalecimento das organizações de produtores.
Para o presidente da Fepesba, Aurelino Santos, o encontro representa uma oportunidade para ouvir demandas das comunidades pesqueiras e avançar na construção de propostas voltadas à categoria.
“Este é um espaço fundamental para reunir os trabalhadores, ouvir as demandas das comunidades pesqueiras e avançar na construção de políticas públicas que atendam às necessidades da categoria”, declarou.
A realização do encontro ocorre em um momento em que o setor demanda maior organização institucional, acesso a crédito, apoio técnico, regularização documental e políticas de sustentabilidade. A pesca e a aquicultura dependem de planejamento contínuo para conciliar produção, preservação ambiental, renda e segurança alimentar.
Etapa preparatória para conferência nacional
O encontro segue até quarta-feira, 17/06/2026, e integra a etapa preparatória para a 4ª Conferência Nacional da Pesca e Aquicultura, prevista para ocorrer entre 11 e 13/11/2026, em Brasília.
A conferência nacional deve reunir propostas de diferentes estados e setores produtivos, com objetivo de orientar políticas públicas para pesca, aquicultura, regularização, financiamento, organização social, tecnologia e sustentabilidade. A participação da Bahia nessa etapa preparatória busca inserir demandas locais no debate nacional.
Ao reunir governo estadual, governo federal, entidades representativas e trabalhadores, o evento amplia o debate sobre os rumos da cadeia produtiva do pescado. A efetividade das propostas, contudo, dependerá da continuidade das ações, da execução orçamentária, do monitoramento dos programas e da capacidade de articulação entre Estado, municípios, produtores e organizações sociais.









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