Iphan investe mais de R$ 2,3 milhões em projetos de restauro de terreiros de matriz africana na Bahia e em Pernambuco

Na quarta-feira, 17/06/2026, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional — Iphan — informou a destinação de mais de R$ 2,3 milhões, via Novo PAC, para a elaboração de projetos de restauro de seis terreiros de matriz africana localizados na Bahia e em Pernambuco, iniciativa voltada à preservação de espaços religiosos, comunitários e culturais vinculados à herança afro-brasileira, com ações técnicas preparatórias para futuras obras de restauração.

Recursos contemplam seis terreiros no Nordeste

O investimento anunciado pelo Iphan alcança cinco terreiros situados na Bahia e um em Pernambuco. Segundo o órgão federal, os recursos foram destinados à elaboração de projetos de arquitetura e engenharia, etapa necessária para definir diretrizes técnicas de futuras intervenções de restauro.

Na Bahia, foram contemplados terreiros localizados em Cachoeira, Itaparica e Salvador. Em Pernambuco, a ação contempla o Memorial Ilê do Terreiro Obá Ogunté, no Sítio de Pai Adão, no Recife. O Iphan apresenta esses espaços como centros de práticas espirituais, sociabilidade comunitária, memória e resistência cultural.

A tabela do material informativo aponta investimento total de R$ 2.328.835,96. Desse montante, R$ 1.868.835,96 estão vinculados a projetos na Bahia, enquanto R$ 460.000,00 correspondem à ação em Pernambuco.

Projetos e valores informados

Bahia

Cachoeira

  • Terreiro contemplado: Terreiro Ilê Axé Icimimo Aganju Didê
  • Tipo de ação: Projeto
  • Investimento: R$ 375.000,00

Itaparica

  • Terreiro contemplado: Terreiro Omo Ilê Agboulá
  • Tipo de ação: Projeto
  • Investimento: R$ 125.000,00

Salvador

  • Terreiro contemplado: Terreiro da Casa Branca
  • Tipo de ação: Projeto
  • Investimento: R$ 250.000,00
  • Terreiro contemplado: Terreiro do Alaketo, Ilê Maroiá Láji
  • Tipo de ação: Projeto
  • Investimento: R$ 931.335,96
  • Terreiro contemplado: Terreiros do Gantois
  • Tipo de ação: Projeto
  • Investimento: R$ 187.500,00

Total informado para a Bahia: R$ 1.868.835,96

Pernambuco

Recife

  • Terreiro contemplado: Memorial Ilê do Terreiro Obá Ogunté, no Sítio do Pai Adão
  • Tipo de ação: Projeto
  • Investimento: R$ 460.000,00

Total informado para Pernambuco: R$ 460.000,00

Síntese geral

  • Total de projetos informados: 6
  • Estados contemplados: Bahia e Pernambuco
  • Municípios contemplados: Cachoeira, Itaparica, Salvador e Recife
  • Maior investimento individual: Terreiro do Alaketo, Ilê Maroiá Láji, em Salvador — R$ 931.335,96
  • Investimento total informado: R$ 2.328.835,96

Preservação envolve estrutura física, memória e uso comunitário

De acordo com o Iphan, os projetos preveem ações voltadas à melhoria das condições de uso dos terreiros, incluindo estudos para restauração de estruturas físicas, como casas de santo, espaços de culto, áreas de convivência e elementos artísticos.

A intervenção anunciada não se limita à dimensão arquitetônica. O órgão federal afirma que os projetos também buscam fortalecer atividades de valorização da cultura afro-brasileira, ampliar a conscientização sobre o patrimônio cultural e preservar vínculos comunitários associados aos espaços religiosos.

A relevância pública da medida decorre do papel histórico dos terreiros na formação social brasileira. Esses espaços concentram práticas religiosas, saberes tradicionais, formas de organização comunitária e referências culturais transmitidas entre gerações, especialmente em regiões marcadas pela presença africana na constituição da vida urbana, religiosa e cultural.

Bahia concentra maior parte dos projetos

A Bahia responde por cinco dos seis projetos listados, o que reflete a centralidade do estado na preservação de terreiros de matriz africana. Salvador reúne três iniciativas: Casa Branca, Alaketo e Gantois. Cachoeira e Itaparica completam o conjunto baiano.

O maior valor individual informado é destinado ao Terreiro do Alaketo, Ilê Maroiá Láji, em Salvador, com R$ 931.335,96. Em seguida, aparecem o projeto do Memorial Ilê do Terreiro Obá Ogunté, no Recife, com R$ 460.000,00, e o Terreiro Ilê Axé Icimimo Aganju Didê, em Cachoeira, com R$ 375.000,00.

A concentração de projetos na Bahia também evidencia a necessidade de políticas continuadas para proteção de bens culturais afro-brasileiros. A preservação desses espaços exige planejamento técnico, escuta das comunidades religiosas, respeito às especificidades rituais e fiscalização adequada da aplicação dos recursos públicos.

Projetos antecedem futuras obras de restauro

O Iphan informou que os projetos de arquitetura e engenharia são instrumentos técnicos para estabelecer parâmetros das futuras obras de restauro. Essa etapa é decisiva porque define métodos, materiais, limites de intervenção e cuidados necessários para preservar a arquitetura sagrada tradicional de cada terreiro.

A elaboração prévia dos projetos também tende a reduzir riscos de intervenções inadequadas em espaços de valor religioso e cultural. Em terreiros de matriz africana, a restauração não pode ser tratada apenas como obra civil convencional, pois envolve lugares de culto, símbolos, usos comunitários e formas próprias de organização do espaço.

Segundo o presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão, a preservação desses terreiros integra uma agenda de reparação histórica e de reconhecimento da contribuição das culturas de matriz africana para a formação da identidade nacional.


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