O jornal francês Le Figaro publicou, na segunda-feira (29/06/2026), uma reportagem afirmando que o crime organizado exerce influência sobre a economia brasileira, reduz o crescimento econômico e amplia os custos para o Estado e para a população. A publicação reúne dados de instituições brasileiras para dimensionar o impacto financeiro das atividades ilícitas e analisa medidas anunciadas pelo governo federal para combater o financiamento das organizações criminosas.
Segundo a reportagem assinada pela correspondente Eléonore Hughes, no Rio de Janeiro, o narcotráfico e outras atividades criminosas representam um obstáculo para a economia nacional ao afetarem a arrecadação pública, ampliarem despesas do setor público e imporem custos adicionais às famílias que vivem em áreas sob influência de facções criminosas e milícias.
O texto também cita estimativas de instituições brasileiras sobre o volume financeiro movimentado pelas organizações criminosas e destaca iniciativas recentes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para restringir os fluxos financeiros ilegais.
Le Figaro aponta impacto econômico das atividades criminosas
Na reportagem, o Le Figaro afirma que grupos ligados ao narcotráfico e ao crime organizado exercem influência em diferentes regiões do Brasil, comprometendo o desenvolvimento econômico e ampliando os custos sociais e fiscais.
O jornal utiliza dados do Instituto Igarapé, segundo os quais o custo acumulado da criminalidade e das economias ilícitas pode alcançar até R$ 1,5 trilhão por ano, valor equivalente a entre 12% e 14% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A publicação compara esse montante ao tamanho das economias de Portugal e da República Tcheca.
Ainda de acordo com a reportagem, o impacto econômico não se restringe às perdas fiscais, mas também afeta investimentos, a atividade empresarial e os gastos das famílias em regiões sob controle de organizações criminosas.
PCC é citado entre as organizações com maior movimentação financeira
O jornal francês também menciona dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, segundo os quais o Primeiro Comando da Capital (PCC) possui faturamento anual estimado em quase R$ 7 bilhões.
A publicação lembra que a organização foi recentemente classificada como organização terrorista pelos Estados Unidos e afirma que sua atuação envolve diferentes atividades econômicas ilícitas, além do tráfico de drogas.
Segundo o texto, o fortalecimento financeiro dessas organizações amplia sua capacidade de atuação e dificulta o combate às estruturas criminosas responsáveis por lavagem de dinheiro e outras práticas ilegais.
Custos recaem sobre moradores de áreas dominadas por facções e milícias
A reportagem utiliza o Rio de Janeiro como exemplo para ilustrar os impactos econômicos diretos sobre a população.
Segundo o jornal, moradores de comunidades controladas por facções criminosas ou milícias frequentemente precisam adquirir produtos e serviços fornecidos pelos próprios grupos criminosos, o que gera despesas adicionais para as famílias e fortalece financeiramente essas organizações.
O texto sustenta que esse modelo amplia o controle econômico exercido pelo crime organizado em determinados territórios, afetando tanto consumidores quanto atividades comerciais locais.
Governo anuncia plano de R$ 11 bilhões para combater fluxos financeiros ilícitos
O Le Figaro também destaca que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou recentemente um plano de R$ 11 bilhões destinado a reduzir o financiamento das organizações criminosas, com foco na identificação de fluxos financeiros ilegais e no combate à lavagem de dinheiro.
De acordo com a reportagem, a estratégia busca enfraquecer financeiramente facções criminosas por meio da integração entre órgãos de investigação e inteligência financeira.
O jornal francês avalia que, além dessa iniciativa, seria necessário ampliar mecanismos de fiscalização sobre segmentos como plataformas de apostas online, criptomoedas e empresas de tecnologia financeira.
Reportagem cita investigação sobre lavagem de dinheiro
Como exemplo, o Le Figaro menciona uma investigação conduzida por órgãos públicos brasileiros envolvendo Polícia, Receita Federal, Ministério Público e outras instituições.
Segundo a publicação, a apuração identificou que recursos obtidos pelo PCC no setor de biocombustíveis circulavam, entre outros canais, por empresas financeiras digitais instaladas na região da Faria Lima, em São Paulo.
A reportagem utiliza esse caso para defender que o combate às organizações criminosas depende do fortalecimento dos mecanismos de rastreamento financeiro e da atuação integrada entre órgãos responsáveis pela fiscalização e investigação.
*Com informações da RFI.









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