O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, afirmou nesta terça-feira (09/06/2026), durante audiência na Câmara dos Deputados, que o governo federal tem como prioridades no combate ao crime organizado a asfixia financeira de facções, bloqueio de celulares em presídios, aumento da elucidação de homicídios e combate ao tráfico ilegal de armas.
O ministro participou de reunião solicitada pelos deputados Gustavo Gayer (PL-GO) e Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP) para apresentar informações sobre as ações da pasta. Gayer não esteve presente por motivos de saúde.
Segundo Lima e Silva, os quatro pontos formam a base da estratégia apresentada pelo governo para enfrentar organizações criminosas e ampliar a capacidade de investigação e repressão.
Governo prevê integração financeira e mudanças no sistema penitenciário
O primeiro eixo apresentado pelo ministro é a asfixia financeira, que prevê a integração de informações de inteligência financeira e fiscal para identificar, rastrear e bloquear recursos utilizados por organizações criminosas.
A proposta inclui ações coordenadas entre órgãos públicos para dificultar a movimentação de valores ligados a atividades ilegais.
Outro ponto destacado foi a modernização penitenciária, com a intenção de elevar 138 presídios estaduais ao padrão de segurança máxima, utilizando tecnologia e protocolos destinados a impedir comunicações de líderes de facções dentro das unidades.
O ministro afirmou que o bloqueio de celulares em presídios é uma das medidas consideradas essenciais para reduzir a articulação de crimes comandados a partir do sistema prisional.
Plano inclui homicídios, armas e novas tecnologias
Na área de investigação criminal, o governo pretende ampliar a taxa de esclarecimento de homicídios com investimentos em perícia, bancos de DNA e exames balísticos.
A estratégia busca melhorar a identificação de autores e a relação entre crimes violentos e grupos organizados.
O quarto eixo apresentado trata do combate ao tráfico de armas ilícitas, com ações voltadas ao controle de fronteiras, rastreamento de armamentos e enfrentamento de novas tecnologias.
Entre as preocupações citadas está o uso de armas produzidas por impressão 3D, apontadas pelo ministro como uma nova ameaça para a segurança pública.
Ministro responde sobre atuação da Polícia Federal
Durante a audiência, o deputado Delegado Paulo Bilynskyj questionou o ministro sobre ações da Polícia Federal envolvendo o ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos e sobre uma abordagem realizada contra um cidadão em Presidente Prudente (SP).
O parlamentar questionou se recursos públicos estariam sendo usados em ações que poderiam envolver perseguição política.
Em resposta, Lima e Silva afirmou que a atuação da Polícia Federal segue critérios legais e que a abordagem em São Paulo teve como objetivo verificar uma situação com possível caráter ilícito.
Segundo o ministro, os agentes teriam conversado com o cidadão para evitar excessos durante uma manifestação e encerrado a atuação após a reafirmação do direito à livre expressão.
Sobre a atuação no exterior, ele explicou que houve contato entre representantes brasileiros e órgãos dos Estados Unidos, mas que eventuais decisões de prisão foram tomadas exclusivamente pelas autoridades norte-americanas.
Ambiente digital entra no debate sobre segurança pública
A presidente da Comissão de Comunicação, deputada Maria Rosas (Republicanos-SP), questionou o ministro sobre medidas relacionadas às plataformas digitais e à proteção dos usuários contra golpes, desinformação e conteúdos produzidos por inteligência artificial.
Lima e Silva afirmou que o governo editou normas relacionadas ao ambiente digital diante do crescimento dos crimes virtuais e de decisões envolvendo o Marco Civil da Internet.
Como exemplo, citou dados sobre grupos digitais utilizados para circulação de conteúdos criminosos, incluindo casos envolvendo exploração sexual infantil.
O ministro declarou que as medidas buscam responder ao aumento dos crimes digitais e afirmou que o governo não pretende retirar atribuições do Congresso Nacional.
*Com informações da Agência Câmara de Notícias.









Deixe um comentário