Uma nova fase do fenômeno climático El Niño poderá começar nas próximas semanas, elevando o risco de impactos sobre a produção agrícola mundial, segundo alerta da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A entidade identificou áreas onde a probabilidade de ocorrência de secas severas é maior, com potencial para comprometer lavouras, rebanhos e a segurança alimentar.
A avaliação foi elaborada com base em imagens de satélite coletadas ao longo de quatro décadas, permitindo mapear regiões que historicamente sofrem os efeitos mais intensos do fenômeno climático.
O alerta ocorre em um momento em que especialistas da Organização Meteorológica Mundial (OMM) projetam um novo ciclo do El Niño com intensidade superior ao padrão observado em anos anteriores.
FAO identifica regiões mais expostas à seca
Segundo a FAO, os maiores riscos concentram-se no Sahel, em toda a África Austral, no Sul e Sudeste Asiático e no Corredor Seco da América Central e do Caribe.
Em algumas dessas áreas agrícolas e de pastagem, a probabilidade de ocorrência de seca ultrapassa 50% nos próximos meses, aumentando o risco de perdas na produção de alimentos.
A organização destaca que muitas dessas regiões já enfrentaram impactos significativos durante os episódios de El Niño de 2015–2016 e 2023–2024, quando foram registradas perdas de colheitas, mortalidade de rebanhos, aumento do endividamento das famílias rurais e deslocamentos populacionais.
Mudanças climáticas ampliam os impactos
A FAO ressalta que os efeitos do El Niño tornam-se mais severos quando combinados com conflitos, crises econômicas e insegurança alimentar.
Uma análise conjunta da FAO e do Programa Mundial de Alimentos (WFP) indica que diversos países considerados de alto risco climático também enfrentam elevados níveis de fome, tornando a população mais vulnerável aos impactos do fenômeno.
Para a organização, a combinação entre eventos climáticos extremos e fatores socioeconômicos reduz a capacidade de resposta das comunidades afetadas e amplia os desafios para os sistemas agrícolas.
FAO destaca necessidade de planejamento antecipado
O responsável por recursos naturais da FAO, Jorge Alvar-Beltrán, afirma que o cenário atual apresenta desafios adicionais em comparação com eventos anteriores, devido ao aumento das temperaturas globais e à persistência de conflitos em diversas regiões.
Segundo ele, localidades que já enfrentam vulnerabilidades estruturais tendem a sofrer impactos mais intensos caso o novo ciclo do El Niño seja confirmado.
A FAO defende que o planejamento antecipado é um dos principais instrumentos para reduzir perdas econômicas e humanitárias decorrentes do fenômeno climático.
Monitoramento detalhado pode orientar ações preventivas
O estudo da organização permite identificar áreas de risco com resolução de até um quilômetro quadrado, oferecendo maior precisão para o planejamento de políticas públicas.
A FAO recomenda a integração entre serviços meteorológicos e hidrológicos, ministérios da Agricultura e redes de assistência técnica para garantir que os alertas cheguem aos produtores rurais em tempo hábil.
De acordo com o especialista Riccardo Soldan, esse nível de detalhamento permite direcionar recursos de forma mais eficiente para áreas críticas, priorizando ações como transferências de renda, apoio ao abastecimento de água, sistemas de irrigação, alimentação animal e fornecimento de insumos agrícolas, reduzindo os impactos sobre a produção e a segurança alimentar.
*Com informações da ONU News.








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