Polo Industrial de Camaçari completa 48 anos com 80 empresas, 50 mil empregos e peso estratégico na economia da Bahia

O Polo Industrial de Camaçari completa, nesta segunda-feira, 29/06/2026, 48 anos de operação como um dos principais centros produtivos da Bahia e o maior complexo industrial integrado do Hemisfério Sul, reunindo mais de 80 empresas, cerca de 50 mil empregos diretos e indiretos, faturamento anual estimado em US$ 15 bilhões e participação relevante nas exportações, na arrecadação tributária e no Produto Interno Bruto da indústria de transformação do estado.

Polo chega aos 48 anos como eixo da industrialização baiana

Inaugurado em 29 de junho de 1978, o Polo Industrial de Camaçari consolidou-se como um dos mais relevantes vetores de desenvolvimento econômico da Bahia. Sua trajetória reúne expansão produtiva, diversificação de atividades, atração de investimentos, incorporação de novas tecnologias e influência direta sobre os municípios de Camaçari, Dias d’Ávila e demais áreas da Região Metropolitana de Salvador.

Ao longo de quase cinco décadas, o complexo passou de uma base fortemente associada à química e à petroquímica para uma estrutura industrial mais diversificada. Embora esses segmentos ainda concentrem parte expressiva da atividade empresarial, o Polo abriga atualmente operações nos setores de celulose, automotivo, pneus, metalurgia do cobre, têxtil, fertilizantes, fármacos, energia eólica, bebidas e serviços logísticos.

Essa diversificação tem sido decisiva para preservar a relevância do complexo em um ambiente marcado por mudanças tecnológicas, reorganização de cadeias globais de produção, exigências ambientais mais rigorosas e tensões geopolíticas que afetam comércio exterior, custos industriais e decisões de investimento.

Números mostram peso econômico do complexo

O Polo Industrial de Camaçari reúne mais de 80 empresas em operação, com investimento global estimado em US$ 16 bilhões. O conjunto empresarial gera aproximadamente 10 mil empregos diretos e 40 mil indiretos, além de movimentar uma cadeia de fornecedores, prestadores de serviço, operadores logísticos e trabalhadores especializados.

A capacidade produtiva supera 12 milhões de toneladas por ano, considerando produtos químicos, petroquímicos básicos, intermediários e finais. O complexo responde por cerca de 15% das exportações baianas e representa 22% do PIB da indústria de transformação da Bahia, o que confirma sua centralidade na estrutura econômica estadual.

A arrecadação também evidencia a dimensão fiscal do Polo. As empresas instaladas no complexo contribuem com mais de R$ 4 bilhões por ano em ICMS para o Estado da Bahia e respondem por mais de 90% da receita tributária dos municípios de Camaçari e Dias d’Ávila, demonstrando impacto direto sobre a capacidade de financiamento de políticas públicas locais.

Sustentabilidade, segurança industrial e qualificação profissional

A operação de um complexo industrial dessa escala exige atenção permanente à segurança dos trabalhadores, das comunidades vizinhas e das próprias unidades produtivas. Nesse contexto, o Polo mantém sistemas voltados ao gerenciamento de riscos, integração operacional e resposta coordenada a emergências.

Entre as vantagens estruturais do complexo estão a integração entre empresas, a existência de uma central de matérias-primas, o fornecimento compartilhado de utilidades industriais, sistemas coletivos de licenciamento e gestão ambiental, além de programas integrados de auxílio mútuo em situações emergenciais e atendimento médico.

As empresas também desenvolvem iniciativas de qualificação profissional, formação de mão de obra e responsabilidade socioambiental. Nos últimos três anos, associadas ao Cofic investiram mais de R$ 18 milhões em ações sociais voltadas a comunidades vizinhas e áreas de influência do complexo, com incorporação crescente de práticas de ESG, sigla em inglês para critérios ambientais, sociais e de governança.

Localização estratégica amplia competitividade

Instalado em Camaçari, a cerca de 50 quilômetros de Salvador, o Polo possui localização favorável para operações industriais de grande escala. O acesso por rodovias, ferrovias, portos e aeroportos favorece a circulação de insumos, produtos finais, equipamentos e mão de obra especializada.

Entre os principais acessos estão a BA-093, a BA-535, conhecida como Via Parafuso, e o Canal de Tráfego, que integram a infraestrutura logística necessária ao funcionamento das unidades produtivas. Essa conexão com corredores regionais e estruturas portuárias amplia a competitividade do complexo e facilita a inserção de empresas nos mercados nacional e internacional.

A disponibilidade de áreas para novos empreendimentos também aparece como ativo relevante. Em um momento de reconfiguração da indústria global, a existência de infraestrutura instalada, cadeias produtivas integradas e experiência operacional acumulada favorece a atração de novos projetos industriais.

Empresas líderes reforçam diversidade produtiva

O Polo de Camaçari abriga empresas de referência em diferentes segmentos. Entre elas estão a Braskem, líder em resinas termoplásticas na América Latina; a Moeve, ex-Deten Química, produtora de LAB, matéria-prima utilizada na fabricação de detergentes biodegradáveis; e a Elekeiroz, uma das maiores produtoras de produtos químicos intermediários do país.

Também se destacam a Bracell, com atuação na produção de celulose solúvel a partir do cultivo sustentável de eucalipto, além de Continental e Bridgestone, no segmento de pneus. Na área de energia eólica, setor com perspectiva de expansão na Bahia e no Brasil, aparecem empresas como Siemens Gamesa e Torrebras.

O complexo ainda se relaciona a empreendimentos de grande porte no entorno industrial, como a Refinaria de Mataripe, administrada pela Acelen, considerada a maior refinaria privada do país. A presença da Unipar, líder na produção de cloro e soda, e da BYD, voltada à fabricação automotiva e à eletromobilidade, reforça a renovação industrial da região.

BYD e Unipar simbolizam nova fase industrial

A chegada de novas unidades produtivas ao Polo reforça a transição para uma indústria mais diversificada, com maior presença de tecnologias associadas à mobilidade elétrica, química avançada e insumos estratégicos. A BYD representa uma das apostas mais relevantes dessa nova etapa, ao estruturar um parque de fabricação automotiva voltado ao mercado de veículos elétricos.

A Unipar, por sua vez, fortalece a cadeia química com produção de cloro e soda, insumos essenciais para diferentes atividades industriais. Esses empreendimentos se somam à base produtiva tradicional e contribuem para ampliar a densidade industrial do complexo.

A permanência e a atração de empresas líderes indicam que o Polo de Camaçari segue competitivo, embora submetido aos desafios comuns a grandes parques industriais: necessidade de inovação, qualificação contínua, eficiência logística, segurança operacional, estabilidade regulatória e adequação às novas exigências ambientais.

Cadeias produtivas adensadas ampliam impacto regional

A presença da Basf, por meio do Complexo Acrílico, exemplifica o adensamento das cadeias produtivas instaladas em Camaçari. O empreendimento envolve produção em escala global de ácido acrílico, acrilato de butila e polímeros superabsorventes, utilizando como matéria-prima o propeno fornecido pela Unidade de Químicos Básicos da Braskem.

Essas rotas industriais atraem empresas de transformação, como a Kimberly-Clark, que utiliza polímeros superabsorventes na produção de fraldas descartáveis e itens de higiene pessoal. O encadeamento entre fornecedores de matérias-primas, fabricantes intermediários e produtores finais é uma das características que explicam a competitividade do complexo.

Outras empresas também compõem essa diversidade, entre elas Indorama, Bayer, Unigel, Knauf, Votorantim e ITF Chemical. A presença de organizações de diferentes portes e setores sustenta uma estrutura produtiva complexa, com efeitos sobre emprego, arrecadação, exportações, inovação e formação profissional.

O Polo em números

Dados principais

  • Início das atividades: 29/06/1978
  • Empresas em operação: mais de 80
  • Investimento global: US$ 16 bilhões
  • Empregos: 10 mil diretos e 40 mil indiretos
  • Faturamento anual: cerca de US$ 15 bilhões
  • Capacidade produtiva: mais de 12 milhões de toneladas por ano
  • Exportações: cerca de 15% do total exportado pela Bahia
  • ICMS: mais de R$ 4 bilhões por ano para o Estado da Bahia
  • Receita tributária municipal: mais de 90% da arrecadação de Camaçari e Dias d’Ávila
  • Participação no PIB da indústria de transformação baiana: 22%

Principais segmentos industriais

  • Químico e petroquímico
  • Química fina e fármacos
  • Celulose
  • Têxtil
  • Metalurgia do cobre
  • Fertilizantes
  • Pneus
  • Automotivo
  • Energia eólica
  • Bebidas
  • Serviços e logística

Relevância pública está na capacidade de sustentar emprego, arrecadação e inovação

A marca de 48 anos do Polo Industrial de Camaçari não representa apenas uma celebração empresarial. Trata-se de um indicador da permanência de uma política de industrialização que alterou a estrutura econômica da Bahia, gerou base técnica, consolidou municípios industriais e criou um ambiente produtivo com capacidade de atrair empreendimentos de alta complexidade.

O peso do complexo na arrecadação estadual e municipal impõe, ao mesmo tempo, responsabilidade proporcional. A dependência tributária de Camaçari e Dias d’Ávila em relação ao Polo evidencia sua importância, mas também expõe a necessidade de planejamento público, diversificação econômica e acompanhamento rigoroso das práticas ambientais, trabalhistas e de segurança industrial.

Nos próximos anos, a relevância do Polo dependerá da capacidade de combinar competitividade, inovação tecnológica, sustentabilidade, qualificação profissional e atração de novos investimentos.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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