Durante solenidade realizada nesta quinta-feira (11/06/2026) no Parque de Exposições, em Salvador, para autorização de obras do Governo da Bahia, o prefeito de Santo Estêvão, Tiago Dias, afirmou ter sido excluído do ato oficial após o cancelamento de seu convite na véspera do evento, apesar de a reforma da Estação Rodoviária do município ter sido anunciada entre os investimentos estaduais. Em carta aberta dirigida a prefeitos e prefeitas baianos, o gestor classificou o episódio como uma questão de respeito institucional, municipalismo e equilíbrio federativo, sustentando que a demanda pela obra havia sido formalizada pela Prefeitura junto à Secretaria de Infraestrutura da Bahia (Seinfra).
Prefeito afirma que pedido de reforma foi apresentado por canais oficiais
Na manifestação pública, Tiago Dias relatou que a Prefeitura de Santo Estêvão encaminhou ao Governo do Estado, por meio da Seinfra, pedido formal para a reforma da Estação Rodoviária. Segundo ele, a solicitação foi apresentada pelos canais institucionais adequados, com documentos oficiais remetidos pelo Gabinete do Prefeito.
O gestor também informou que recebeu, posteriormente, uma visita técnica de equipe da Seinfra ao município. Na ocasião, afirmou ter acompanhado pessoalmente os técnicos durante a avaliação da estrutura existente e das necessidades da intervenção. A partir desse procedimento, segundo o relato, o processo passou a tramitar regularmente no âmbito do Governo da Bahia.
Ao dirigir-se aos demais prefeitos da Bahia, Tiago Dias afirmou que decidiu tornar o episódio público por entender que a situação ultrapassa o interesse local. Na carta, declarou que vinha compartilhar “uma situação que me causou profunda indignação”, associando o caso à defesa da autonomia municipal e ao tratamento devido aos gestores eleitos.
Convite teria sido cancelado na véspera da solenidade
De acordo com a carta aberta, Tiago Dias foi contatado pela própria secretaria na véspera da solenidade e convidado oficialmente para participar do evento, marcado para o dia 11 de junho, no Parque de Exposições, em Salvador. O prefeito afirma, porém, que, por volta das 21h do dia anterior, recebeu novo contato informando que teria ocorrido um “equívoco” e que o convite estava cancelado.
Mesmo diante do cancelamento, o prefeito compareceu ao evento. Segundo o relato, ele constatou no local que Santo Estêvão estava entre os municípios contemplados e que a reforma da rodoviária havia sido oficialmente anunciada pelo Governo do Estado.
Tiago Dias procurou separar a importância da obra da crítica institucional. “O que causa indignação não é a realização da obra”, afirmou. Em seguida, ressaltou que “toda obra pública que beneficia a população merece ser celebrada”, mas questionou o tratamento dado ao representante eleito do município beneficiado.
Gestor diz que não subiu ao palanque em sinal de protesto
Na carta, o prefeito informou que sua presença teria sido identificada pelos organizadores já no início da solenidade. Ainda assim, disse ter optado por não ocupar o palanque nem participar do ato oficial, como forma de protesto contra o que considerou uma postura inadequada na relação entre Estado e Município.
Segundo Tiago Dias, a decisão não teve motivação pessoal. O prefeito afirmou que agiu por convicção de que o respeito institucional aos municípios e aos seus representantes eleitos deve estar acima de divergências políticas.
O gestor também procurou afastar a interpretação de que a manifestação decorra de disputa partidária. “Esta não é uma questão partidária. Não é uma disputa política”, escreveu. Para ele, o ponto central do episódio é o respeito às instituições e à representação municipal.
UPB foi comunicada antes da divulgação da carta
Tiago Dias afirmou que, antes de tornar pública a manifestação e antes mesmo de comparecer ao evento, procurou a União dos Municípios da Bahia (UPB). Segundo o prefeito, o caso foi relatado ao presidente da entidade, Wilson Cardoso, prefeito de Andaraí.
Na carta, o gestor agradeceu a atenção, a escuta e a disposição do presidente da UPB em receber o relato. O prefeito sustentou que tinha o dever de comunicar o episódio à entidade que representa os interesses dos municípios baianos.
O acionamento da UPB reforça a tentativa de enquadrar o caso como debate institucional, e não apenas como desentendimento protocolar. Ao levar o episódio ao conhecimento da entidade municipalista, Tiago Dias buscou dar dimensão coletiva à reclamação.
Carta defende municipalismo e respeito federativo
O prefeito de Santo Estêvão argumentou que não é possível defender a união dos municípios apenas em discursos e permanecer em silêncio diante de práticas que, em sua avaliação, fragilizam a representação municipal. Para ele, o fortalecimento do municipalismo depende do reconhecimento formal dos gestores eleitos.
“Hoje, o episódio ocorreu com Santo Estêvão, amanhã poderá ocorrer com qualquer outro município”, declarou.
A frase sintetiza o eixo político-institucional da carta: a preocupação de que situações semelhantes possam atingir outras prefeituras, independentemente de alinhamento político.
Tiago Dias encerrou a manifestação afirmando que continuará buscando investimentos, obras e parcerias para Santo Estêvão. Ao mesmo tempo, declarou que não poderia se calar diante de um episódio que considera “incompatível com os princípios republicanos” que devem orientar a relação entre entes públicos.









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