O prefeito de Serra do Ramalho, Lica Santos (PSDB), sinalizou nesta quinta-feira (11/06/2026) apoio político ao governador Jerônimo Rodrigues (PT) durante agenda institucional no Parque de Exposições, em Salvador, realizada no contexto da assinatura de convênios, licitações, ordens de serviço e acordos consorciais voltados a municípios baianos. A manifestação ganhou relevância política porque o gestor municipal havia apoiado ACM Neto (União Brasil) na disputa pelo Governo da Bahia em 2022, o que insere sua declaração no movimento mais amplo de rearranjo de alianças no interior do estado em ano eleitoral.
Prefeito afirma que Serra do Ramalho está “preparada e querendo”
Durante o evento, Lica Santos afirmou estar satisfeito com a participação na agenda e dirigiu palavras de apoio ao governador. Em sua declaração, o prefeito disse que Serra do Ramalho está “preparada e querendo”, além de se declarar pronta para “honrar um compromisso” com Jerônimo Rodrigues.
“Estou aqui muito alegre e satisfeito. Peço que Deus abençoe a cada um de vocês. Quero falar sobre a minha gratidão por estar presente e fazer parte desse time e dizer que o senhor pode ter certeza de que Serra do Ramalho está preparada e querendo, pronta para honrar um compromisso com o senhor”, declarou o prefeito.
A fala foi interpretada como um gesto público de alinhamento político ao grupo governista estadual. Embora tenha ocorrido em ato institucional de assinatura de convênios, a declaração extrapolou o caráter administrativo da agenda e passou a ter leitura eleitoral, especialmente pela trajetória recente do prefeito no campo político baiano.
Apoio anterior a ACM Neto amplia peso político da declaração
O ponto central da repercussão está no fato de Lica Santos ter apoiado ACM Neto nas eleições estaduais de 2022, quando o então candidato do União Brasil disputou o Governo da Bahia contra Jerônimo Rodrigues. A mudança de posição, agora explicitada em ambiente público, reforça a movimentação de prefeitos do interior em direção à base governista.
No sistema político baiano, o apoio de gestores municipais tem peso estratégico. Prefeitos controlam redes locais de articulação, têm relação direta com lideranças comunitárias e exercem influência na organização territorial das campanhas. Em municípios do interior, essa capilaridade costuma ser decisiva para mobilização eleitoral, formação de palanques regionais e consolidação de apoios partidários.
A declaração de Lica Santos não deve ser lida isoladamente. Ela ocorre em um cenário de disputa antecipada por apoios municipais, no qual governo e oposição buscam consolidar presença territorial antes do período formal de campanha. Nesse contexto, cada adesão pública de prefeito ganha significado político superior ao gesto individual.
Ato reuniu pacote de investimentos para municípios baianos
A manifestação ocorreu durante agenda do Governo da Bahia voltada à formalização de investimentos em diversas regiões do estado. O evento reuniu prefeitos, lideranças políticas e representantes institucionais em torno de um pacote de ações anunciado pelo governador Jerônimo Rodrigues.
Segundo as informações divulgadas pelo Governo da Bahia, as medidas abrangem áreas como infraestrutura viária, mobilidade, melhoria urbana, saúde, educação, abastecimento de água e serviços públicos. O conjunto das assinaturas contempla diretamente 200 cidades, por meio de licitações, ordens de serviço, convênios e acordos consorciais.
Ao vincular investimentos estaduais a demandas municipais, o governo reforça uma estratégia administrativa baseada na cooperação com prefeituras. Esse modelo tende a ampliar a presença do Executivo estadual nos territórios e, simultaneamente, cria ambiente de aproximação política com gestores locais de diferentes partidos.
Infraestrutura aparece como eixo prioritário
Entre os anúncios, a área de infraestrutura concentrou parte expressiva dos recursos, com ações voltadas à malha rodoviária, pavimentação, mobilidade e melhoria de acessos em municípios baianos. Esse tipo de investimento costuma ter forte apelo municipal, pois responde a demandas recorrentes de deslocamento, escoamento produtivo, transporte escolar, acesso a serviços de saúde e integração entre comunidades rurais e sedes urbanas.
A ênfase em obras de infraestrutura também tem impacto político relevante. Estradas, pavimentações e intervenções urbanas são entregas visíveis à população e podem fortalecer a percepção de presença do Estado em localidades que dependem de investimentos externos para executar obras de maior porte.
Para prefeitos, a celebração de convênios e ordens de serviço representa oportunidade de viabilizar demandas que, muitas vezes, não cabem no orçamento municipal. Para o governo estadual, a agenda permite demonstrar capacidade de articulação com diferentes municípios, inclusive aqueles administrados por gestores de partidos fora da base original.
Interior da Bahia volta ao centro da disputa política
A sinalização de Lica Santos reforça a centralidade do interior no xadrez político baiano. Em um estado com 417 municípios, a construção de alianças depende menos de movimentos isolados em grandes centros e mais de uma rede contínua de apoios locais, articulações regionais e presença administrativa.
Serra do Ramalho, município do oeste baiano, integra esse universo de cidades onde a política estadual se materializa por meio de obras, serviços, convênios e relações diretas entre governo, prefeitura e comunidades. Nesse ambiente, a posição de um prefeito pode influenciar não apenas a disputa estadual, mas também a composição de alianças para deputados estaduais, federais e lideranças regionais.
A declaração de apoio, portanto, deve ser compreendida como parte de uma disputa por hegemonia territorial. O governo busca consolidar sua base e ampliar interlocução com antigos aliados da oposição, enquanto o grupo de ACM Neto precisa preservar apoios municipais que foram relevantes na eleição anterior.
Declaração mistura gesto administrativo e sinal eleitoral
A presença de prefeitos em atos oficiais de governo é prática comum na administração pública, especialmente quando envolve assinatura de convênios e anúncio de investimentos. Contudo, quando uma fala pública assume conteúdo explícito de compromisso político, a fronteira entre agenda institucional e disputa eleitoral passa a exigir atenção redobrada.
No caso de Lica Santos, o discurso ocorreu em ambiente oficial, mas teve conteúdo político perceptível. A frase sobre Serra do Ramalho estar “preparada e querendo” honrar compromisso com Jerônimo Rodrigues indica alinhamento que ultrapassa a formalidade administrativa de uma parceria entre Estado e município.
Esse tipo de manifestação é relevante para o interesse público porque permite compreender como se reorganizam as alianças partidárias e territoriais na Bahia. Ao mesmo tempo, exige cobertura jornalística cuidadosa, capaz de separar o que é investimento público, o que é gesto político e o que é interpretação eleitoral.
Reacomodação de forças pressiona oposição e fortalece base governista
A adesão pública de prefeitos que anteriormente estiveram ao lado de ACM Neto cria desgaste político para a oposição e favorece a narrativa de ampliação da base governista. Em disputas estaduais, a perda de aliados municipais pode reduzir capilaridade, dificultar a montagem de palanques e limitar a presença territorial de candidaturas oposicionistas.
Para Jerônimo Rodrigues, manifestações desse tipo funcionam como demonstração de força política e administrativa. A agenda com 200 municípios, somada ao apoio de gestores de diferentes legendas, projeta a imagem de um governo capaz de dialogar com prefeituras independentemente da origem partidária.
Para ACM Neto e seu grupo político, o movimento acende sinal de alerta. A manutenção de alianças no interior será decisiva para qualquer tentativa de recomposição eleitoral. A disputa, nesse sentido, não se dará apenas no plano discursivo, mas na capacidade de preservar bases locais, reconstruir confiança com prefeitos e apresentar alternativas de poder aos municípios.









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