Um levantamento realizado pelo projeto IFAUNA, do Instituto Federal Baiano (IF Baiano), identificou quase 30 espécies de aves e mamíferos em um fragmento de Mata Atlântica próximo ao Campus de Teixeira de Freitas. A pesquisa foi desenvolvida durante dois anos em uma área de aproximadamente 30 hectares pertencente ao Corredor Central da Mata Atlântica.
Entre os animais registrados estão lontras, veados-mateiros, tamanduás-mirins, tatus, cachorros-do-mato, garças-brancas-grandes, sabiás-laranjeiras, saracuras-três-potes e tapitis. Os dados indicam que fragmentos florestais próximos a áreas urbanas podem manter funções ecológicas relevantes para a circulação e sobrevivência de espécies.
A área analisada possui dois fragmentos com diferentes níveis de conservação: um com maior influência humana e acesso mais facilitado, e outro com vegetação mais fechada e preservada. Segundo a coordenadora do projeto, a professora de Biologia Rosane Silva dos Santos, o local é classificado como uma área periurbana, situada na transição entre os ambientes rural e urbano.
Registros mostram diversidade de espécies em área próxima ao centro urbano
A identificação das espécies foi realizada por meio de armadilhas fotográficas instaladas em pontos estratégicos da mata, considerando locais próximos a recursos naturais, como fontes de água, e áreas com menor risco de interferência externa.
A estudante de Engenharia Agronômica Emanuelle Nascimento, bolsista do projeto, destacou que os registros demonstraram a presença de animais mesmo em um espaço reduzido. Segundo ela, a pesquisa revelou que essas áreas podem funcionar como abrigo e rota de deslocamento para diferentes espécies.
Entre os registros considerados relevantes está o da lontra, mamífero semi-aquático cuja observação depende de monitoramento específico devido ao comportamento discreto. A presença do animal é utilizada por pesquisadores como um indicador das condições ambientais de determinados ecossistemas.
Veado-mateiro reforça necessidade de proteção dos fragmentos
Outro registro de destaque foi o do veado-mateiro, espécie afetada pela caça ilegal e pela perda de habitat em diferentes regiões. A ocorrência do animal em uma área próxima à cidade pode indicar conexão entre fragmentos de vegetação por meio de corredores ecológicos.
A coordenadora Rosane Silva dos Santos explicou que a presença de animais de médio porte em uma área urbana próxima também representa desafios, devido ao acesso facilitado, à circulação de pessoas e ao risco de atropelamentos em vias próximas.
Durante o trabalho de campo, a equipe encontrou armadilhas utilizadas por caçadores e registrou o desaparecimento de uma câmera do projeto. Os pesquisadores apontam que fragmentos menores sofrem maior influência das áreas externas, fenômeno conhecido como efeito de borda.
Projeto une pesquisa científica, conservação e formação de estudantes
O IFAUNA surgiu a partir de observações realizadas no campus e da utilização da mata em atividades práticas. A iniciativa transformou registros iniciais em uma investigação científica com participação de estudantes do ensino médio e superior.
A metodologia adotada buscou reduzir interferências no comportamento dos animais. Os pesquisadores não utilizaram atrativos para capturar imagens, priorizando registros da fauna em condições naturais.
Além do levantamento das espécies, o projeto contribuiu para a formação acadêmica dos estudantes envolvidos. A primeira bolsista da iniciativa, Raquel da Silva Rocha, participou das atividades durante o curso técnico em Florestas e posteriormente ingressou no ensino superior.
Novas pesquisas devem ampliar conhecimento sobre a fauna regional
A equipe responsável pelo IFAUNA prepara novos estudos voltados aos primatas da região, incluindo identificação de grupos familiares e análise de comportamento, com atenção ao sagui-da-cara-branca (Callithrix geoffroyi), observado durante as atividades de campo.
Também está prevista a produção de materiais educativos sobre as espécies registradas, destinados ao IF Baiano e às escolas públicas de Teixeira de Freitas.
Para os pesquisadores, ampliar o conhecimento sobre a fauna local é uma etapa necessária para fortalecer ações de conservação e estimular o reconhecimento da importância dos fragmentos florestais existentes no município.









Deixe um comentário