Nesta segunda-feira (22/06/2026), a terceira noite do tradicional São João de São José, em Feira de Santana, teve como destaque as apresentações de quadrilhas juninas que ocuparam o circuito festivo com dança, figurinos, narrativa popular e forte participação comunitária. Realizado em São José, no distrito de Maria Quitéria, o evento reuniu moradores, visitantes e famílias em torno de uma das manifestações culturais mais representativas do Nordeste, reafirmando o papel dos festejos juninos na preservação da memória regional, no fortalecimento dos vínculos sociais e na valorização dos grupos culturais locais.
Quadrilhas dão identidade cultural à terceira noite da festa
A noite dedicada às quadrilhas juninas levou ao público uma programação marcada por cor, ritmo e encenação popular. As apresentações combinaram música, coreografia, figurinos e enredos que dialogam com elementos tradicionais da vida sertaneja, compondo um espetáculo visual associado à memória dos festejos de São João.
A abertura ficou por conta da quadrilha Fulô de Mandacaru, do Alecrim Miúdo. Com 45 integrantes, o grupo subiu ao tablado ao som de sucessos populares, entre eles “Crina Negra”, e apresentou uma performance marcada por entusiasmo, energia e envolvimento coletivo.
A coordenadora da quadrilha, Daniela das Virgens, destacou o esforço necessário para levar o grupo ao palco. Segundo ela, o processo de preparação exige dedicação, tempo e resistência, mas a emoção de se apresentar compensa o cansaço. “A gente passa por todo um preparativo e cansaço até chegar aqui, mas a força de vontade vence. Para nós, é uma emoção inexplicável pisar nesse tablado e se apresentar”, afirmou.
Xero de Menina apresenta enredo sobre seca e fé sertaneja
Na sequência, a quadrilha Xero de Menina, do distrito de Humildes, apresentou um enredo voltado à seca e à resiliência da fé sertaneja. A escolha temática aproximou a apresentação de uma dimensão histórica e social cara ao imaginário nordestino: a convivência com adversidades climáticas, a força comunitária e a religiosidade popular como elementos de resistência.
O enredo ampliou o alcance cultural da apresentação ao transformar a quadrilha em narrativa cênica. Mais do que uma exibição coreográfica, o grupo levou ao público uma leitura simbólica da experiência sertaneja, marcada por dificuldades, esperança e permanência das tradições.
Ao abordar a seca e a fé, a apresentação reforçou a importância das quadrilhas como linguagem cultural. Nos festejos juninos, esses grupos preservam repertórios transmitidos entre gerações e, ao mesmo tempo, atualizam temas sociais que seguem presentes na vida de comunidades rurais e distritais.
Famílias lotam o circuito e reforçam caráter comunitário do São João
A Praça de Maria Quitéria recebeu grande presença de famílias durante a programação. O público acompanhou as apresentações em clima de celebração, convivência e valorização da cultura popular, característica que mantém o São João de São José como um dos momentos mais esperados do calendário festivo local.
Entre os presentes estava Bruna de Souza, que participa do evento há três anos. Ela afirmou que a festa representa uma oportunidade de reunir familiares e transmitir às novas gerações o vínculo com as tradições juninas. “Estou gostando muito. É um ambiente maravilhoso para trazer a família e celebrar a nossa cultura. Estar aqui com eles é dar continuidade a uma história”, declarou.
A presença de crianças também marcou a noite. A pequena Brenda, de 8 anos, demonstrou encantamento com os figurinos e com a movimentação das apresentações. “Eu estava ali dançando junto com a minha irmã”, contou, ao comentar a experiência de acompanhar o espetáculo.
Tradição junina combina memória, pertencimento e economia local
O sucesso da terceira noite confirma a relevância das quadrilhas juninas como eixo de preservação cultural. Em São José, a festa combina apresentações artísticas, participação popular e ocupação dos espaços públicos, consolidando o São João como manifestação de pertencimento comunitário.
Além do valor cultural, eventos dessa natureza movimentam a economia local. A presença de público estimula atividades ligadas à alimentação, transporte, comércio temporário, serviços e trabalho informal, especialmente nos distritos, onde os festejos contribuem para ampliar a circulação de pessoas e renda durante o período junino.
A programação também valoriza grupos culturais formados por moradores de diferentes localidades de Feira de Santana. Ao reunir representantes do Alecrim Miúdo, de Humildes e do distrito de Maria Quitéria, o São João de São José reforça a integração entre comunidades e a permanência de práticas culturais tradicionais no calendário oficial do município.
Festejos seguem com música e celebração popular
Com a noite dedicada às quadrilhas, o São João de São José reafirmou sua importância na valorização das tradições nordestinas. As apresentações reuniram dança, história, beleza visual e participação familiar, elementos que conferem densidade cultural ao evento.
A festa continua nos próximos dias com novas atrações musicais e manifestações populares. A expectativa é de manutenção do público no circuito, em ambiente marcado por forró, convivência comunitária e celebração das tradições do interior baiano.
A continuidade da programação deve manter São José em evidência dentro do calendário junino de Feira de Santana, especialmente pela capacidade da festa de reunir entretenimento, cultura e memória coletiva em um espaço público de grande adesão popular.
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